Entrevista Especial com RENATO MODESTO

 

 

E finalmente chegamos ao fim de mais um ano, e aqui “No Mundo dos Famosos” posso afirmar com toda segurança que esse 2011 foi muito promissor, afinal entrevistei os maiores nomes da teledramaturgia brasileira, justamente no ano que a nossa telenovela completou 60 anos, entre os ilustres entrevistados deste ano que chega ao fim hoje estão: Gilberto Braga, Manoel Carlos, Maria Adelaide Amaral, Walcyr Carrasco, Silvio de Abreu, Norma Blum, Denise Del Vecchio, Lucinha Lins, Geraldo Carneiro, Rosamaria Murtinho... E ainda tivemos o privilégio em homenagear um dos maiores novelistas de todos os tempos que é o grande Lauro César Muniz, homenagem esta que reuniu os maiores astros e estrelas da TV brasileira aproximando vocês com renomados artistas como: Lima Duarte, Maitê Proença, Paloma Duarte, Gabriel Braga Nunes, Paulo Goulart, Nicette Bruno e, recentemente, a magistral atriz Regina Duarte. Em 2011 você ficou mais conectado nesse fabuloso e maravilhoso mundo dos famosos e soube mais sobre a vida e a carreira das celebridades brasileiras, eu fui buscar a fundo, diretamente nas fontes, o testemunho de quem faz a nossa história cultural e com isso resgatamos fatos importantíssimos dessa bem sucedida teledramaturgia brasileira e o resultado de tudo isso foi a mais que evidente constatação da imensurável importância e contribuição da telenovela em nossas vidas. E, eu fiquei extremamente feliz em propiciar a vocês essa aproximação, esse elo com os maiores artistas do Brasil. E pra encerrar com ‘chave de ouro’ as entrevistas especiais do “No Mundo dos Famosos” nesse ano espetacular trouxe a vocês um excelente entrevistado. Ele começou a se interessar pela carreira artística por volta dos 7 anos de idade no teatro amador, se profissionalizou como ator onde teve o privilégio em trabalhar com grandes nomes da dramaturgia nacional, teve grande destaque na novela “Pérola Negra” do SBT, se destacou como dramaturgo escrevendo para o Teatro peças renomadas e premiadas, e aproveitou a chance que teve e os conhecimentos que adquiriu na Oficina de Atores da Globo para se transformar num talentoso novelista, ao lado de Whalter Negrão ele escreveu as novelas: “Como Uma Onda”, “Desejo Proibido” e “Araguaia”, agora sua carreira profissional passou por uma nova reviravolta já que ele trocou a Globo pela Rede Record, e com isso ele inicia uma nova fase de sua vida, a caminho do total reconhecimento que ele sempre mereceu por tanto talento que possui. Agora em 2012 ele irá escrever ao lado do nosso querido Lauro César Muniz a próxima novela da Record, intitulada de “Máscaras” que será uma opção diferenciada em relação às novelas que estão no ar atualmente, ou seja, já promete ser um grande sucesso. Com muito prazer que eu entrevisto ele que é ator, escritor, dramaturgo e novelista, e muito talentoso, RENATO MODESTO.

 

 

“Se um autor não se entrega e não se emociona, o produto final não vai comover o público. Para tocar o coração das pessoas, é preciso escrever com o coração.”

 

(Renato Modesto)

 

 

Jéfferson Balbino: Renato, como você descobriu sua vocação para a carreira artística?

 

Renato Modesto: A partir dos sete, oito anos, eu já fazia teatro amador na escola (Escola de Aplicação da FEUSP) e dizia que queria ser ator quando crescesse. Tiro e queda: nunca mais parei. Meu ponto alto no teatro amador foi fazer, aos quatorze anos, o papel do cardeal português na peça “A Ceia dos Cardeais”, de Julio Dantas. Fizemos quatro apresentações lotadas no teatro da escola, meu primeiro “grande sucesso”. Além de fazer teatro amador, eu gostava demais de ler e escrever. A partir dos dez anos, já arriscava escrever contos e pequenas peças teatrais para montar com os colegas. Aos doze anos, escrevi um romance completo de ficção científica: “As Sete Chaves do Povo da Quarta Dimensão”. Haja imaginação! Descobri nessa época que, além de ator, também queria ser escritor. 

 

Jéfferson Balbino: Conta pra nós como foi o seu processo de profissionalização na profissão de ator. Que cursos você fez? Como foi o seu processo de banca pra obtenção do DRT?

