Entrevista Especial com ROSAMARIA MURTINHO

 

 


Uma das qualidades de quem pertence ao signo de Escorpião é ser determinado e intenso e a nossa entrevistada de hoje é assim: muito determinada, inteligente, trabalhadora, intensa... E, eu como bom taurino que sou, tenho uma grande admiração por ela, não somente por questões astrológicas, mas por todas as inúmeras qualidades que ela possui.

Recentemente estive no Rio de Janeiro, e para minha surpresa e frustração aquele escaldante sol de verão não se fazia presente, pelo contrário, a Cidade Maravilhosa estava nublada, com fortes pancadas de chuva que ia e vinha, não era possível avistar o Cristo Redentor e muito menos o Pão de Açúcar, ainda assim marquei uma Entrevista pra fazer na casa da maravilhosa atriz Rosamaria Murtinho, que prontamente aceitou e me recebeu em sua residência de braços a abertos. Achar a casa da Rosinha não foi uma das tarefas mais fáceis, visto que não sei me deslocar com habilidade na gigantesca Cidade Maravilhosa, porém, felizmente encontrei – graças às valiosas informações que recebi de alguns simpáticos cariocas que encontrei no meu caminho. Chegando à casa da atriz, que se localiza num dos bairros mais nobres da Zona Sul da cidade, fui recebido com muito carinho e atenção por essa magnífica artista, ficamos quase 2 horas resgatando diversos momentos peculiares da brilhante carreira dela e assim reconstituímos diversos momentos históricos da teledramaturgia brasileira, debatemos sobre a vida e obra da entrevistada e refletimos sobre a lamentável realidade que se encontra o sindicalismo da classe artística. Após a Entrevista, tomamos um lanche juntos onde delongamos a conversa sobre o cenário artístico atual, mas claro que em off. Sem sombra de dúvidas foi uma tarde inesquecível, que de nublada não lembro é nada, afinal, estar na companhia de uma exuberante atriz como essa é motivo de orgulho, sendo privilégio pra poucos, em suma, como grande admirador que sou dela, esse foi um dos melhores dias de toda a minha vida. Orgulhosamente, o “No Mundo dos Famosos” apresenta uma ‘Entrevista SUPER Especial’ com a maravilhosa atriz ROSAMARIA MURTINHO.

 

“Eu tenho que pautar meu trabalho, minha carreira pelo meu trabalho e não porque sai nas revistas e na televisão... Estrelismo é doença de quem não é estrela... Quem é estrela não precisa ter estrelismo.”

(Rosamaria Murtinho)

 

 

Jéfferson Balbino: Rosinha, você queria fazer faculdade de Direito, porém, descobriu o teatro e se encantou pela carreira de atriz, onde até hoje ostenta o titulo de uma das maiores atrizes do Teatro, do Cinema e da TV brasileira. Como o seu irmão, Carlos Murtinho, já fazia teatro amador, foi ele o mentor da sua escolha para a carreira artística?

Rosamaria Murtinho: Na verdade eu queria ser bailarina, daí eu queria fazer Direito, não é que queria é aquela coisa de jovem que não sabe o quer e diz: ‘Vou fazer Direito, porque meus amigos estão fazendo. Mas eu queria ser bailarina, mas tive um problema no minisculo, daí tive que deixar... Dai eu fui estudar nos Estados Unidos e quando eu voltei ele fazia Teatro Amador, lá em Ipanema, tinha o Ivan Lessa, tinha o Paulo Francis que dirigia tudo isso... Daí uma menina ficou doente e faltava 15 dias pra estréia, aí essa foi a frase do Paulo Francis: ‘Murtinho, já que não tem ninguém bota sua irmã mesmo.’.

Jéfferson Balbino: Mas nessa época você já queria ser atriz?

Rosamaria Murtinho: Na verdade eu fui escolhida, na verdade eu não tenho vocação sabe? Não quero dizer, que eu não tenho talento, isso é outra coisa, mas aquela vocação de quem sonha desde menina ser atriz, não tenho! Foi acontecendo e, é a minha profissão, mas eu não quero que tirem de mim o que eu já consegui, como por exemplo, quando acabou a novela “Paraíso Tropical” botaram o nome de todo mundo que fez e não botaram o meu, então isso não pode, porque de qualquer jeito meu trabalho está lá, por mais que não tenha saído nota. Agora eu não ando tanto atrás, eu acho que eu deveria, hoje eu me arrependo, eu fico sempre esperando, esperando, esperando... Quando, às vezes, eu vejo algumas atrizes dizendo que desde pequena quer ser atriz eu falo: ‘Meu Deus, nunca me passou pela cabeça querer ser atriz’.


(Rosamaria Murtinho e Ana Maria Braga)

 

Jéfferson Balbino: Então o Carlos Murtinho que foi seu mentor?

Rosamaria Murtinho: Sim, ele foi, ele fazia e me chamou, e eu fui ficando, e o Silveira Sampaio me viu e me convidou para fazer uma peça com ele e aí o Sandro Colono da Maria Della Costa me viu através do Silveira Sampaio e me convidou e aí o pessoal do TBC me viu e me convidaram para o TBC e depois me convidaram para a Oficina do Zé Celso, e daí eu não parei mais... 

 



Escrito por jéfferson às 20h25
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Entrevista Especial com ROSAMARIA MURTINHO

 

(Jéfferson Balbino e Rosamaria Murtinho, na casa da atriz no Rio de Janeiro)

 

Jéfferson Balbino: É verdade que antes de você se tornar atriz nacional, já fazia trabalhos internacionais?

Rosamaria Murtinho: Não, a verdade é que eu fui com a Maria Della Costa pra Portugal, mas eu já tinha feito aqui um programinha como atriz na Tupi, que era ao vivo, eu, Tônia Carrero, Magalhães Graça e Paulo Autran. Então virei atriz internacional, antes de ser conhecida nacionalmente (risos).

Jéfferson Balbino: Como surgiu o convite pra você atuar na clássica novela “A Moça que Veio de Longe” (TV Excelsior/1964)?

Rosamaria Murtinho: Ah, nós tínhamos um programa na Excelsior, era um programa muito bom, que a gente fazia que era “A Vida das Pessoas” que era um programa sobre histórias verdadeiras, e eu trabalhava lá, trabalhava na Oficina também, nessa época, e aí a Excelsior convidou, o Antunes foi convidado também e outros atores e diretores, pra fazer parte da Excelsior a convite de Boni. A Excelsior revolucionou São Paulo, tanto que quando vem essas coisas sobre novelas antigas eles esquecem da Excelsior, eu lembro que não foi a Globo que começou, foi a Tupi, a mais tempo atrás, então eu fico dizendo: ‘Onde que tá as coisas da Excelsior?’, E a convite do Boni, porque ele foi trazendo as pessoas de Teatro e, eu estava na Oficina, o Mauro [Mendonça] também estava na Oficina e fazendo um filme do Jorge Amado, e nós fomos convidados pra fazer parte do elenco da Excelsior, e aí lá me deram esse papel em “A Moça que Veio de Longe”, o Rodrigo [Mendonça] tinha acabado de nascer e a gente levava pra gravação, que era em fitas grandes, não tinha kilt então cortava com Gilette. Então, eu não fazia muito idéia do sucesso, porque eu estava com filho pequeno e dava de mama, e um dia eu fui ao supermercado comprar uma calça plástica, aí eu não pude sair, tiveram que chamar a policia, aí eu fui escoltada pela policia para a minha casa. Nem eu fazia tanta idéia do sucesso, porque com filho pequeno, eu quase não saia de casa, a Kombi me pegava em casa, era Kombi e chamava Perua em São Paulo, pra ir pra Vera Cruz, onde era a Excelsior, e a gente gravava, e era da Vera Cruz pra casa, de casa pra Vera Cruz, então eu não fazia idéia do sucesso que era a história da Cinderela que é sucesso até hoje com o filme “Uma Linda Mulher”, que é uma moça pobre, empregada, que casa com o filho do patrão rico...


