Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 

 

Prosseguindo com a série de “Entrevistas mais que Especiais: Essenciais” em comemoração aos 6 anos do site “No Mundo dos Famosos”, série essa iniciada semana passada com a minha entrevista com a maravilhosa atriz Ana Rosa que contou com a participação especial do nosso querido novelista Manoel Carlos; Trago hoje pra vocês mais uma belíssima entrevista. Ele é um dos maiores mitos de todos os tempos da teledramaturgia brasileira, uma lenda viva que mostrou ao mundo que a novela brasileira é a melhor, dono de várias obras-primas como as novelas: “Os Imigrantes”, “Pantanal”, “Renascer”, “O Rei do Gado” e “Terra Nostra”, ele já escreveu mais de 150 mil laudas de capítulos de novelas, e em breve retornará ao ar com mais um remake de uma história sua de enorme sucesso no passado: “Meu Pedacinho de Chão”. Eu sempre tive muita vontade de entrevistar ele que é, sobretudo um grande homem e um exímio novelista. Mas quem irá apresenta-lo a vocês é o nosso querido ‘sócio’ do “No Mundo dos Famosos” e também excelente dramaturgo e novelista: LAURO CÉSAR MUNIZ, que por sinal é grande amigo do meu ilustríssimo entrevistado.

 



Escrito por jéfferson às 17h25
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 

“NO MUNDO DOS FAMOSOS completa aniversário! Parabéns por seis anos de informação e divulgação do que há de melhor na TV brasileira! Melhor?! Nada mais festivo sobre o bolo e as velinhas do que uma entrevista com meu amigo querido Benedito Rui Barbosa.

 

Houve um momento de espanto e tristeza quando me disseram que o Ruy estava doente. Isso já faz uns anos e depois fiquei sem notícias detalhadas dele. Um dia, estou sentado em um banco de pau no SESC Pompéia, aguardando um encontro teatral para homenagear o Augusto Boal quando, para minha alegria e surpresa surgiu, caminhando devagar, com sua filha um velho e grande amigo: será o Benedito?! Era... Era o Benedito! Sorrindo, inteiro! Se aproximou de mim, levantei, nossos olhos cheios de água e brilho.

 

                                 LAURO  - Ruy...

                                 BENEDITO - Lauro...

                                 LAURO  -  Por que eu gosto tanto de você?!

                                 BENEDITO - Porque eu também gosto de você...

 

Nos colamos em um abraço melodramático! Segurei as lágrimas... O Ruy, firme, só chora quando fala de suas histórias... Logo depois chegou o Chico de Assis! Não acredito! O Boal nos reuniu depois de tantos anos!!! Três dramaturgos da velha guarda, filhotes do Boal. O Chico, o maior divulgador das teorias do Boal, um grande ator que fugiu dos palcos, dramaturgo de primeira, pioneiro do grupo do Teatro de Arena! Eu era o mais velho, claro! Como sempre onde eu vou,  sou o mais velho... Mas... quando revelamos nossos números, eu era o mais novo dos três! Isso não acontecia há muito tempo. Mas eles, brilhantes, se revelaram no palco do Sesc Pompeia mais jovens e muito mais vibrantes que eu... A tarde rolou por muitos e muitos anos de vivências e talentos! O Ruy contou suas histórias, o Chico deixou vazar todo seu humor e eu, ao final, emocionado demais, disse à platéia:

 

                                                         - Quero que vocês saibam que além de grande escritor o cara que escreveu o Pantanal é um exemplo de caráter e de firmeza. Então, contei uma história que prova que ainda existe gente que presta no mundo...

 

Transcrevo aqui essa história de solidariedade, companheirismo e firmeza de caráter:  (trecho do livro "A seguir cenas dos próximos capítulos", entrevista de André Bernardo e Cintia Lopes.)

 

André:– Na época de “Os Gigantes”, você teria recusado fazer merchandising” na novela. Por quê?

 

Lauro: – Durante “Os Gigantes”, eu fui muito rebelde (...) Quando a novela chegou ao fim, resolvi escrever um desfecho completamente amoral. Escrevi, mas eles não gostaram. Por causa disso, dei uma entrevista muito violenta contra a interferência da alta cúpula da Globo na minha novela. O Boni até tentou me salvar. Ele ligou para mim e disse: Lauro, não dê nenhuma declaração, por favor. Mas já era tarde. Eu já havia dado várias declarações! Então, fui dispensado. Meu contrato, por coincidência, terminava perto do fim da novela e eles me dispensaram por telefone. Eu fui dispensado e um colega moralizou o final que eu havia dado para “”Os Gigantes”.