 

Renato Modesto: Minha grande escola foi o teatro amador. Eu tinha um professor de artes excelente no primeiro grau – José Joaquim Marques – que me apresentou a magia do teatro. Quando montamos a peça “A Ceia dos Cardeais”, um diretor de teatro profissional, Plínio Rigon, assistiu, gostou do meu trabalho e, dois anos depois, me convidou para participar do meu primeiro espetáculo profissional: “Um Tiro no Coração”, de Oswaldo Mendes. Eu ainda não tinha DRT, então participei como estagiário. Só fui tirar meu DRT dois anos depois, quando fui selecionado num teste para fazer a peça “O Lobo de Ray-ban”, de Renato Borghi.

 



Escrito por jéfferson às 17h01
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Entrevista Especial com RENATO MODESTO

 

(Renato Modesto e Barbara Bruno em cena no espetáculo "Laços Eternos")

 

Jéfferson Balbino: Sua estreia como ator ocorreu na peça “Um Tiro no Coração” (1984). Como foi essa primeira experiência?

 

Renato Modesto: Eu ainda era muito novo e inexperiente, então minha participação na peça era bem pequena. O espetáculo contava a vida de Getúlio Vargas e era estrelado por Dionísio Azevedo. Junto com ele no elenco, outros grandes atores e atrizes: Umberto Magnani, Walderez de Barros, Annamaria Dias, Luiz Serra e João Acaiabe. Eu participava mais como contra-regra do que como ator propriamente: carregava mesas, cadeiras, abria e fechava a cortina, mas já fazia algumas cenas de coro, com canções e coreografias. Foi uma experiência maravilhosa por conviver com os atores profissionais e ir me acostumando com a rotina do teatro, a responsabilidade com os horários e a variável reação do público. No dia da minha estréia, na primeira vez que pisava num palco profissional, entrei carregando uma mesa com um colega também iniciante (Dennis Victorazo). Eu tropecei num cabo de força e entrei todo desequilibrado. Só não levei um tombaço porque o Dennis estava do outro lado da mesa e teve força para segurar o tranco. Comecei no teatro profissional, portanto, com um tropeço, mas com a preciosa lição de que devemos valorizar aos colegas de cena. Teatro é uma arte de equipe e só pode dar certo com um ajudando o outro em cena.

 

(Renato Modesto e Cléo Ventura, em cena, no espetáculo "Laços Eternos")

 

Jéfferson Balbino: Você já atuou em mais de 20 espetáculos. Qual foi o que mais lhe marcou?

 

Renato Modesto: Essa é uma pergunta difícil porque todas as peças que fiz foram marcantes. Guardo ótimas recordações não só dos espetáculos, mas das viagens pelo Brasil e, principalmente, dos colegas queridos. Sempre aprendi demais observando meus companheiros de cena e tive o privilégio, ao longo dos anos, de trabalhar com grandes atores e atrizes.  “Pequenos Burgueses” foi especial porque contracenei com Renato Borghi e Célia Helena; “Enfim Sós” por ter trabalhado ao lado de Paulo Goulart e Nicette Bruno; “Alice Que Delícia” por ter atuado com Maria Della Costa; “Hello Boy” por ter dividido o palco com Elias Andreato; “Volta ao Lar” por ter contracenado com Antonio Petrin e assim por diante. Se for para escolher um único espetáculo da carreira, então fico com “O Lobo de Ray-ban”, de Renato Borghi, peça de 1987. Foi minha estréia com DRT, portanto meu primeiro espetáculo de fato como profissional. Eu tinha apenas dezenove anos, mas meu personagem era muito difícil e importante. Na peça, que alcançou grande sucesso de crítica e público, dividi o palco com duas feras: o brilhante Raul Cortez e a belíssima Christiane Torloni. Ganhei com este trabalho o Prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte – como melhor ator em papel coadjuvante. Foi um grande e inesquecível sucesso!

 

Jéfferson Balbino: Houve alguma dificuldade em adaptar para o teatro a obra “O Amor Venceu” da escritora Zíbia Gasparetto?

 

Renato Modesto: Pelo contrário. Fiquei muito feliz com a oportunidade de adaptar o belíssimo romance da Zíbia para o teatro e, embora ainda não tivesse muita experiência como dramaturgo, me senti muito inspirado enquanto realizava o trabalho. Tudo fluiu com rapidez e naturalidade. Gosto do resultado e o sucesso do espetáculo, há mais de quinze anos em cartaz pelo Brasil, me dá muita satisfação. Neste ano, 2011, a adaptação que escrevi foi publicada pela Editora Vida e Consciência e figura na coleção “Zibia Gasparetto no Teatro”. A publicação da obra foi uma nova alegria que “O Amor Venceu” me trouxe, pois além de divulgar o texto, pode proporcionar novas montagens teatrais.