(Rosamaria Murtinho com seu esposo, o ator Mauro Mendonça)

 

Jéfferson Balbino: E como é a história do beijo que demorou muito que teve no final?

Rosmaria Murtinho: A história do beijo que demorou muito é assim, é que a gente se apresentou naquele programa ao vivo que faziam lá no Cinema História onde era a Excelsior, e o balé não entrava e o beijo rolando (risos), então ficou aquela coisa interminável e entrou pra História da Televisão Brasileira, mas isso, às vezes, eles esquecem e isso é uma coisa que me aborrece, esquecer o que a gente fez, pode não gostar da gente, mas o que você fez está lá, então eles pouco usam coisas que aconteceram nas outras televisões.


 

Jéfferson Balbino: Você atuou em diversas novelas das extintas: TV Tupi e TV Excelsior. Como era a teledramaturgia dessas emissoras?

Rosamaria Murtinho: Não tinha tanto recurso, técnico como tem agora que parece Cinema, mas tinha uma coisa interessante que é que eles escreviam sozinhos, os autores, agora tem meia dúzia de autores. Eu me lembro uma vez que o Maneco, Manoel Carlos, dando uma entrevista, há muito tempo atrás, onde dizia que ficaram surpresos ao saber que antigamente eles escreviam novelas sozinhos, o Manoel Carlos escrevia sozinho, a Glória Perez escreve sozinha, não tem colaboradores...

Jéfferson Balbino: E a Janete [Clair] chegou a escrever 5 novelas consecutivas sozinha...

Rosamaria Murtinho: Mas a Janete Clair tinha uma gaveta com uma porção de histórias, quando “Roque Santeiro” foi proibido, que a gente trabalhava, ela tirou uma história e pronto. Ela tinha muito, porque ela escreveu muito rádio-teatro, então ela tinha uma experiência muito grande com histórias, então Roque Santeiro era do marido dela, o Dias [Gomes], e daí não foi ao ar, ela pegou uma história da gaveta dela e colocou no ar rapidinho. E eu e a Janete nós éramos amigas, e de dois em dois dias a Florinda, mulher do Chacrinha fazia um almoço e uma vez a Janete estava presente e falaram dela que era uma pessoa que fazia aquelas tramas, quase shakespearianas, como mortes, reviravoltas, com amores, ódios, vinganças..., e neste almoço uma pessoa leu uma critica da Cidinha Campos que ela tinha feito e que falava mal de uma novela da Janete e ela ficou tão perturbada que ela parou o almoçou e foi embora e o que eu achei estranho é que aquela mulher tão forte, cheia de histórias fortes levadas a última potência com amores, ódios, vinganças fosse ao mesmo tempo uma mulher frágil, pra você ver como é o grande talento que ela tinha.

 



Escrito por jéfferson às 20h03
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Entrevista Especial com ROSAMARIA MURTINHO

 

(Sérgio Cardoso e Rosamaria Murtinho em "O Primeiro Amor")

 

Jéfferson Balbino: Sua estréia na TV Globo aconteceu na novela “O Primeiro Amor” (TV Globo/1972), Como você lidou com a morte do saudoso ator Sérgio Cardoso, que era seu par romântico na trama?

Rosamaria Murtinho: Eu estava passando o fim de semana numa praia lá de São Paulo e quando soube voltei pro Rio e fui ao enterro dele que fazia par romântico comigo. E talvez eu tenha sido a atriz que mais tenha trabalhado com Sérgio Cardoso, eu acho que fui, outra fizeram, mas eu fiz mais novelas. E eu gostava muito do Sérgio, ele era muito talentoso, ele era um gentleman, toda vez que chegava no estudo a primeira coisa que ele fazia era beijar a nossa mão, era um amigão, e a novela continuou, eles arranjaram uma forma muito boa, apresentando o Leonardo Villar, que era compadre do Sérgio, padrinho da Silvinha, e continuou assim e o público aceitou. A morte é inevitável e foi o jeito que o Boni, esse grande gênio da televisão arranjou. Pra mim os dois grandes gênios da televisão são Boni e Chico Anysio. E o Boni bolou isso e foi muito bem.

 

Jéfferson Balbino: Apesar que não é só o Boni que é esse grande gênio da televisão, mas você também que é uma grande atriz , é também uma ‘gênia’ na interpretação (risos).

Rosamaria Murtinho: (risos) Mas eu não posso dizer isso de mim, você pode, mas eu não posso me elogiar (risos). Vovó dizia que ‘elogio em boca própria é tiro no pé’, você pode achar o que quiser eu que não posso me elogiar (risos). Porque a pessoa quando se elogia pode contar que ela não tá se achando aquilo, tá precisando dizer aquilo para que os outros dizem.  Tem uma frase que eu digo, que o estrelismo é doença de quem não é estrela, sabe o apêndice e o apendicite, o apêndice você tem, mas o apendicite é o chato, a doença. Então estrelismo é doença, quem é estrela não precisa ter estrelismo.

Jéfferson Balbino: Uma vez eu assisti no “Programa do Jô” (TV Globo) uma entrevista da Hebe, da Lolita Rodrigues e da Nair Bello, e uma das três, já não me recordo qual delas, falava que em inicio de carreira é natural os artistas dar toda atenção aos fãs dando autógrafos tirando fotos, mas que quando chega num patamar mais elevado não quer nem saber de dar autógrafos aos fãs...

Rosamaria Murtinho: Ah as três maravilhosas, é isso acontece muito, as pessoas acreditam que são ‘celebridades’ (risos). Eu tenho que pautar meu trabalho, minha carreira pelo meu trabalho e não porque sai nas revistas e na televisão. Agora mesmo, eu fui ontem ao Festival de Cinema ver o filme da Alessandra Negrini, muito bom, “Abismo Prateado”, ótimo o filme, e já tá hoje minhas fotos em todos os site, mas você não pode pautar meu trabalho por isso, até porque é tem que estar sempre na batalha, procurar texto melhor... Até porque você pode ser tristemente famoso né?!


(Rosamaria Murtinho, Lauro César Muniz e Bárbara Bruno)


Jéfferson Balbino: Rosinha, recentemente eu falei com você sobre a obra do nosso querido Lauro César Muniz e você me confidenciou que os textos dele são fáceis de serem decorados, tamanha a maestria desse renomado novelista e você trabalhou com o autor nas novelas: “Carinhoso” (TV Globo/1973), “Escalada” (TV Globo/1975), “As Pupilas do Senhor Reitor” (SBT/1994) e na minissérie “Chiquinha Gonzaga” (TV Globo/1999) e também no teatro. Que importância ele tem na sua carreira?

Rosamaria Murtinho: Ah primeiro porque eu fiz coisas boas dele, e tenho pena de não ter feito mais, e eu considero o Lauro um dos maiores – senão o maior, autor de novelas do Brasil, com uma visão muito humana do que ele escreve, uma visão política também, então ele mistura o social com o humano e eu gostei muito de fazer “Carinhoso” com ele que era um pouco da história dele e eu botei muita vontade pra fazer aquele papel.