 

Cintia: O Benedito Ruy Barbosa chegou a ser convocado às pressas para concluir Os Gigantes, não é mesmo?

 

Lauro: É, sim. O Benedito foi chamado para reescrever o final de “Os Gigantes. “O Lauro está de acordo?, quis logo saber. Não. Ele está desligado da emissora, responderam. Então, não escrevo, decidiu. Ou escreve ou você pode ser demitido, ameaçaram. Pois não escrevo e vou pedir a minha demissão agorinha mesmo. Sem autorização do Lauro, eu não faço nada, respondeu, antes de entregar a carta de demissão na emissora. E eu sem saber de nada. Nessa época, a gente se encontrou na Bandeirantes, fiquei surpreso dele estar lá negociando para fazer “Os Imigrantes. Mas ele nunca me contou nada. “Benedito, você por aqui? O que aconteceu?, perguntei. Ah, resolvi sair da Globo, respondeu, dando de ombros. E eu não sabia o motivo. E ele nunca me contou nada. Eu só vim a saber disso quase 20 anos depois, numa reunião de autores lá em Angra dos Reis. Um dia madruguei, fui tomar o café lá estava o Benedito... Então, me contou. Fiquei admirado! É preciso ser muito homem para fazer uma coisa dessas. O Benedito é...

 

Pausa, muita emoção. Um tempo e a platéia se descolou maravilhada das poltronas e, aos gritos, aplaudiu o Benedito... Durante muito tempo. Eu olhava para o Benedito que estava imóvel, um sorriso comovido... Palmas! Palmas para um homem de verdade!”

 

(Lauro César Muniz)

 



Escrito por jéfferson às 17h23
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA



Escrito por jéfferson às 17h22
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 


“Só de novelas eu escrevi 150 mil laudas, então Jéfferson, isso é uma coisa que me causa, aos 82 anos de idade, a sensação de que eu vivi bem a minha vida, e estou aqui a espera de que Deus me chame (risos).”

(Benedito Ruy Barbosa)

 



Escrito por jéfferson às 17h21
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 

Jéfferson Balbino: O que motivou um jornalista e publicitário a se tornar dramaturgo e posteriormente escritor de novelas?

Benedito Ruy Barbosa: Jéfferson, eu não sou só jornalista e publicitário, ao contrário, eu fiz tudo na vida. Eu já colhi café, eu já bati feijão, já cortei arroz, já fiz de tudo na roça até porque a minha origem é interiorana. Então esse negócio de jornalista, por exemplo, eu sou filho e neto de jornalista e eu aprendi a ler e a escrever com o polidor na mão na tipografia do meu pai que fazia “A Voz de Vera Cruz”, que era o primeiro e único jornal da cidade do mesmo nome: Vera Cruz. E eu avô parece que fundou 6 ou 7 jornais por esse Brasil a fora, então eu sou fruto do jornalismo, mas meu pai morreu com 29 anos, e eu tinha apenas 12 anos quando ele morreu, e com 14 anos eu já gerenciava a minha casa, eu era o filho mais velho de 5 irmãos, e graças a Deus eu formei a todos eles, e fiquei nessa vida de pra baixo e pra cima onde fiz de tudo. Agora no final eu fiz justamente uma coisa que eu tinha dito ao meu pai que jamais faria que era trabalhar em jornal (risos) e acabei trabalhando em jornal. Eu comecei a minha carreira de jornalista, depois de trabalhar muito com café, aprendi a lidar com café, e até hoje sei lidar com café... Mas eu comecei a minha carreira de jornalista no jornal “O Estado de São Paulo”, como revisor, fui revisor durante alguns meses e após isso fui trabalhar no jornal “A Última Hora” que o Samuel Vainer tinha fundado e que tinha acabado de criar em São Paulo o jornal “A Última Hora” que só tinha no Rio de Janeiro, lá foi à primeira vez que eu transformei de um revisor num jornalista, foi o começo da minha carreira.