 

Jéfferson Balbino: E como foi ser dirigido pela talentosa Bárbara Bruno nesse espetáculo?

 

Renato Modesto: Tenho muita admiração pela Bárbara Bruno, que além de ser uma profissional de altíssimo nível, é um exemplo de bondade, gentileza e generosidade. Contracenamos em dois espetáculos: “Cais Oeste”, de Bernard Marie-Coltés e “Putz”, de Murray Chagall. Nas duas ocasiões, aprendi muito com Bárbara que, além de maravilhosa colega, é excelente atriz. Quanto à direção do espetáculo “O Amor Venceu”, acredito que a Bárbara soube transportar minha adaptação para o palco com muita sensibilidade e fidelidade. Sem grandes efeitos, apostando sempre na simplicidade e na verdade, ela conseguiu ressaltar para o público os elevados valores e a mensagem de fé e esperança da peça.

 

 

Jéfferson Balbino: Você já publicou, entre outros livros, o "Novelas, Espelhos e um Pouco de Choro" (2003). Qual é a maior dificuldade na hora de escrever?

 

Renato Modesto: O mais dificil ao escrever um texto é sempre o inicio. Depois que você consegue começar, os personagens e a história parecem adquirir uma espécie de 'vida própria', tornando o trabalho mais fácil a cada página vencida. Acredito que os textos mais complexos que já escrevi às peças teatrais: entre outras, "O Martelo", "É o Fim do Mundo!", "Inesquecível" e "O Julgamento de Corpo-Santo", de longe o que exigiu mais pesquisa. Quanto aos textos em prosa publicados, o mais marcante para mim foi o conto 'Júlia Ferraz', que consta no livro "Novelas, Espelhos e um Pouco de Choro". O conto possui veladamente alguns traços biográficos e trata, portanto, de questões que me atingem de forma bastante pessoal.   

 



Escrito por jéfferson às 16h42
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Entrevista Especial com RENATO MODESTO

 

 

 

Jéfferson Balbino: Um dos seus trabalhos marcantes como ator foi na novela “Pérola Negra” (SBT/1999), onde você interpretou o Júnior. Como foi contracenar com a grande atriz Cléo Ventura?

 

Renato Modesto:Pérola Negra” foi uma experiência divertidíssima. Adorei trabalhar com a Cléo Ventura, que além de ser uma atriz muito verdadeira e carismática, tornou-se uma amiga querida. Gostei demais de fazer TV e me adaptei rapidamente ao dia-a-dia de gravações. Eu gostaria muito de ter feito outros trabalhos como ator na televisão, mas no mesmo ano em que terminei de gravar essa novela no SBT, fui contratado como roteirista na Rede Globo. Eu passei a me dedicar com muito entusiasmo à teledramaturgia e ficou difícil conciliar as duas atividades.

 

Jéfferson Balbino: Como surgiu o convite pra você ingressar na equipe de roteiristas da novela “Como uma Onda” (TV Globo/2004)?

 