(Jéfferson Balbino e Rosamaria Murtinho)

 

Jéfferson Balbino: Você já interpretou os mais variados tipos de personagens, trabalhou com vários autores como: Lauro César Muniz, Dias Gomes (na novela “O Espigão” /1974), Marcos Rey (na novela “Cuca Legal” /1975), Walter George Durst (na novela “Nina” /1977), Janete Clair (na novela “Pai Herói” /1979), Ivani Ribeiro, Walther Negrão (na novela “Chega Mais/1980), Silvio de Abreu (na novela “Vereda Tropical” /1984), Walcyr Carrasco (na novela “Sete Pecados”/2007), Antônio Calmon (na novela “Corpo Dourado”/1998), Ana Maria Moretzsohn (na novela “Estrela-Guia”/2001), Miguel Falabella (na novela “Salsa e Merengue”/1996), Benedito Ruy Barbosa (na novela “Pantanal”/1990) e atualmente com o Alcides Nogueira e o Geraldo Carneiro (em “O Astro/2011). Como você se diversificou para se adequar ao estilo de cada um desses talentosos autores?

Rosamaria Murtinho: O Artur da Távola dizia: “Rosamaria Murtinho joga na zona com todos os autores...”. E eu admiro cada um desses, cada um tem uma particularidade boa, cada um tem a sua forma de expressar e cada um deixa um legado. E olha Jéfferson, uma vez eu estava conversando com a Bibi Ferreira falando de fazer laboratório e ela me falou: “Rosinha, posso te dizer uma coisa? Quando o texto é bom, tudo o que você precisa esta no texto.”. É claro que se eu vou fazer uma chofer de carro e não sei guiar, vou ter que aprender, se eu vou fazer uma médica que opera, vou ter que aprender manusear certas coisas pra fazer, mas eu não preciso ser prostituta pra saber o que elas fazem (risos) e também não preciso morrer pra saber como fazer uma cena de morte (risos). Então a Bibi disse tudo, às vezes, tem que fazer laboratório para não fazer uma coisa sem saber como fazer, mas quando o texto é bom, como diz a Bibi Ferreira, tudo o que você precisa está ali no texto. E eu sou a favor, porque eu fiz muito Oficina e fazia muito laboratório, mas a gente fez o método do Stanislavski que é todo nesse tipo, então eu faço muito e gosto muito, mas também acho que a Bibi tem razão, às vezes tudo o que precisa está lá no texto, e quando faz teatro o público te ensina a ajustar, ele não diz nada, nem o que está errado, nem o que está certo, mas faz você entender o que precisa ajustar.

 



Escrito por jéfferson às 19h52
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Entrevista Especial com ROSAMARIA MURTINHO

 

Thyago Andrade /Photo Rio News

(Rosamaria Murtinho e Mauricio Scherman)


 

Jéfferson Balbino: Como foi ser premiada pela APCA de ‘Melhor Atriz’ por sua atuação na novela “Nina”?

Rosamaria Murtinho: Eu gostei porque em “Nina” eu era a antagonista, então o [Antônio] Fagundes que era o galã ganhou o prêmio de Melhor Ator e, eu que fazia a vilã, ou seja, que não era a protagonista, ganhei o prêmio de Melhor Atriz. Eu achei super simpático porque eu não era a Nina, acho que a Nina era a Regina [Duarte] e eu como antagonista ganhei o prêmio de Melhor Atriz e gostei muito.

Jéfferson Balbino: Em 1975, você atuou na versão censurada da novela “Roque Santeiro” (TV Globo) onde você interpretava a Matilde. Como foi a reação da equipe da novela quando a Censura proibiu a trama de ir ao ar?

Rosamaria Murtinho: Fiquei arrasada porque não me chamaram de novo pra fazer a Matilde. Quando foi censurada nós ficamos muito arrasados, e eu vi um capítulo com toda a equipe onde minha personagem apresentava à cidade as ‘sobrinhas’ dela, que na verdade eram prostitutas (risos), e eu lembro que deram boas gargalhadas, o pessoal que estavam vendo. E, eu fiquei arrasada também quando proibiram a novela “Despedida de Casado” do Walter George Durst, inclusive eu até conversando com o diretor Fábio Sabag e a minha personagem nessa novela era tão boa que ele me disse: “Rosamaria quem perdeu com a censura dessa novela foi você, não foi nem a Globo. Você estava com um trabalho sensacional.”.

 

o astro_M

(Rosamaria Murtinho e Marco Ricca em cena na novela "O Astro")

 

Jéfferson Balbino: Nesse mesmo ano você também fez parte do elenco da novela “Pecado Capital” (TV Globo), que assim como “Roque Santeiro” também ganhou um remake. Como é a sensação de ver outras atrizes interpretando personagens que no passado você defendeu? Dá uma pontinha de ciúmes?

Rosamaria Murtinho: Ciúme não dá, eu digo sempre que foi Deus que me deu essa profissão e não me fez uma mulher ciumenta, invejosa... Eu sou ciumenta com outras coisas, mas não me sinto nessa profissão onde egos são tão grandes e inflados. E Deus não me fez uma mulher invejosa, olha que sorte a minha. Eu gosto de ver, eu tive a Cássia Kiss fazendo essa personagem, eu tive a Fernanda Torres fazendo “Os Pequenos Burgueses de Gorc”, tem a Mariana Ximenes que fez “Rosa Tatuada” que eu também fiz. E tudo isso eu vi e, é gostoso a gente ver, é interessante ver outra pessoa encaminhando aquele personagem, às vezes, de um jeito que eu não encaminhei.

Jéfferson Balbino: É interessante vê você falando isso, porque eu até entrevistei atrizes que me disse que prefere não assistir, porque dá uma pontinha de ciúmes, talvez por elas se sentirem donas das personagens...

Rosamaria Murtinho: Eu não sou assim, meu ciúme não é dirigido pra isso, mas por outras coisas...

 

(Rosamaria Murtinho, Lidiane, Tony Ramos, Fernanda Montenegro e Mauro Mendonça)

 

Jéfferson Balbino: Como foi a experiência de contracenar com a inesquecível atriz Norma Geraldy na novela “Jogo da Vida” (TV Globo/1981)?

Rosamaria Murtinho: Ah a Norma Geraldy maravilhosa... Muito bom foi “Jogo da Vida”, foi a primeira novela que o Silvio de Abreu botou fora o meu lado muleque, já que eu só fazia coisas pesadas de dramas, até minhas protagonistas eram de moças sofredoras e, ele botou meu lado de comédia que foi descoberto por ele na televisão. Ah e a Norma era deliciosa, era alegre demais e essa foi uma época muito boa principalmente porque o Silvio descobriu esse lado muleque que eu tinha e que não tinha feito na televisão, e eu adorava fazer, agora ele esqueceu de mim, não está me chamando mais...

Jéfferson Balbino: Vamos lembrar ele então (risos)...

Rosamaria Murtinho: Ah mais ele esqueceu de mim (risos), sendo que foi ele que descobriu esse meu lado muleque já que ele me conhecia lá da Excelsior, era meu amigo de lá e disse: “Você é engraçada e vamos fazer comédia em ‘Jogo da Vida’.”.  E foi ótimo fazer essa e outras novelas dele também, em “Jogo da Vida” ele e telefonou e disse que a novela estava sendo muito criticada – erroneamente, porque eu assistia e a novela era muito boa, e um dia eu estava em casa assistindo a novela e ele me liga dizendo: “Rosinha, tudo bem? É o Silvio de Abreu. Você esta vendo ‘Jogo da Vida’?”, e eu disse: “Tô”, é muito bom quando a gente consegue ver as novelas dos colegas, até porque a gente não tem a visão do telespectador comum, e daí ele me disse: “Eu escrevi uma personagem pra Fernanda Montenegro, mas ela não poderá fazer. Você gostaria de fazer?”, eu disse: “Gostaria”. Mas isso é bem feito pra ele, porque tinha uma outra novela que ele ia me convidar pra fazer, e convidou o Paulo Autran, e insistiram pra que a outra atriz fizesse e não eu, e ele aceitou isso e eu fiquei ofendida, bem feito pra ele (risos). E eu digo isso com toda a sinceridade do coração porque eu o adoro e ele sabe disso. Acho o Silvio um dos maiores talentos da televisão.