 



Escrito por jéfferson às 17h19
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 

Jéfferson Balbino: Como surgiu a oportunidade pra você escrever sua primeira novela que foi “Somos Todos Irmãos” (TV Tupi/1966)?

Benedito Ruy Barbosa: (risos) Isso Jéfferson, foi um acidente muito grande... “Somos Todos Irmãos” é uma dessas coisas que não acontecem todos os dias quando eu escrevi essa novela ela estava na mão de um outro autor, pelo qual eu tenho grande amizade, embora ele já esteja morto, e eu tive que assumir essa novela na raça, porque os judeus da época tinham feito um movimento pra tirar a novela do ar porque na verdade ela se chamava “A Vingança dos Judeus”, que era inspirada num livro do Conde de Rochester de mil setecentos e pouco, alguma coisa assim... Mas eu mudei toda a história e transformei essa história em “Somos Todos Irmãos”, que era um título ecumênico, e em função disso (risos) grandes judeus passaram a me ajudar muito, me ajudaram muito e a novela foi um grande sucesso da época, ou seja, eu sei querer já comecei com uma novela que bateu todos os recordes de audiência, todos os índices...

Jéfferson Balbino: Sua segunda novela foi “O Anjo e o Vagabundo” (TV Tupi/1966) que obteve um grande sucesso, foi a partir daí que você viu que a profissão de novelista era uma coisa pra vida inteira?

Benedito Ruy Barbosa: Enquanto eu fiz novela, eu também sempre escrevia outras coisas, porque eu gosto de escrever, e eu gosto de escrever sempre baseado nas minhas experiências de vida, não tem novela minha que seja baseada em filme, nunca precisei ver filme ou ler livros pra escrever uma sinopse, não tem essa história comigo, eu vou atrás daquilo que eu vivi, e vou atrás também do que eu pesquisei, pra escrever, por exemplo, essa novela que foi um sucesso mundial que foi “O Rei do Gado” eu rodei 3 mil quilômetros na Bahia, e aprendi. Em “Renascer” eu fiquei dois meses e meio na Bahia aprendendo até o jeito de falar do baiano, conheço por dentro e por fora cada uma daquelas roças de cacau a forma como se lida com o cacau e por isso eu pude escrever uma verdade e eu acho importante isso, então eu jamais, na minha vida, usei filme ou cenas de filme pra fazer uma novela minha que é uma coisa que se vê muito no ar, então nessa época eu também trabalhei na J. Valter Thompson, que era a maior agencia de publicidade da época, trabalhei lá como redator e me ajudou muito eu aprendi a sintetizar as minhas ideias, a publicidade ensina isso né? Você diminuir o que você tem a dizer é o contrário do que outras coisas se ensinam, e tudo isso me ajudou muito.

 

 



Escrito por jéfferson às 17h17
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

Jéfferson Balbino: Embora você tenha estreado como autor titular também chegou a exercer o cargo de colaborador nas novelas: “O Morro dos Ventos Uivantes” (TV Excelsior/1967), “Meu Filho, Minha Vida” (TV Tupi/1967) e “O Tempo e o Vento” (TV Excelsior/1967). Como foi a experiência em trabalhar com os renomados novelistas Lauro César Muniz, Walter George Durst e Teixeira Filho?

Benedito Ruy Barbosa: Olha eu vou te dizer... O Lauro César Muniz eu gosto muito dele, é um grande amigo meu, e eu tive o prazer de trazê-lo de volta pra televisão, e ele fez comigo um belíssimo trabalho na TV Excelsior, falecida já, e ele é uma dessas pessoas que eu prezo muito. O Teixeira Filho eu trouxe do Rio de Janeiro pra trabalhar na TV Cultura quando eu era diretor lá, tinha um cargo mais ou menos de nome, mas com ele eu nunca consegui fazer nada a não ser quando eu tentei transformá-lo em um autor de novela fazendo comigo a novela “Meu Pedacinho de Chão”, mas os próprios atores não quiseram gravar os únicos cinco capítulos que ele havia escrito, porque não batia com o que eu havia escrito, eu havia escrito dez capítulos e ele foi atrás, porque era esse o nosso trato, e depois ele mesmo falou que não queria fazer mais, na verdade ele não fez nada na novela, eu fiz tudo sozinho numa hora imprópria porque eu penei muito por causa disso, mas era uma pessoa maravilhosa ele a filha, que também trabalhou com a gente, o filho dele era maravilhoso também, e eu não me arrependo nada disso, apenas me arrependo de ter assinado a novela com o nome dele no começo, sem ele nunca ter feito nada né?! Mas de qualquer forma era uma belíssima pessoa.