Renato Modesto: Essa é uma história um pouco longa. Entrei na Rede Globo depois de fazer uma Oficina de Roteiristas, ministrada por um professor sensacional chamado Flavio de Campos. A competição foi grande: havia setecentos e vinte candidatos. Depois de uma primeira “peneira” com entrevistas e testes, trinta foram escolhidos para o curso. Desses trinta, apenas três foram contratados no final, e tive a felicidade de ser um deles. Nos primeiros anos de Rede Globo, trabalhei no Catálogo de Histórias da emissora, coordenado pela minha querida amiga Edna Palatnik. Trata-se de um arquivo digital com centenas de análises e críticas de projetos, sinopses e roteiros, além de resumos comentados de romances, contos e filmes com possibilidades de adaptação. Essa atividade de leitor-crítico me fez ler dezenas, talvez centenas de projetos e livros, além de me fazer estudar a fundo as características do texto dramático. Foi muito enriquecedor intelectualmente, mas é claro que meu sonho era escrever meus próprios roteiros em vez de analisar roteiros alheios. Para conseguir alcançar esse objetivo, eu costumava escrever projetos e sinopses originais, alguns em parceira com dois colegas roteiristas muito talentosos da Globo: Jackie Vellego e Guilherme Vasconcelos. Em 2003, apresentei uma sinopse de novela que escrevi sozinho: “Tutti Frutti”, baseada em três peças de Molière: “O Avarento”, “O Doente Imaginário” e “O Burguês Ridículo”. O diretor artístico da emissora na época, Mario Lúcio Vaz, gostou do projeto e ficou interessado em produzi-lo, desde que eu fosse supervisionado por um autor mais experiente. Eu já conhecia o Lauro César Muniz porque anos antes, em 1984, ele tinha sido líder de um grupo de jurados que concedeu o primeiro lugar no Concurso de Dramaturgia do SESI-SP à minha peça “É o Fim do Mundo!”. Eu aproveitei esse contato e convidei o Lauro para a supervisão. Fiquei nas nuvens quando ele elogiou meu projeto e aceitou me orientar. Com apenas 35 anos, eu ia estrear como autor titular! Infelizmente, o projeto não vingou, por motivos nunca devidamente esclarecidos. O relacionamento do Mario Lúcio Vaz com o Lauro já vinha estremecido há alguns anos e essa “puxada de tapete” acabou se tornando um dos motivos que levaram o Lauro a se desligar da Globo, depois de muitos anos de sucesso na emissora. Ele decidiu iniciar uma nova fase de sua brilhante carreira na Rede Record e eu pensei em acompanhá-lo. Entretanto, eu estava na Globo há apenas cinco anos e achei que devia insistir por mais tempo. Mesmo não tendo sido produzida, minha sinopse abriu outra porta: Walther Negrão, um dos novelistas mais experientes da televisão brasileira, leu o projeto, gostou e me convidou para colaborar em sua novela “Como Uma Onda”, de 2004, inaugurando uma nova fase em minha carreira. Esse foi o início de fato do meu trabalho como roteirista de televisão.

 

Jéfferson Balbino: Que avaliação você faz do seu trabalho na autoria do especial “Papai Noel Existe” (TV Globo/2006)?

 

Renato Modesto:Papai Noel Existe “foi uma grande vitória pessoal. Eu estava muito feliz naquele ano, trabalhando como co-autor em “Desejo Proibido”, de Walther Negrão, escrita comigo e Jackie Vellego, com a colaboração de Julio Fischer e Alessandro Marson. “Desejo Proibido” era uma novela muito romântica, bem apropriada para o horário das 18 horas e adorei fazer parte do seu time de autores. O Negrão, como sempre, comandou a equipe com muita competência e leveza, e acho que conseguimos fazer um trabalho de alta qualidade. Apesar da satisfação profissional que sentia, eu ainda não tinha tido o gosto de ver na telinha um trabalho só de minha autoria. Claro que não dá para comparar uma novela com um especial de Natal, que é imensamente mais simples, mas ainda assim me deu muita satisfação ver meu nome sob o crédito de autor. A direção de “Papai Noel Existe” foi do experiente Roberto Farias e o personagem protagonista – um pedreiro que trabalha como Papai Noel de loja durante as festas – foi interpretado por Reginaldo Faria. Acho que o programa foi bem realizado e ficou muito alegre e otimista. Foi emocionante ver a mensagem de esperança que eu tinha colocado no papel sendo transmitido para milhares de famílias brasileiras justo na véspera de Natal, pouco antes da hora da ceia, um momento tão marcante e especial para todos. 

 



Escrito por jéfferson às 16h16
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Entrevista Especial com RENATO MODESTO

 

 

(Renato Modesto com sua filha, Maria Luiza)

 

 

 

Jéfferson Balbino: Como você lida com o isolacionismo que a profissão de novelista propicia?

 

Renato Modesto: Quando a novela está no ar, essa situação de isolamento se acentua por conta da grande carga de trabalho, mas eu já me acostumei com os momentos de solidão que a profissão exige. Por temperamento, gosto de passar um tempo sozinho quase todos os dias, não só para escrever, mas também para ler, estudar e meditar. Mesmo assim, busco sempre equilibrar os momentos a sós com uma vida social ativa. Adoro ficar com minha filha de oito anos, Maria Luiza, gosto muito de correr ou caminhar no parque, sair com amigos, namorar, ir ao cinema e ao teatro. Quando o trabalho não me permite muitas saídas, aceito com serenidade e aproveito para me concentrar em buscar qualidade no que estou produzindo. Ainda assim, estou sempre atento às brechas possíveis para equilibrar a profissão com minha vida particular. Trabalhar é maravilhoso, mas viver também é fundamental.

 

Jéfferson Balbino: Você também foi co-autor da novela “Desejo Proibido” (TV Globo/2007), que foi o último trabalho do ator Luiz Carlos Tourinho. Como vocês da equipe lidaram com a morte do saudoso ator?