Jéfferson Balbino: E tomara que você volte na próxima novela dele que parece que vai ser o remake da novela “Guerra dos Sexos”...

Rosamaria Murtinho: É, ia ser legal fazer mais uma comédia com ele. Mas eu acho que ele não vai me chamar não. 

 



Escrito por jéfferson às 19h39
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Entrevista Especial com ROSAMARIA MURTINHO

 

 


Jéfferson Balbino: Ah, mais depois que ele ver essa Entrevista vai pensar melhor... (risos)

Rosamaria Murtinho: (risos) Não! Ele me esqueceu, mas ele não sabe do que eu sou capaz (risos). E na verdade eu não sei como eu faço televisão, porque eu sou uma pessoa que precisa de ensaio, e televisão não tem. E muitas vezes as coisas não saem boa porque não teve ensaio, e eu preciso, sou uma pessoa que comecei no Teatro, que precisa de ensaio, tanto que ensaio é uma palavra em francês que significa repetition, que é repetir, repetição. Então a televisão não tem a repetição e eu não sei como sai aquele negócio, porque tem tudo pra não sair, então você desenvolve uma maneira de representar que não seria a maneira ideal pra fazer o melhor possível, mas você faz porque têm bons autores e isso a gente não pode negar, a televisão tem bons autores. Eu estava vendo uma vez uma vez em Nova York uma novela mexicana, que era uma coisa de chorar de rir (risos). Já nós tínhamos um autor que era membro da Academia Brasileira de Letras que era o Dias Gomes, que escrevia novela, então é por isso que ela é sucesso em mais de 70 países, porque os autores são muito bons e eles falam da nossa realidade, sempre atrás do que Brecht dizia: “Se queres falar para o mundo, fala primeiro da tua aldeia.”. Tanto que o filme que mais apareceu lá fora, agora com exceção de “Tropa de Elite”, foi o “Dona Flor e Seus 2 Maridos” que era muito brasileiro e por isso interessou ao resto do mundo. E voltando, eu acho que deveria ter mais ensaios para os atores, pra televisão, e isso é uma crítica que eu estou fazendo, um diretor que sempre ensaiava bastante era o Régis Cardoso. Se um dia eu dirigir, porque eu pretendo dirigir, eu pretendo forçar pra repetição que faz com que você não erra e o ator não perde emoção se ficar repetindo – como dizem por aí, por isso que eu acho que o ator brasileiro fantástico, quando o Mauro [Mendonça] foi fazer “Invicta” falaram: “Ah mais o ator brasileiro não sabe dançar, não sabe cantar.”. E eu disse: “Sabe sim, mas não tem é produção pra isso.”, eles adoram pagar pra vê uma peça americana, mas não gosta de pagar R$ 50,00 pra ver a gente. Então quando o Mauro fez “Invicta” todos fizeram teste, inclusive o Mauro, a Claudia... Todos tinha muito talento que dava pra fazer três Invicta’s, não tinha era produção, que é que se arriscaria a por muito dinheiro? Então tá mais que provado que o ator brasileiro canta, dança e representa e no dia que tiver dinheiro para fazer produção vai aparecer muito talento e como agora a gente está vendo.

Jéfferson Balbino: O que você destacaria do seu trabalho no cinema?

Rosamaria Murtinho: Fiz coisas pequenas, mas destacaria “1º de Abril Brasil”, da Maria Letícia Mello, diretora querida, e onde eu ganhei o Kikito. Não tenho muita coisa no Cinema, até porque depois tivemos a má sorte de entrar o Collor que acabou com o Cinema no inicio dos anos 1990. Mas eu estreei bem no Cinema fazendo o filme “Vigilante Rodoviário”, onde eu fazia uma jornalista, uma coisa engraçada é que eu sendo uma das únicas atrizes que fez pouco Cinema, fui indicada ao SACI como Melhor Atriz, o SACI era só de Cinema, e nós fizemos o “Vigilante Rodoviário” para televisão e pegaram os seis melhores episódios e transformaram em Cinema e eu tive boas críticas, até num dia desses eu disse para o Inácio de Loyola Brandão, grande escritor e crítico: “Eu só não rogo uma praga pra você porque estamos num avião e eu não quero que esse avião caia.” (risos). Porque numa crítica ele disse: “Surgiu uma nova atriz de Cinema: Rosamaria Murtinho. É simpática, fotografa bem, não é afetada e representa com naturalidade e simplicidade.”. Depois disso nunca mais eu fiz um filme na vida, mas somos amigos até hoje, vou sempre a São Paulo nos lançamentos dos livros dele, que eu tenho todos. Mas depois que o Inácio de Loyola Brandão escreveu aquela critica maravilhosa nunca mais eu fiz um filme, somente depois é que eu fui chamada para fazer o filme “1º de Abril Brasil” da minha querida diretora Maria Letícia e ganhei o Kikito e depois disso também nunca mais fiz um filme, a não ser alguns curtas que eu estou fazendo e uma participação no “Natal” do Paulo Saraceni. Parece que Cinema, Televisão e Teatro tem tribos onde só chamam quem pertence à tribo deles. Então quando você não anda atrás, não quer se expor, se exibir muito, como é o meu caso (risos), porque eu não fico telefonando e tal, mas eu estou errada viu Jéfferson (risos). Agora mais velha, acho que estou fazendo mais um pouco da social. Mas antigamente ficava mais na minha. Eu acho bacana quem faz isso. Agora, por exemplo, eu estou louca para trabalhar nessa próxima novela do Silvio de Abreu, mas parece que ele já escolheu tudo, e também não dá pra você se constranger e constranger seu amigo. Ah mais eu adoraria fazer mais alguma coisa dele, e agora eu tenho mais tempo de televisão do que naquela época que eu fui chamada por ele.

 

(Rosamaria Murtinho, Ana Botafogo e Mauro Mendonça)


Jéfferson Balbino: Você tinha aquela insegurança que todo ator tem em inicio de carreira?

Rosamaria Murtinho: Eu nunca pensei em insegurança, eu sou aquela pessoa, uma atriz, que se arrisca muito, por exemplo, depois de uma certa idade eu fui fazer musical, nunca tinha cantado na minha vida, alias cantei sim, mas na novela “A Outra” á da Tupi, isso porque eu não sabia dublar, porque é muito difícil dublar alguém cantando, tanto que eu admiro a Larissa Maciel que fez uma “Maysa” perfeita. Mas eu já gravei um disco, o Manuel Barambaí que me levou para gravar o disco. E há uns 5 anos atrás o Ed Motta falou pro meu filho que é músico, o João Paulo, que o meu disco estava bombando lá em Londres (risos).

Jéfferson Balbino: Que ano você gravou esse disco?

Rosamaria Murtinho: Ah... (tempo) na década de 1980.

Jéfferson Balbino: E você pensa em gravar mais um disco?