Jéfferson Balbino: E o que o senhor nos conta do Walter George Durst?

Benedito Ruy Barbosa: O Durst também foi um grande amigo, e ele que tinha escrito a primeira parte da novela “Somos Todos Irmãos” que foi a novela que não foi aprovada pela TV Tupi, e eu pra não perder até o meu emprego lá (risos) eu tive que assumir e escrevi a novela inteira, os capítulos que ele havia escrito, infelizmente já se foi... Mas eram capítulos muito bonitos, porém, ele levou muito a sério o livro “A Vingança dos Judeus” e isso não casava muito com o que o pessoal pensava a respeito, então eu tive que escrever ela inteira, aliás, eu devo a ele ter começado a escrever novela, já que foi essa a primeira novela que eu escrevi.

Jéfferson Balbino: Em sua opinião, porque a novela desperta a atenção do público para os problemas sociais?

Benedito Ruy Barbosa: Olha Jéfferson, a novela tem um condão de pegar a pessoa indefesa, através da emoção que a novela passa, a gente tem a chance de passar informações importantes, como por exemplo, de o povo votar um pouco melhor, e a levar a vida de outra forma, eu tenho poucas coisas a reclamar de novela, a única coisa que eu reclamo é que quando eu fiz “Pantanal”, onde a Imprensa, quase toda, considerou ser a minha obra-prima, essa novela que foi levada pela TV Manchete, foi à única que bateu a Globo, de uma forma terrível até, e essa novela me foi roubada por um famoso apresentador, essa novela foi comprada a troco de ninharia de dinheiro, comprada do acervo que era da TV Manchete, e essa outra televisão levou ao ar e durante quase um ano essa novela foi disparada a melhor audiência da programação e da própria emissora e eu até hoje não recebi meus direitos autorais, e outra coisa, isso está na mão da Justiça, a mesma Justiça que falou pra mim entrar porque eu teria todo o direito de receber está até hoje fazendo jogo eu não sei de quem, mas eu vou morreu porque eu já estou com 82 anos, e essa pessoa de quem eu falo está com 82 anos também, mas tem muito dinheiro, e a Justiça eu não sei o que está fazendo que até hoje não resolveu. Isso me leva a considerar verdadeira algumas palavras que eu ouvi do outro lado, mas nem vou falar...

Jéfferson Balbino: O interessante dessa reprise da novela “Pantanal” pelo SBT é que mesmo sendo exibida depois de 18 anos de sua exibição original ainda assim conseguir bater, por diversos momentos, a liderança de audiência da TV Globo...

Benedito Ruy Barbosa: Roubada, mas roubada porque meus direitos não foram pagos. Até hoje não me foram pagos, e essa pessoa que é tão rica acha que todo dinheiro dele é bem vindo e não sabe o mal que esse dinheiro já fez pra esse povo todo.

 



Escrito por jéfferson às 17h17
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 

Jéfferson Balbino: O Benedito, mas se o senhor tivesse recebido o dinheiro pelos seus direitos autorais, o senhor ficaria feliz com essa reprise de “Pantanal” pelo SBT? Visto que com a nova reprise a novela conquistou uma nova geração de fãs?

Benedito Ruy Barbosa: Não, e eu também não ia deixar, porque eu tenho um contrato com a TV Globo e o “Pantanal” já estava vendida pra TV Globo que ia fazer um remake. E esse cara me roubando os direitos de “Pantanal”, e exibindo “Pantanal” ele acabou com esse meu direito junto a Globo. E a Globo não podia pagar por um negócio que uma outra emissora estava colocando no ar. E ele não considera isso, o juiz não considera, ninguém considera... É o Brasil né?

Jéfferson Balbino: E na reprise da novela houve mesmo o corte de 40% das cenas da novela?

Benedito Ruy Barbosa: Houve porque a novela teria que ser guardada a 18º C e foi guardada a 40º C. Então além de passar uma coisa que não era dele, onde usufruiu de um direito que ele não tinha, ele me prejudicou terrivelmente por causa exatamente disso. A minha obra não foi apresentada na íntegra, pelas falhas que a cometeram uma ação muito imprópria de quem a teve.