 

Renato Modesto: Desejo Proibido” foi o trabalho que mais gostei de realizar na Rede Globo. A equipe de autores, liderada pelo Walther Negrão, era muito coesa e inspirada e o elenco, comandado pelo excelente diretor Marcos Paulo, também era muito talentoso e unido. Alguns personagens da novela são memoráveis, entre estes o Nezinho do saudoso Luiz Carlos Tourinho. Além de grande ator, ele era uma figura muito querida por toda a equipe e foi um baque para todo mundo quando ele morreu. Em “Como Uma Onda”, já tínhamos enfrentado a doença de uma atriz que nos obrigou a reescrever capítulos, mas aquela crise era mais séria. O Negrão, experiente como é, já tinha passado por várias situações semelhantes em sua carreira, não só morte de atores, mas brigas, atores que não funcionam nos papeis, atrizes grávidas etc. Sendo assim, ele nos transmitiu muita segurança. Inventamos que o personagem Nezinho ia embora da cidade fictícia de Passaperto, onde a novela se passava, para encontrar sua mãezinha querida, citada algumas vezes em capítulos anteriores. O diretor Marcos Paulo e os editores escolheram uma cena já gravada aonde o Tourinho ia andando por uma estrada em direção ao horizonte e essa ficou sendo a última e belíssima aparição do personagem. Com a saída dele solucionada, reescrevemos várias seqüências, retirando o personagem e incluindo novas situações. Crises como essas ensinam muito a todos na equipe. A novela é uma obra aberta, sujeita a mudanças o tempo todo, tanto decididas pela equipe quanto impostas pela imprevisibilidade dos acontecimentos. Depois que a novela entra no ar, todo e qualquer problema que apareça tem que ser solucionado de um jeito ou de outro. O show não pode parar.

 

 

 

(Renato Modesto em cena na novela "Pérola Negra")

 

Jéfferson Balbino: Quando os atores não seguem fielmente o texto, conforme você escreveu isso lhe desagrada?

 

Renato Modesto: Alguns raros atores possuem a capacidade de incluir “cacos” com competência. Lima Duarte é um exemplo. Via de regra, porém, considero um desrespeito quando atores ficam deturpando o que está no roteiro, às vezes porque não decoraram direito suas falas, às vezes porque se julgam melhores autores do que os verdadeiros autores. Detesto esse tipo de atitude, não por vaidade e apego ao texto que escrevi, mas por um motivo muito simples: tudo o que escrevemos no roteiro é bem planejado e está relacionado com falas e fatos já apresentados ou que ainda aparecerão no decorrer da história. O que para o ator parece uma pequena mudança pode estragar toda uma seqüência e prejudicar o entendimento do público. Não me incomodo que os atores dêem sugestões ou façam críticas (desde que façam isso com bom senso, sem exagero), mas acho que cada profissional deve se limitar aos limites de suas responsabilidades. O autor escreve, o ator interpreta. A correria de uma gravação de novela já é grande e o risco de problemas aumenta quando os profissionais embaralham suas funções.

 

Jéfferson Balbino: Como foi a sensação em conquistar o primeiro lugar no Concurso de Dramaturgia do Sesi (SP) com a peça “É O Fim do Mundo” (1995)?

 

Renato Modesto: Em 1992, eu tinha escrito uma peça policial, “O Martelo”, que foi montada com grande sucesso em 1996. Teve direção de Aderbal Freire-Filho. No elenco, estavam Ney Latorraca, Bárbara Bruno e Edi Botelho. “O Martelo” me deu muita alegria desde que finalizei o texto, mas nessa época eu ainda me considerava muito mais ator do que dramaturgo. Foi quando “É o Fim do Mundo!” ganhou o concurso de dramaturgia do SESI que comecei a encarar a atividade de escritor como uma real opção de carreira para mim. De certa forma, o prêmio mudou minha vida, indicando-me uma direção a seguir. O prêmio do SESI também marca o início da minha grande amizade com Lauro César Muniz. Eu era um grande fã do trabalho do Lauro como dramaturgo e novelista e fiquei imensamente honrado por receber o prêmio de um júri encabeçado por ele. Na época, eu não imaginava que nossos caminhos profissionais iriam se cruzar novamente, mas hoje percebo que o destino vez ou outra sabe bem o que faz. Hoje em dia, sou parceiro de Lauro César Muniz, mas continuo sendo seu grande admirador. Eu o considero um verdadeiro mestre.