Rosamaria Murtinho: Por isso que eu disse sobre a insegurança, porque eu nunca penso que eu não posso. Eu faço o meu trabalho, o resto é problema dos outros que não gostarem. Eu pego o meu trabalho, estudo e faço. Quem gostar que ótimo quem não gostar é problema da pessoa que não gostou. Porque eu me gosto. Eu sou ‘escorpião’, gosto de me arriscar. Já mais velha fiz a ‘Chiquinha Gonzaga’ onde eu cantava em cena, numa peça dirigida por dois iniciantes chamados: Hélio Botelho e Charles Miller, que hoje em dia são os maiores nos musicais do Brasil. E eles dirigiram a minha Chiquinha Gonzaga, baseados na peça da Maria Adelaide Amaral, mas não era inteira a peça dela, eles mexeram e eu acho até que a Maria Adelaide Amaral ficou um ouço aborrecida, mas quando eu vi já estava adaptada e como atriz eu não posso tomar conta de tudo, mesmo produzindo. Então eu acho que ela ficou meio chateada, talvez não, talvez eu esteja errada. Mas Jéfferson, eu estou falando pra você de coração até porque quando a gente dá uma Entrevista de coração com a verdade, porque a verdade é sempre bom vim a tona, da pra acertar pelo menos 90%. Então eu acho que ela ficou, mas eu me arrisquei nos meninos porque eu gosto de me arriscar. Agora eu descobri um autor, que ainda não quero dizer o nome, e eu quero fazer uma peça de 2 atores, onde um é travesti e a outra é uma cantora que se prostitui porque ela já esta velha e canta numa churrascaria de quinta categoria pra se manter, a peça não só tem boas personagens, como também mostra a solidariedade entre os ‘decaídos’ (risos). Então é um personagem livre que quero fazer, decadente mesmo, mas quero botar batom, ruge, cílios postiços, mas com a cara já marcada pelo tempo.

 



Escrito por jéfferson às 19h34
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Entrevista Especial com ROSAMARIA MURTINHO

 

(Rosamaria Murtinho como Chiquinha Gonzaga no espetáculo "O Abre Alas"

 

Jéfferson Balbino: Em 1998, você interpretou Chiquinha Gonzaga no musical “O Abre Alas”. Houve alguma dificuldade em ter que atuar e cantar?

Rosamaria Murtinho: Eu estudei, e como eu sempre digo, gosto de me arriscar, olha bem estou com essa idade e faço teatro e televisão, e quem não arrisca tem medo. E eu fui cantando, fui fazendo, ouvindo os outros e a Marília Pêra me deu uma boa professora, mas agora eu cantaria melhor do que naquela época até porque depois eu fiz a Isaurinha Garcia, lembro que o neto da Isaurinha, o Henrique Garcia, quando e viu com a peruca da Isaurinha ele me disse: “É minha avó!”, e eu fiz questão de fazer mesmo o clone dela, assim como o Diogo Vilela fez o clone do Cauby Peixoto. Não foi a minha visão da Isaurinha, eu queria fazer a Isaurinha no palco, eu queria fazer essa homenagem pra ela, então vi filmes, conversei com pessoas que eram amigas dela, a Lolita Rodrigues eu conversei, também com o Caçulinha, vi tipes dela dando entrevistas, os jeitos dela, porque ela não decorava muito, um dia me perguntaram: “Porque você lê na mão?”, daí eu respondi: “Porque a Isaurinha lia.”, certos verbos, às vezes, não te vem a cabeça então ela botava a cola na mão, e ela cantava assim e eu fazia assim.E eu fiz questão de fazer, mas é claro que é a Rosamaria Murtinho fazendo a Isaurinha Garcia, mas eu não queria fazer nada autoral não, eu queria realmente parecer a Isaurinha Garcia, depois eu fiquei contente porque vi que o Diogo Vilela fez igual com o Cauby Peixoto, então eu pensei que naquela época eu não estava errada (risos).

Jéfferson Balbino: E da sua carreira teatral, podemos dizer que esse foi o espetáculo que mais lhe marcou? Ou tiveram outros?

Rosamaria Murtinho: Ah teve alguns como: “Os Pequenos Burgueses de Gorc”, com o grupo Oficina, e a gente também sempre gosta da última peça que faz e entre outras coisas esta me marcando muito trabalhar com a Nathália Timberg, fazendo uma peça do David Hair, que a July Davis fez em Londres, e eu estou fazendo justamente o papel que ela fez, nessa peça que se chama “Sopro de Vida”. Então se você fica lembrando, cada uma tem uma característica e você: “Aquela eu gostei porque eu cantava, aquela eu gostei porque eu cheguei perto da alma do personagem, aquela eu gostei porque eu fazia uma coisa engraçada, já que a personagem tinha aquele humor que eu consegui encontrar. E todos tem efeito diretor, não tem como eu escolher também qual foi o melhor diretor, até porque de cada um se absorve um pouco. Jéfferson, você que está começando na carreira de ator, pega sempre o que o diretor tem a te dar, porque aí você tem uma possibilidade pra mudar um pouco cada papel que você faz, senão você ficará sempre o mesmo, tem atrizes que fica sempre fazendo personagens sempre parecidos. Eu tenho a consciência de que eu estou bem diferente da novela “Jogo da Vida”, da novela “A Próxima Vítima” e de agora de “O Astro” com a tia Magda.

 


Jéfferson Balbino: Rosinha, você também atuou na novela “Eu Prometo” (TV Globo/1983), que foi a última trama escrita pela novelista Janete Clair. Como era o seu contato com a autora durante essa obra? Porque geralmente o ator não tem muita relação com o autor né?

Rosamaria Murtinho: Eu não sou de telefonar para autor sem o diretor saber, até porque eu não sei como vai ser recebido, uma ou outra vez que eu fiz eu me arrependi. Mas a gente sempre tem uma relação quando se encontra e tal... Quando eu estava fazendo “Kananga do Japão” eu dei uma idéia que foi super bem aceita pelo autor, que ele adorou, eu me lembrei que quando morreu aquele ator americano nos anos 1920 e sempre uma vez por ano ia uma mulher com uma burca e ninguém sabia quem era e ela colocava rosas no tumulo dele, então eu falei pro autor: “Porque você não faz uma coisas dessas?”, sempre no dia do ator parece, aí ele fez um caso meu aproveitando isso, porque ele me deu abertura pra fazer isso, e esse autor ele já morreu.

Jéfferson Balbino: Foi o Wilson Aguiar Filho né?

Rosamaria Murtinho: É. Aí ele deu essa abertura e até eu falei pra Tizuka Yamazaki, que é uma maravilha como diretora, e ela dirigia com o filho preso no peito, costume japonês, e eu falei: “Tizuka, eu sei fazer sotaque francês.”, e meu marido era o Rubens Correa, aí ela falou: “Ah eu não sei se vai ficar bom...”, daí eu falei: “Vai! Vai ficar bom. Deixa eu fazer uma cena, daí você vai ver...”, quando eu comecei minha carreira meu irmão, o Carlos Murtinho, me ensinou a fazer, porque pra fazer francês você tem que pegar não só os R’s, mas sim a musicalidade que tem a língua francesa, aí eu fiz umas duas, três cenas com o Rubens e ela achou ótimo e mandou continuar e eu adorei fazer “Kananga do Japão”, adorei fazer aquela francesa... 

 



Escrito por jéfferson às 19h18
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Entrevista Especial com ROSAMARIA MURTINHO

 

 


Jéfferson Balbino: Além de fazer “Kananga do Japão” (TV Manchete/1989), você fez outras novelas fora da TV Globo como: “Jogo do Amor” (SBT/1985), “Kananga do Japão” (TV Manchete/1989), “Pantanal” (TV Manchete/1990), “O Fantasma da Ópera” (TV Manchete/1991) e “As Púpilas do Senhor Reitor” (SBT/1994) e isso numa época que a Globo monopolizava a produção de teledramaturgia no Brasil. Como foi trabalhar nessas outras emissoras?

Rosamaria Murtinho: Gostei muito de “Pantanal”, talvez tenha sido a cena mais bonita que eu fiz na minha vida, junto com uma novela da Janete Clair onde eu fiquei presa e o advogado era o Mário Lago, e eu fiz uma cena linda em “Pantanal” onde meu filho morre engolido por uma cobra, numa cena muito bonita e as “As Púpilas do Senhor Reitor” do nosso querido Lauro César Muniz que eu adorei. E na verdade acabou o meu contrato e não foi renovado e eu fui trabalhar em outros lugares.

Jéfferson Balbino: Nessa época seu contrato era por obra certa?