Jéfferson Balbino: E realmente “Pantanal” é uma obra-prima, e que infelizmente eu não pude acompanhar na exibição original, já que eu nasci naquele ano, e só tive a oportunidade de conhecê-la através dessa polêmica reprise...

Benedito Ruy Barbosa: Jéfferson, eu sinto muito que você não tenha visto “Pantanal” pela TV Manchete. A TV Manchete bancou um sonho meu que deu pra ela um resultado financeiro muito grande, agora essa outra emissora que me levou dessa forma que eu te falei também ganhou dinheiro pacas (risos), só que eu não vi essa grana (risos), nenhuma parte mínima dela.

Jéfferson Balbino: É uma pena mesmo ter ocorrido tudo isso com o senhor... Mas como o senhor mesmo disse estamos no Brasil onde a Justiça, infelizmente, é lenta...

Benedito Ruy Barbosa: Mas a gente está no Brasil. E no Brasil é essa coisa maluca né?!

Jéfferson Balbino: Na TV Tupi, você ainda escreveu as novelas: “O Décimo Mandamento” (1968) e “Simplesmente Maria” (1970) e, em “Jerônimo, o Herói do Sertão” (1972) você ocupou a direção geral. Como você definiria a teledramaturgia da TV Tupi?

Benedito Ruy Barbosa: Jéfferson, você está por dentro da minha vida toda hein? (risos). Olha a TV Tupi pra mim, eu não posso dizer nada contra porque foi lá que eu comecei a minha vida, lá eu fiz “Somos Todos Irmãos”, lá eu fiz “O Anjo e o Vagabundo”, lá eu fiz 4 ou 5 outras novelas, e também na TV do Rio eu fui também diretor de teledramaturgia e lá eu fiz “Jerônimo, o Herói do Sertão” e outras coisas mais. Mas o maior tempo da minha vida eu trabalhei na TV Globo, eu costumo dizer o seguinte: tudo o que Deus me deu, tudo o que eu tenho eu recebi através do meu trabalho na TV Globo, de uma forma geral, eu escrevi 34 novelas, fora as que eu fui supervisor, fora outros programas, fora filmes, fora teatros, fora outras coisas... Só de novelas eu escrevi 150 mil laudas, então Jéfferson, isso é uma coisa que me causa, aos 82 anos de idade, a sensação de que eu vivi bem a minha vida, e estou aqui a espera de que Deus me chame (risos).

Jéfferson Balbino: E além de tudo o senhor contribuiu muito no imaginário do povo brasileiro, sempre foi muito gratificante para os telespectadores se emocionarem com as histórias envolventes de suas novelas...

Benedito Ruy Barbosa: Com a graça de Deus. E eu vou te dizer mais uma coisa: eu sou um autor que quando termina uma novela minha eu não vou para os Estados Unidos, não vou pra Europa, não vou pra lugar nenhum. Eu vou pro Brasil, eu conheço esse Brasil de ponta a ponta. Conheço o Paraná, você me disse que é de Jacarezinho né? Eu conheço toda aquela região de Cascavel, enfim todo o Paraná, eu já trabalhei em Marialva, trabalhei em Maringá, trabalhei em Astorga, eu tive por todos esses cantos.

 



Escrito por jéfferson às 17h15
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 

Jéfferson Balbino: Então até na minha cidade que é Jacarezinho (PR) o senhor já passou? (risos)

Benedito Ruy Barbosa: (risos) Opa...  Já passei sim. E outra coisa e já andei também muito pelo Sul de Minas, andei por Goiás, quando eu falo de novelas minhas no Rio Paraná, é porque eu conheço muito o Rio Paraná, quando eu falo de outros rios todos é porque eu andei por lá, a pouco tempo eu andei muito pelo Rio São Francisco, o Velho Chico, onde eu até propus a Globo pra fazer a novela “Velho Chico”, e agora pensando melhor eu fica assim um pouco inseguro, porque aquela região é tão explorada por gente sem moral que acaba com esse país que eu não sei o que pode acontecer comigo se eu ousar a escrever a verdade sobre aquilo tudo, então por enquanto eu estou esquecendo isso.