 

Jéfferson Balbino: Recentemente você colaborou na novela “Araguaia” (TV Globo/2010) que não obteve tanto sucesso de audiência. Em sua opinião o que faltou pra trama fisgar o público?

 

Renato Modesto: Acho importante que não se confunda audiência com qualidade. O que prejudicou a audiência de “Araguaia” foram às eleições de 2010 e o horário de verão. A novela tinha alta qualidade de texto e direção, tanto assim que, em 2011, foi uma das quatro novelas no mundo indicadas ao Prêmio Emmy Internacional de Televisão. 

 



Escrito por jéfferson às 16h02
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Entrevista Especial com RENATO MODESTO

 

 


(Renato Modesto em cena no espetáculo "O Rei do Brasil")

 

 

 

 

 

Jéfferson Balbino: Que importância o autor Walther Negrão tem na sua carreira de novelista?

 

Renato Modesto: Sempre serei muito grato ao Walther Negrão, o autor com quem estreei na TV e com quem aprendi muitíssimo. Escrevi três novelas com ele, como colaborador e depois como co-autor: “Como Uma Onda”, “Desejo Proibido” e “Araguaia”. Negrão é o autor vivo que mais escreveu novelas na televisão brasileira. Tem, portanto, uma vasta e riquíssima experiência. Além de toda a sua bagagem, é uma pessoa sociável, divertida, sempre de bom humor. O Negrão é um mestre da estrutura dramatúrgica. Ele conhece todos os truques, macetes e recursos de autoria e sabe ensinar tudo isso de uma forma simples e direta. Trabalhar com ele foi a minha grande escola.

 

Jéfferson Balbino: Como é o seu contato com os atores de sua novela? Chega a ligar dando dicas de como interpretar determinada situação?

 

Renato Modesto: Convivo muito pouco com o elenco, por total falta de tempo.  Via de regra, os autores transmitem recados aos atores através do diretor geral. Eu gosto dessa atitude porque penso que fica mais prático manter um caminho único de interlocução com a equipe. Além disso, acho importante manter o diretor sempre informado das críticas e sugestões que porventura apareçam. Raramente, se for necessário, posso conversar diretamente com algum ator, mas em geral não gosto que fiquem me ligando ou mandando mensagens. Não se trata de esnobismo. É só que a carga de trabalho com a novela no ar é imensa e, simplesmente, não tenho tempo para ficar conversando. Fora do período de gravações, gosto de manter contato com a equipe, da qual costumo me tornar grande amigo.

 

 

 

Jéfferson Balbino: Recentemente você foi contratado pela Record para escrever com o Lauro César Muniz sua próxima novela. O que te motivou a deixar a Globo?

 

Renato Modesto: Eu aprendi muito na Rede Globo durante os treze anos que lá estive e ali fiz muitos amigos. O que começou a me incomodar é que tenho a natural ambição de escrever minhas próprias novelas, imprimindo na TV a minha marca pessoal como autor. Eu tinha a intenção de realizar esse objetivo na própria Globo, mas percebi que meus superiores não tinham um projeto de carreira definido para mim. Acho que me viam só como integrante da equipe do Walther Negrão e não estavam percebendo plenamente o meu potencial. Talvez a situação mudasse em cinco ou dez anos, mas comecei a sentir que estava demorando demais. Sou muito perseverante e ativo, estou sempre em busca de novos desafios e aprendizados e detesto me sentir estagnado. Foi então que o grande autor Lauro César Muniz reapareceu em meu caminho. Ele estava em busca de um roteirista para dividir com ele a autoria de sua próxima novela na Rede Record e me senti muito honrado quando me ligou com o convite, oferecendo-se para fazer a ponte com a direção artística da emissora. Não é fácil largar uma empresa como a Globo depois de tantos anos, mas minhas inseguranças se dissiparam quando a Record veio com uma proposta muito séria e sólida. Na nova emissora, terei o enorme prazer de ser co-autor de uma novela com o Lauro e, depois, poderei desenvolver meus próprios projetos de novelas e/ou minisséries. Era tudo o que eu buscava há muitos anos. Virei à mesa e comecei a escrever uma nova página da minha vida e carreira. Estou muito animado com a nova casa e já vesti a camisa da Record.

 

Jéfferson Balbino: O que podemos esperar da novela “Máscaras”, que estreará na Record agora em 2012?