Rosamaria Murtinho: Não! Mas eu não sei por que não renovaram, acho que fora políticas da emissora, e como eu tinha convite para as outras eu fui e não fiquei sem trabalhar (risos). E depois voltei com um longo contrato onde até hoje eu continuo contratada da Globo.

Jéfferson Balbino: Hoje com essa expansão de produção de telenovelas por outras emissoras, você aceitaria trocar de emissora novamente?

Rosamaria Murtinho: Eu já tive convites, mas eu gosto muito da Globo, eu gosto de trabalhar na Globo, eu tenho prazer em ir pro Projac, trabalhar na Globo. Eu acho aquilo fascinante, eu já fui em Los Angeles, e tirando Hollywood não tem nenhum estúdio como o Projac, então eu tive convites, mas eu não quero sair não! (risos). Um dia o Silvio Santos foi me ver numa peça, até da Maria Adelaide Amaral, “Intensa Magia” onde eu e o Mauro trabalhamos, e ele mandou nos convidar pra ir pro SBT, e eu agradeci, mandei flores pra ele, mas não fui porque tinha contrato com a Globo, por isso que a gente não podia aceitar, mas eu agradeci o convite. O Silvio Santos tinha tudo pra ser a segunda televisão no Brasil, agora resolveu apostar de novo em novelas, mas o problema é que ele quer fazer teledramaturgia e quer logo que a primeira desbanque a Globo e isso não existe, a Tupi que estava com tudo, a Excelsior que batalhou pelo primeiro lugar, a Globo batalhou e ficou em primeiro lugar, mas o Silvio não pode querer que logo as primeiras novelas desbanquem a Globo, ele tinha que fazer uma teledramaturgia para ser respeitada, com um núcleo bom, com autores bons, com diretores bons, com atores bons aí sim, porque é oscilante tudo.

 

 

Jéfferson Balbino: Rosinha, mas em “Pantanal” vocês desbancaram a Globo né?

Rosamaria Murtinho: Mas era uma delicia fazer “Pantanal” e o [Adolpho] Bloch era uma delicia de pessoa, ele almoçava com a gente e adorava também “Kananga do Japão”, porque a Kananga existiu, era uma boate, onde tinha muitos imigrantes portugueses, ingleses, judeus, franceses, europeus, e tinha uma cidade lá que tinha esse lugar de dança chamado kananga do Japão, e o Bloch quando veio para o Brasil ficou por lá, nas casas de um tio, isso o que eu ouvi, não sei se foi verdade, mas parece que ele ficou nesse lugar, e gostei muito de fazer aquela francesa, dona de pensão, casada com o Rubens Côrrea, que era um farmacêutico, com sotaque francês, e o Rubens Côrrea na época me disse: “Rosinha, eu preciso dirigir uma peça com você. Escolhe qualquer peça da Dulcina.”, aí eu disse que estava bem, mas quando acabasse “Kananga do Japão”, porque ele dizia que eu tinha o jeito de comédia, como as peças da Dulcina, e queria muito que eu fizesse, e eu ainda pretendo fazer uma homenagem a ele e a Dulcina também, e ele queria me dirigir, mas infelizmente morreu e ficamos sem fazer esse nosso sonho.

Jéfferson Balbino: É verdade que foi numa montagem teatral que você conheceu o seu marido, o ator Mauro Mendonça?

Rosamaria Murtinho: Foi. Era uma peça do Abílio Pereira de Almeida, uma personagem da Carminda Brandão, porque ela quebrou o pé e precisou ser substituída, e como ele tinha me visto na Maria dela Costa, me convidou, eu me lembro que passamos na frente do TBC e o Raul Cortez estava sentado, enquanto o pessoal estava ensaiando, ele me apresentou primeiro ao Raul que disse: “Ih, o Mauro vai namorar essa garota.”, e foi verdade, o primeiro beijo foi atrás do cenário, quase perdemos a deixa de entrar em cena (risos).

Jéfferson Balbino: Que bacana né?! Dá até uma novela (risos). Falando em novela um fato interessante da sua carreira é que você foi duas vezes Margot, a primeira na novela “Vila Madalena” (TV Globo/1999) que era uma esotérica e a segunda em “Chocolate com Pimenta” (TV Globo/2003) era uma cafetina. Como você trabalhou o perfil psicológico dessas marcantes, distintas e homônimas personagens?

Rosamaria Murtinho: Estava tudo no texto.

Jéfferson Balbino: Então sempre quando você vai compor uma personagem busca sempre como referencia máxima o texto?

Rosamaria Murtinho: Eu busco também em laboratório, pergunto também a pessoas que tem contato com o tema, quando eu fiz aquela novela da Janete Clair em que eu era uma esquizofrênica eu não andava conversando com esquizofrênico a toda hora para saber, mas eu tive que visitar hospitais, então às vezes esta no texto, as vezes tem que fazer laboratório pra saber, então tudo que você precisa  pra aprender sobre o personagem que acho que é valido. Até quando uma pessoa me pára na rua pra dizer que não gostou de uma coisa e me sugere outra fica na minha cabeça, eu posso não usar, mas gosto da opinião das pessoas que vê por outro ângulo, eu adoro quando um amigo vai me ver em peça ou em novelas e me diz a verdade sobre o que gosta e o que não gosta. Eu adoro ouvir a opinião das pessoas. Eu gosto muito daquela frase: “Eu não me envergonho de mudar de opinião, porque eu não me envergonho de pensar.”. Eu gosto muito de opinião de amigos, de pessoas desconhecidas, de opiniões sinceras que dizem pra mim porque não me ofende, eu não levo para o pessoal se não gostar, não me importo.

 

(Rosamaria Murtinho e John Herbert em "Malhação")

 

Jéfferson Balbino: Como foi trabalhar com a nova geração de atores em “Malhação” (TV Globo/2005)?

Rosamaria Murtinho: Foi bom, às vezes, eu estava conversando com a Fernanda [Vasconcellos] que tinha muita critica daí eu cheguei pra ela e olhei nos olhos dela e disse: “Fernanda, você tem talento, não se preocupe, esse é o começo. Você tem talento.”, e olha aí agora onde ela está, lembro que um dia no estúdio ela estava muito tristinha até porque as criticas eram muito ruim pra eles que estava começando.Mas aquela “malhação” foi ruim até pra mim que comecei com um papel maravilhoso, eu fazia uma avó maravilhosa, aí mudou o autor, os autores mudaram, e as vezes eu tinha uma única fala durante toda a semana, e como eu não sou de telefonar para autor pra perguntar o que era, eu devia ter ido, eu também errei, eu devia ter ido até o Ricardo Washigton e dizer: “Ricardo, o que está acontecendo com o meu papel? Desapareceu? É melhor eu sair ou ficar?”, mas eu não fui lá cobrar. Era uma delicia a Naná, as crianças adoravam, até o capítulo 20 foi ótimo, mas depois eu não sei o que aconteceu, não sei se houve briga entre os autores, porque depois que trocou porque eu não sei quem veio a escrever, mas não parece que gostava de escrever para a minha personagem, então eu fui esquecida e isso é uma coisa que me deixou muito chateada.

 



Escrito por jéfferson às 18h46
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Entrevista Especial com ROSAMARIA MURTINHO

 

(Rosamaria Murtinho e Jéfferson Balbino)


 

Jéfferson Balbino: Por incrível que pareça com o Gilberto Braga você trabalhou somente uma vez, numa participação especial na novela “Paraíso Tropical” (TV Globo/2007). Tem vontade trabalhar numa nova obra do autor novamente?