Jéfferson Balbino: Mas então a novela “Velho Chico” é um projeto que o senhor ainda pretende levar ao ar?

Benedito Ruy Barbosa: É um projeto que eu ainda estou pensando em levar. Mas eu ainda preciso de gente com coragem pra enfrentar essa raça.

Jéfferson Balbino: O senhor me disse ser tão grato a TV Globo, mas agora há mais outras emissoras de TV produzindo novelas, o setor está em constante expansão. Com isso o senhor aceitaria um eventual convite pra trocar de emissora?

Benedito Ruy Barbosa: Olha Jéfferson, eu com 82 anos não tenho mais idade pra isso (risos). Eu até tenho convite, mas como eu sou o único autor que trabalhou fora da Globo eu fiz sucesso na TV Bandeirantes com “Os Imigrantes”, que foi uma explosão, eu trabalhei na TV Record fazendo “Algemas de Ouro” e “A Última Testemunha”, que foi um grande sucesso, eu até gostaria de fazer de novo “A Última Testemunha”, é impressionante essa novela. Na TV Cultura eu fiz “Meu Pedacinho de Chão” que foi a única novela no mundo que passava quatro vezes por dia e dava audiência nas quatro vezes e tem outras aí que eu não quero nem falar (risos), mas vou te falar uma coisa a única emissora que nunca me deveu nada foi a TV Globo, mas nem vou falar mais nada até porque a TV Globo está fora de discussão.

Jéfferson Balbino: O senhor mencionou agora sobre as duas novelas que o senhor escreveu na Rede Record que foram: “A Última Testemunha” (1968) e “Algemas de Ouro” (1969). Que lembranças o senhor tem desses trabalhos que como o senhor mesmo disse foram muito gratificantes?

Benedito Ruy Barbosa: Toda novela que a gente escreve é sempre uma apoteose, digamos assim. Você fica cerca de um ano escrevendo e eu sempre tenho um carinho muito grande por tudo isso, porque sempre tem uma repercussão muito grande junto com o público e eu sempre digo e repito agora pra você Jéfferson que quem escreve novela tem, antes de mais nada, um compromisso muito grande com um país chamado Brasil. Um país com mais de 30 milhões de analfabetos, a novela pode ajudar a ensinar, uma novela que diz: “Você que sabe, ensine!”, estará ajudando a ensinar. Quando você diz seu voto é só seu, é você que decide o futuro desse país, então se alguém lhe oferece um prêmio qualquer pra você vender o seu voto seja esse prêmio uma porcaria qualquer, tipo uma camisa, faça o seguinte aceite, mas vote em quem você quiser. Aceite pra punir o vagabundo que te ofereceu, mas vote em quem você quiser pra você exercer o seu legitimo direito de cidadão.

 



Escrito por jéfferson às 17h12
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Jéfferson Balbino: Houve alguma dificuldade pra escrever a primeira novela educativa da TV que foi “Meu Pedacinho de Chão” (1971)? O senhor contou com algum educador pra auxiliá-lo?

Benedito Ruy Barbosa: Eu não contei com nenhum apoio da TV Cultura, já que infelizmente a direção da TV Cultura estava pensando em outras coisas e não na TV Cultura, mas eu tive uma ajuda muito grande do Governo de São Paulo, que na época era exercido pelo senhor Lauro Natan, e escrevi com uma ajuda muito grande também do secretário da educação e da cultura do governo federal da época, o Jarbas Passarinho, e de outros porque a novela ela continha em seu esboço uma assessoria muito forte que queria que eu escrevesse bobagem a respeito de coisinha de pouquíssima importância como fascinação e outras coisas a mais, então foi a única novela que realmente eu tive mais próximo do poder, embora nessa época eu tive que enfrentar também uma Censura Federal que era uma lástima, vou te dizer uma coisa eu tive preso em Brasília por causa dessa novela, não havia nenhum motivo pra eles cortarem nenhuma cena, mas havia uma mulher maluca lá que achou melhor cortar, e eu fui lá, eu tive que ir lá, mas na discussão que eu tive com o chefe da própria Censura Federal era um coronel chamado Miller Taller, nunca vou me esquecer o nome dele,  depois deu discutir com ele e achar que eles não podiam cortar a novela porque a própria entidade que ele presidia havia visto a minha novela e gostavam, aí ele me falou uma coisa maluca, e por isso que eu fui preso, ele me falou: [imitando] “Escuta aqui seu Benedito eu já censurei William Shakespeare porque não vou censura Ruy Barbosa, ainda por cima Benedito” (risos) você acredita nisso Jéfferson?