 

Renato Modesto: Agora já temos o título definitivo: Máscaras. É uma novela de Lauro César Muniz, com a minha co-autoria e a colaboração de Mario Viana, Mariana de Vielmond e João Gabriel Carneiro. Trata-se de uma história policial muito vibrante, cheia de ação e mistérios. Estou sinceramente apaixonado pela trama e aposto num grande sucesso!

 

Jéfferson Balbino: Saiu na internet uma noticia falando que a produção de “Máscaras” está atrasada, procede à informação? Quando a novela estreará?

 

Renato Modesto: Essa informação é totalmente falsa. A produção está indo muitíssimo bem, o elenco está praticamente fechado e já estamos bastante adiantados nos capítulos de frente. Estamos na verdade adiantados e temos tudo para estrear no primeiro semestre do ano que vem com tranqüilidade. 

 



Escrito por jéfferson às 15h39
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Entrevista Especial com RENATO MODESTO

 

 

(Renato Modesto e Lauro César Muniz)

 

 

Jéfferson Balbino: Como está sendo sua parceria com o nosso querido e competente Lauro César Muniz? Como é a divisão do trabalho de vocês?

 

Renato Modesto: Tenho não só uma grande amizade, mas uma imensa admiração por Lauro César Muniz. Ele é um autor apaixonado pelo que faz, detalhista, exigente, inquieto, sempre em busca de arrancar o melhor de si mesmo e de seus companheiros de trabalho. Ele tem um vasto conhecimento de dramaturgia, mas quando escreve busca ser mais intuitivo do que cerebral. Ele aposta na emoção e detesta se submeter a regras ou “trabalhar no piloto automático”. É um novelista que dá a alma para conseguir o resultado mais emocionante e contundente para o público, um grande exemplo para mim, um verdadeiro mestre. Nesta novela, terei a alegria de ajudar o Lauro não só com os diálogos, mas também com as escaletas – resumos de estruturação e desenvolvimento das várias tramas que compõem uma novela. A história é muito empolgante e original, com tom e ritmo que fogem ao padrão das novelas atualmente no ar. Estamos entusiasmados com o material já escrito e aposto que o público também vai vibrar.

 

Jéfferson Balbino: Você é um escritor intuitivo ou pára pra pensar, pesquisar e traçar os rumos de sua história?

 

Renato Modesto: Procuro equilibrar racionalidade e intuição. Na hora de estruturar tramas, é preciso raciocínio lógico para que a história mantenha coerência, verossimilhança. Também é preciso comparar opções de caminhos, pesar prós e contras e analisar o que rende mais ou menos. Depois, na hora de colocar no papel esse “mapa dramático”, transformando-o em diálogo e ação, a intuição e a emoção devem assumir o controle. Se um autor não se entrega e não se emociona, o produto final não vai comover o público. Para tocar o coração das pessoas, é preciso escrever com o coração.

 

Jéfferson Balbino: Antes de finalizar: Qual foi a melhor novela que você já assistiu?

Renato Modesto: Algumas novelas são inesquecíveis! Posso citar, entre outras: “Roque Santeiro”, de Dias Gomes; “Que Rei Sou Eu?”, de Cassiano Gabus Mendes; “Dancin’ Days”, de Gilberto Braga; “O Salvador da Pátria”, de Lauro César Muniz; “Guerra dos Sexos”, de Silvio de Abreu...

 

Jéfferson Balbino: Renato, muito obrigado por conceder essa Entrevista ao “No Mundo dos Famosos” foi uma honra pra mim entrevistar um talentoso artista como você. Parabéns pela brilhante carreira que você construiu ao longo desses anos. E muito sucesso pra você e o Lauro na nova novela da Record. Um grande abraço!

Renato Modesto: Eu é que agradeço, Jéfferson, e desejo muito sucesso para você e o site. Grande abraço!


 

 

 



Escrito por jéfferson às 15h33
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FELIZ 2012



Escrito por jéfferson às 15h31
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Próxima Entrevistada: FAFY SIQUEIRA

Dia

08 de Janeiro

 


Trago a vocês a minha primeira entrevistada de 2012, a especialissima atriz FAFY SIQUEIRA,

a protagonista da minissérie "Dercy de Verdade".

Não perca!