Rosamaria Murtinho: Adoro as personagens de Gilberto Braga, adoro as novelas dele. Eu fiz só 10/15 capítulos de “Paraíso Tropical”, e eu já estava bolando várias coisas pra fazer, até porque eu sou grande amiga da Dayse Lucy, e como ela era a sindica do prédio e eu não queria que ninguém soubesse que eu era uma antiga prostituta eu queria fazer maldade com ela. Então eu tinha bolado uma porção de coisas (risos). Mas era poucos capítulos, e eu tive que sair, foi uma pena, agora o pior não foi eu ter saído, porque a personagem já estava prevista na sinopse que ficaria em poucos capítulos, não foi porque o Gilberto me matou não, já estava estipulado, mas quando acabou a novela apareceu o nome de todo mundo que tinha participado e não apareceu o meu. Não me chateou fazer só os 15 capítulos, foi até uma honra pra mim, com um autor bom. Mas aquilo no final me chateou, acho que foi um desrespeito, passar o nome de todo mundo com o nome do personagem e não passar o meu, mas não adianta porque eu fiz a novela, então não adianta no último capítulo eles terem esquecido de mim, porque eu trabalhei na novela, e está no meu currículo e vai ficar pra quem se lembrar, e isso foi um desrespeito que não adianta apagar.

Jéfferson Balbino: Como foi atuar nos humorísticos “Toma Lá Dá Cá” (TV Globo/2008) e “Zorra Total” (TV Globo/2011)? Inclusive, parece que em “Toma Lá Dá Cá” você quebrou o pé né?

Rosamaria Murtinho: Foi uma coisa tão patética (risos), eu tinha acabado de fazer “Toma Lá Dá Cá” e peguei minha bolsa, estava de bota e ninguém erra uma porta né? Nem meu neto que vai fazer 7 anos, nem ele quando tinha 2 anos não errava, porque uma porta é um buraco né? E eu errei o buraco (risos) e ’pum’ cai no outro lado, e quebrei o metatarso, eu não sei como os pés segura o peso do corpo, vi na radiografia os ossos são todos fininhos, era pro ser humano andar de quatro mesmo (risos), é incrível, nós somos os únicos animais que precisamos de tempo para andar, porque nasce o bezerro e já saí andando, o pinto sai da casca e já sai andando, então a gente precisa primeiro a botar no berço, pra depois gatinhar, pra depois ensinar pra começar a nadar, não deve ser uma coisa normal. Mas voltando, eu gosto muito do Mauricio Schermann eu acho que atualmente, meu filho é diretor e vai a Teatro, eu sei que vai e o Roberto Talma ia muito, mas eu não vejo os diretores nas salas de teatro, mas o Mauricio Schermann vai sempre ao Teatro, que é o lugar que mostra varias coisas, eu tenho pena de diretores que não vão ao Teatro, como muitos diretores da Globo, da Record, do SBT, tem que freqüentar teatro e, e dali que o Schermann pega esses talentos, pegou agora essa Valéria e Janete que ele foi buscar no teatro, assim como outros personagens, então as vezes você está fazendo uma coisa diferente no teatro e os diretores não vêem, tem que se atualizar e ver Teatro porque se não ficam num mundo restrito com os mesmos atores fazendo os mesmos papeis e chateando o público, que precisam ver novos atores em outros papéis.


(Rosamaria Murtinho com os filhos: Rodrigo, Mauro e João Paulo)

 

Jéfferson Balbino: Foi você ou o Mauro que motivou seus filhos, o ator Rodrigo Mendonça, o produtor musical João Paulo Mendonça e o diretor Mauro Mendonça Filho, a seguir a carreira artística?

Rosamaria Murtinho: Nenhum dos dois. Uma vez a Bibi Ferreira fazia um programa na Excelsior e me perguntou o que eu queria para meus filhos e eu disse que queria que eles fossem felizes, os deixando eles escolherem o quiserem, mas naturalmente vendo os pais vitoriosos, é difícil não querer a mesma carreira, como em família de circo, advogados, médicos... Agora o João está fazendo a faculdade de maestro. Agora em “O Astro” foi eu, o Rodrigo e minha neta, fazendo a Keli, filha do Neco (Humberto Martins) e eu não sabia que ela tinha feito teste, ela não me disse que fez teste e passou depois que me contou. Agora a filha mais velha do Maurinho se formou em Cinema na PUC. Eu nunca fui uma mãe carreirista que obrigava os filhos a fazerem o que eu quisesse, as coisas foram acontecendo naturalmente.

Jéfferson Balbino: Que experiência você adquiriu como presidente do Sated/RJ?

Rosamaria Murtinho: Ah eu trabalhava na Manchete, daí passei dois anos sem fazer novela, porque era muito trabalhoso. Mas eu fiquei muito decepcionada com o sindicalismo, eu fiquei muito decepcionada.

Jéfferson Balbino: Mas porque Rosinha?

Rosamaria Murtinho: Pra você ter idéia, eu nem sou mais afiliada ao Sindicato, porque eu não sou obrigada a ser afiliada, eu acho que as pessoas lá querem uma plataforma, um trampolim político, mais do que fazer uma coisa em prol da categoria, então eu fiquei desapontada.

(Rosamaria Murtinho e Regina Duarte)

 

Jéfferson Balbino: Então você acha que precisa melhorar o sindicalismo da classe artística?

Rosamaria Murtinho: Eu acho, mas também de tudo, porque em geral eles querem um ‘up grade’ para a carreira política. Eu acho que um presidente de sindicato, deve ser melhor para o Sindicato e não ingressar na política. Um exemplo disso é o Lula, não precisa de mais nada, basta ver esse exemplo e o de outros Senadores e Deputados. Acho que o sindicalismo é uma coisa muito séria pra presidente de sindicato querer plataforma política, porque o sindicalismo está sendo usado, e eu acho triste isso, mas isso não serve pra todos e sim para alguns.

Jéfferson Balbino: Existe ainda algum tipo de personagem que você tem vontade de interpretar?

Rosamaria Murtinho: Ah eu queria ter feito Shaskespeare, eu quero fazer de qualquer jeito, mas não sei se ainda tenho idade pra fazer, um Tchecov, aquele texto da atriz decadente. Gostaria muito de fazer um Telemark Williams, gostaria de fazer um Plínio Marcos. Já que eu fiz Lauro César Muniz (risos). Mas eu produzo também, daí vai chegando uns dias que digo: “Ah mais como é bom só assinar o cheque e não representar (risos).”. E quando você produz é bom porque você escolhe.

 



Escrito por jéfferson às 18h37
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Entrevista Especial com ROSAMARIA MURTINHO

 

(Rosamaria Murtinho, Alcides Nogueira e Guilhermina Gingle na festa de lançamento de "O Astro")

 

 

Jéfferson Balbino: Atualmente você deu dando um show de interpretação interpretando a adorável Tia Magda em “O Astro”. Você chegou a assistir a atriz Ida Gomes interpretando a mesma personagem na versão original?

Rosamaria Murtinho: Outro dia que eu vi que era da Ida Gomes, eu não sabia. Eu não vi pois por acaso eu estava fazendo teatro e só via alguma coisa, já que fazia teatro as 20 horas, e naquela época a novela das oito começava pontualmente as 20 horas, ao contrário de agora que a novela das oito começa as 21 horas (risos). Então eu fazia teatro de terça a domingo e não deu pra assistir a versão original de “O Astro”.

Jéfferson Balbino: Como é o seu envolvimento com suas personagens?