Jéfferson Balbino: Que absurdo... (risos)

Benedito Ruy Barbosa: Aí eu falei: “Não dá pra conversar com o senhor”, daí ele mandou me prender. Foi por isso que eu fiquei preso lá...

Jéfferson Balbino: O que levou você a adaptar o romance “O Feijão e o Sonho” (TV Globo/1976) da obra de Orígenes Lessa?

Benedito Ruy Barbosa: E rapaz, agora você mexeu na minha alma. “O Feijão e o Sonho” que era do Orígenes Lessa, ele tinha sido meu colega na J. Valter Thompson, que era aquela grande agencia de publicidade que eu lhe informei. A Globo comprou dele os direitos do livro “O Feijão e o Sonho”, que era um sucesso de vendagem entre os alunos de escolas, era um livro que as escolas tinham, e eu comecei a escrever “O Feijão e o Sonho” que tinha sido 3 fracassos, já que por 3 vezes tentaram fazer “O Feijão e o Sonho” e não deu certo. E ele [Orígenes Lessa] falou no ar e eu ouvi ele falando na TV do Rio de Janeiro, a TV Cultura, a TV Educativa de lá que ele havia vendido os direitos do livro pra TV Globo e que a TV Globo garantiu a ele que quem iria fazer essa adaptação seria eu, e ele disse ainda que como acreditava muito e mim nem iria ver a novela. E essa novela foi recorde de audiência na época, aí um dia eu fui na casa dele pra jantar com ele que tinha me convidado, éramos muito amigos, ele me escrevia cartas, as vezes ele me ligava falando que ele tinha visto a novela e chorava muito e me dizia que era eu que tinha criado, e eu dizia que era ele e que eu só tinha lido nas entre linhas, aí eu fui jantar com ele e eu descobri que ele era o próprio personagem da novela, porque ele só tinha livro na casa dele, ele que era o poeta da novela (risos), porque ele só tinha livro na casa dele, todo quanto é canto que se olhava tinha livro, ele era o próprio personagem da novela, ele era uma pessoa maravilhosa.

 



Escrito por jéfferson às 17h11
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 

Jéfferson Balbino: Qual foi a maior evolução na produção de novelas no Brasil?

Benedito Ruy Barbosa: A produção! Jéfferson você falou a palavra: a produção. Eu já escrevi novela que foi filmada com câmera de 75 quilos, uma loucura. Já escrevi novela que a gente tinha que tomar cuidado com as coisas que escrevia porque não tinha condição de se realizar, hoje já temos câmeras do tamanho de um botão de uma camisa, você coloca uma câmera no pé de um boi, no meio de uma boiada em ação, dá pra colocar uma câmera no meio de um sino quando ele está bailando no alto de uma Igreja ou de um campanário, então você tem uma posição hoje inigualável, não se pode pensar em fazer qualquer relação com o passado. Eu sou do passado, e hoje eu fico estupefato de ver a facilidade que se tem, sem contar com os recursos que você tem pra criar qualquer situação, hoje se explode um helicóptero no ar, dá pra se cair com um avião ou arrebentar um carro tudo no computador, antigamente a gente não sabia nem o que era computador, o primeiro computador que eu conheci tinha outro nome, hoje computador é brincadeira, antigamente tinha outro nome, meio maluco, que eu nem lembro agora... Era do tamanho de uma sala.

Jéfferson Balbino: O que de fato houve pra você ter que substituir Sylvan Paezzo na adaptação da novela “À Sombra dos Laranjais” (TV Globo/1977)?

Benedito Ruy Barbosa: Eu não fiz nenhum capítulo dele, quando a Globo me deu os capítulos dele, a Globo pediu pra mim fazer a minha novela, e eu comecei a ler os capítulos dele e achei que não tinha nada a ver, pelo menos no meu ponto de vista, com o que eu tinha pela frente, então eu escrevi os capítulos dele e escrevi a novela todinha sozinho, mas mantive o nome dele até por respeito, porque eu gostava muito dele.

Jéfferson Balbino: E ele saiu da autoria da novela porque ele adoeceu ou foi por outro motivo?