Escrito por jéfferson às 18h30
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ENTREVISTA ESPECIAL - NO MUNDO DOS FAMOSOS

 

OUTRAS ENTREVISTAS

 

1 - NILSON XAVIER (escritor)

2 - MARGARETH BOURY (autora de novelas)

3 - REYNALDO BOURY (diretor de TV)

4 - BABI XAVIER (atriz/apresentadora)

5 - NÉLIO JÚNIOR (jornalista/repórter de TV)

6 - MARCÍLIO MORAES (autor de novelas)

7 - RICARDO LINHARES (autor de novelas)

8 - ANA MARIA MORETZSOHN (autora de novelas)

9 - DUCA RACHID (autora de novelas)

10 - ADA CHASELIOV (atriz)

11 - MAYRA DIAS GOMES (escritora)

12 - THELMA GUEDES (autora de novelas)

13 – ANDRÉ REBELLO (ator)

14 – KADU MOLITERNO (ator)

15 - MAURICIO MACHADO (ator)

16 - LAURO CÉSAR MUNIZ (autor de novelas)

17 - STELLA FREITAS (atriz)

18 - ALCIDES NOGUEIRA (autor de novelas)

19 - EDWIN LUISI (ator)

20 - MAURO ALENCAR (Doutor em Teledramaturgia/escritor)

21 - SOLANGE CASTRO NEVES (autora de novelas)

22 - WALTHER NEGRÃO (autor de novelas)

23 - BÁRBARA BRUNO (atriz)

24 - RENATA DIAS GOMES (autora de novelas)

25 - MATEUS CARRIERI (ator)

26 - LETÍCIA DORNELLES (autora de novelas)

27 - TAMARA TAXMAN (atriz)

28 - AIMAR LABAKI (dramaturgo/autor de novelas)

29 - LUCÉLIA SANTOS (atriz)

30 - FÁBIO FABRÍCIO FABRETTI (escritor)

31 - EDUARDO NASSIFE (escritor)

32 - ROSANE GOFMAN (atriz)

33 - CRISTIANNE FRIDMANN (autora de novelas)

34 - RODRIGO PHAVANELLO (ator)

35 - YOYA WURSCH (autora de novelas/roteirista)

36 - INGRA LIBERATO (atriz)

37 - JOÃO CAMARGO (ator)

38 - GILBERTO BRAGA (autor de novelas)

39 - DÉO GARCEZ (ator)

40 - PATRÍCIA MORETZSOHN (autora de novelas)

41 - BETH GOULART (atriz)

42 - MANOEL CARLOS (autor de novelas)

43 - VANESSA GOULARTT (atriz)

44 - DENISE EMMER (escritora)

45 - MARIA ADELAIDE AMARAL (autora de novelas)

46 - WALCYR CARRASCO (autor de novelas)

47 - LEONA CAVALLI (atriz)

48 - AZIZ BAJUR (dramaturgo)

49 - FÁTIMA FREIRE (atriz)

50 - VIVIAN DE OLIVEIRA (autora de novelas)

51 - JÉFFERSON BALBINO (blogueiro)

52 - SILVIO DE ABREU (autor de novelas)

53 - PEDRO NESCHLING (ator)

54 - JORGE BRASIL (jornalista)

55 - NORMA BLUM (atriz)

56 - DENISE DEL VECCHIO (atriz)

57 - RODRIGO ANDRADE (ator)

58 - LUCINHA LINS (atriz)

59 - CLAUDIO LINS (ator)

60 - NARJARA TURETTA (atriz)

61 - CLAUDINO MAYER (escritor/pesquisador em teledramaturgia)

62 - ANDRÉ FRATESCHI (ator)

63 - TUNA DWEK (atriz/escritora)

64 - TÂNIA BONDEZAN (atriz) 

 65 - GERALDO CARNEIRO (autor de novelas)

66 - ROSAMARIA MURTINHO (atriz)

67 - VINCENT VILLARI (autor de novelas)

68 - TÁSSIA CAMARGO (atriz)

69 - YVES DUMONT (autor de novelas)

70 - ANDRÉ DI MAURO (ator)

71 - HERSCH W. BASBAUM (escritor e dramaturgo)

72 - ELIANA GUTTMAN (atriz)

73 - RENATO MODESTO (ator, escritor, dramaturgo e novelista)

 

HISTÓRIAS DE NOVELISTAS

 

LAURO CÉSAR MUNIZ

 

SESSÃO ESPECIAL

 

Aniversário da autora MARIA ADELAIDE AMARAL

Jéfferson Balbino conversa com o ator LIMA DUARTE

Jéfferson Balbino conversa com a atriz REGINA DUARTE

CHIQUINHA GONZAGA

 



Escrito por jéfferson às 18h24
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Em Breve: Entrevista Especial com CACÁ DIEGUES

EM JANEIRO

 

 

Não perca uma Entrevista Especial com o grande cineasta CACÁ DIEGUES.

Aguarde!



Escrito por jéfferson às 18h10
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