Rosamaria Murtinho: Eu quando saio da televisão, que tiro a maquiagem, o figurino, me desgrudo. A Virgine Vier, que era uma grande atriz francesa dizia: “Eu estou fazendo a ‘Dama das Camélias’ e estou sim representando, mas eu não posso ver aqueles bombeiros.”, ela disse isso porque lá na Europa é obrigatório ter bombeiros no teatro. Então a gente representa uma coisa e não vive. Agora o que quero com o personagem é como o que quero como atriz que é emocionar as pessoas, quero emocionar as pessoas pegando a alma do personagem. Mas a personagem eu consigo deixar no camarim e não levar pra casa. Não quero dizer que eu não converse sobre a personagem. Eu me lembro que eu fiz “O Preço” do Arthur Muller com o Mauro [Mendonça] e aí no último dia do espetáculo a gente fomos jantar depois da peça e no meio da conversa com os outros atores eu falei: “Mauro, você está se dando conta que a gente está conversando sobre ‘O Preço’? A gente está falando sobre Arthur Muller e a gente acabou de fazer a peça.”. Então a gente não deixa de falar sobre ela, mas viver e estar tomada pelo personagem não.

 

(Nathália Timberg e Rosamaria Murtinho)

 

Jéfferson Balbino: O que você nos relataria sobre sua parceira com a grande atriz Natália Thimberg no drama “Sopros de Vida”?

Rosamaria Murtinho: Ah a Nathália... Está sendo uma delícia. Ela é uma atriz que também não é invejosa, ela quer o melhor para o espetáculo. Então ela dá até dicas boas, e a gente também fez outra peça que era também uma delícia. Então ela dá dicas boas, até porque ela tem muita experiência, então eu admiro demais a Nathália Timberg.

Jéfferson Balbino: E até quando vocês ficam em cartaz?

Rosamaria Murtinho: A gente vai começar agora uma excursão e depois vamos voltar pro Rio de Janeiro e São Paulo. A gente estávamos fazendo no Espaço Cultural Banco do Brasil, onde ficamos durante dois meses as 7 da noite.

Jéfferson Balbino: Você é considerada a primeira mocinha da telenovela brasileira por seu notável trabalho em “A Moça que Veio de Longe”. O que você acredita ser sua maior contribuição na história da teledramaturgia brasileira que completa 60 anos, agora em 2011?

Rosamaria Murtinho: Então, eu não posso falar mal de mim e também nem bem de mim. Eu acho que a seriedade com que eu encaro a profissão, mesmo não sendo uma vocação enorme, porque tem gente que se não está em cena, não está feliz, lembro uma vez que eu estava fazendo uma peça e eu estava esperando pra entrar em cena com uma atriz e ela me disse: “Ah que coisa maravilhosa”, eu assustei porque logo que a gente entrava, depois de 5 minutos a peça acabava, mas ela suspirava e dizia: “Não tem coisa melhor do que estar em cena.”. Eu gosto de tudo isso, mas não é um objeto de prazer da minha vida, até porque tenho outras coisas que eu gosto mais.


(Manoel Carlos e Rosamaria Murtinho)

 

Jéfferson Balbino: Antes de finalizarmos: Qual foi a melhor novela que você já assistiu?

Rosamaria Murtinho: Ah eu gosto muito de todas as novelas do Lauro César Muniz, gosto muito também das novelas do Gilberto Braga e também das novelas do Maneco [Manoel Carlos], onde eu gostei muito da novela “Por Amor” que a Regina [Duarte] trocava os bebês e eu teria coragem de fazer aquilo por amor. Então teve muitas novelas boas.

Jéfferson Balbino: Querida, super obrigado, por me conceder essa entrevista. Sempre admirei muito seu trabalho e parabéns por ser essa atriz brilhante. Beijos!

Rosamaria Murtinho: Querido eu adorei a Entrevista, um beijo pra você Jéfferson!

 

 

 



Escrito por jéfferson às 18h30
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Entrevista Especial - NO MUNDO DOS FAMOSOS

 

OUTRAS ENTREVISTAS

 

Pra você que perdeu as outras entrevistas realizadas por mim aqui NO MUNDO DOS FAMOSOS, aí vai o link de cada uma pra você poder ler, ou reler novamente. Clique em cima do nome do entrevistado para ler a Entrevista Especial realizada.

 

1 - NILSON XAVIER (escritor)

2 - MARGARETH BOURY (autora de novelas)

3 - REYNALDO BOURY (diretor de TV)

4 - BABI XAVIER (atriz/apresentadora)

5 - NÉLIO JÚNIOR (jornalista/repórter de TV)

6 - MARCÍLIO MORAES (autor de novelas)

7 - RICARDO LINHARES (autor de novelas)

8 - ANA MARIA MORETZSOHN (autora de novelas)

9 - DUCA RACHID (autora de novelas)

10 - ADA CHASELIOV (atriz)

11 - MAYRA DIAS GOMES (escritora)

12 - THELMA GUEDES (autora de novelas)

13 – ANDRÉ REBELLO (ator)

14 – KADU MOLITERNO (ator)

15 - MAURICIO MACHADO (ator)

16 - LAURO CÉSAR MUNIZ (autor de novelas)

17 - STELLA FREITAS (atriz)

18 - ALCIDES NOGUEIRA (autor de novelas)

19 - EDWIN LUISI (ator)

20 - MAURO ALENCAR (Doutor em Teledramaturgia/escritor)

21 - SOLANGE CASTRO NEVES (autora de novelas)

22 - WALTHER NEGRÃO (autor de novelas)

23 - BÁRBARA BRUNO (atriz)

24 - RENATA DIAS GOMES (autora de novelas)

25 - MATEUS CARRIERI (ator)

26 - LETÍCIA DORNELLES (autora de novelas)

27 - TAMARA TAXMAN (atriz)

28 - AIMAR LABAKI (dramaturgo/autor de novelas)

29 - LUCÉLIA SANTOS (atriz)

30 - FÁBIO FABRÍCIO FABRETTI (escritor)

31 - EDUARDO NASSIFE (escritor)

32 - ROSANE GOFMAN (atriz)

33 - CRISTIANNE FRIDMANN (autora de novelas)

34 - RODRIGO PHAVANELLO (ator)

35 - YOYA WURSCH (autora de novelas/roteirista)

36 - INGRA LIBERATO (atriz)

37 - JOÃO CAMARGO (ator)

38 - GILBERTO BRAGA (autor de novelas)

39 - DÉO GARCEZ (ator)

40 - PATRÍCIA MORETZSOHN (autora de novelas)

41 - BETH GOULART (atriz)

42 - MANOEL CARLOS (autor de novelas)

43 - VANESSA GOULARTT (atriz)

44 - DENISE EMMER (escritora)

45 - MARIA ADELAIDE AMARAL (autora de novelas)

46 - WALCYR CARRASCO (autor de novelas)

47 - LEONA CAVALLI (atriz)

48 - AZIZ BAJUR (dramaturgo)

49 - FÁTIMA FREIRE (atriz)

50 - VIVIAN DE OLIVEIRA (autora de novelas)

51 - JÉFFERSON BALBINO (blogueiro)

52 - SILVIO DE ABREU (autor de novelas)

53 - PEDRO NESCHLING (ator)

54 - JORGE BRASIL (jornalista)

55 - NORMA BLUM (atriz)

56 - DENISE DEL VECCHIO (atriz)

57 - RODRIGO ANDRADE (ator)

58 - LUCINHA LINS (atriz)

59 - CLAUDIO LINS (ator)

60 - NARJARA TURETTA (atriz)

61 - CLAUDINO MAYER (escritor/pesquisador em teledramaturgia)

62 - ANDRÉ FRATESCHI (ator)

63 - TUNA DWEK (atriz/escritora)

64 - TÂNIA BONDEZAN (atriz)

65 - GERALDO CARNEIRO (autor de novelas)

66 -  ROSAMARIA MURTINHO (atriz)

 

HISTÓRIAS DE NOVELISTAS

 

* LAURO CÉSAR MUNIZ

 

 



Escrito por jéfferson às 17h54
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Próxima Entrevista: VINCENT VILLARI

Dia 07 de Novembro


 

Minha "Entrevista Especial" é com o autor de novelas VINCENT VILLARI

Não Perca!



Escrito por jéfferson às 17h39
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