Benedito Ruy Barbosa: Eu não me lembro o que aconteceu, ele nunca me disse, ele nunca me ligou, nem nunca me disse um muito obrigado, mas ele assinava a novela da qual ele não tinha escrito uma só linha.

Jéfferson Balbino: Recentemente o Lauro me presenteou com a biografia dele, e eu lendo, uma coisa me chamou muita atenção que foi o episódio que o Boni exigiu que você o substituísse na autoria da novela “Os Gigantes” (TV Globo/1979) e você num total gesto de solidariedade recusou a ordem e pediu demissão. E na biografia o Lauro fala que ficou sabendo deste fato somente em 2002. Porque o senhor omitiu essa história dele?

Benedito Ruy Barbosa: Não foi por nada... O Boni sempre foi um grande amigo meu, meu Deus do céu... A novela “Meu Pedacinho de Chão” só existe por causa dele, a Globo comprou a novela, pagou a produção, me deu uma mão incrível. Mas esse episódio aconteceu porque eu tinha acabado de entregar o último capítulo da novela “Cabocla” (1979), pra você ter uma ideia eu entreguei 65 capítulos à frente do que estava sendo gravado, eu escrevia 3 capítulos por dia, aí quando o Boni pediu pra que eu terminasse “Os Gigantes” eu tinha conversado dias antes com o Lauro César e eu até havia me oferecido pra ajuda-lo, e ele me falou que queria terminar sozinho, foi isso que eu falei pro Boni, que só escreveria se ele me pedisse, daí o Boni falou pra mim: “Você é funcionário da casa, se você não aceita a minha ordem pede demissão.”, então eu pedi demissão, e eu fui trabalhar na TV Bandeirantes onde eu fui escrever “Pé de Vento” e “Os Imigrantes”. Eu escrevi 4 novelas, uma atrás da outra, eu acho que não tenha autor que tenha feito isso.

 



Escrito por jéfferson às 17h09
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

   


    Jéfferson Balbino: A propósito como é a sua relação com os outros novelistas do Brasil?

Benedito Ruy Barbosa: Eu não tenho quase contato com os outros porque primeiro eu moro em São Paulo, moro no meu sitio onde eu adoro, lá eu tenho tudo que eu sempre gostei que é a vida no campo né, e eles moram no Rio de Janeiro, vivem outro tipo de vida, sei lá... Mas eu sempre torço por eles, eu acho que a Globo é a nossa casa, e cada um tem que fazer o melhor de si pra manter a Globo sempre em primeiro lugar pra gente poder ter essa tranquilidade de receber sempre em dia.

Jéfferson Balbino: Qual das duas versões da novela “Cabocla” (TV Globo/1979 e 2004) mais lhe agradou? O senhor tem a preferencia de uma em detrimento de outra ou as duas são como filhas, onde não há distinção de preferencia?

Benedito Ruy Barbosa: Eu gosto muito da segunda versão, até mais do que a primeira, pela atuação da própria “Cabocla”.

Jéfferson Balbino: Ou seja, pela atuação da atriz protagonista?

Benedito Ruy Barbosa: Exatamente!

Jéfferson Balbino: O papel do novelista se restringe apenas em contar boas histórias e conscientizar o público para os problemas sociais ou vai, além disso?

Benedito Ruy Barbosa: Eu sinceramente eu não sei... Eu acho o seguinte na minha vida eu sempre levei muito a sério tudo o que eu fiz, jornalismo, quando eu fui mascate, trabalhei em cartório, fui auxiliar de escrevente, fiz o diabo na vida, mas sempre fiz com amor né?! E novela eu faço com mais amor ainda, porque eu sinto a repercussão no meio do público, as vezes eu estou num restaurante e chega uma pessoa e me fala de uma novela minha, agora mesmo o Canal Viva está passando “Renascer”, e várias pessoas já veio me falar de “Renascer” que é uma loucura, então eu acho que essa função que é através da novela passar conceitos de educação e cultura e de política – principalmente, torna-se um trabalho muito importante que a gente realiza e pelo qual deve se sentir satisfeito, porque afinal na vida da gente qual é o emprego que nos da satisfação plena?

Jéfferson Balbino: Após sua passagem na Band, você retornou a Globo onde escreveu a novela “Paraíso” (TV Globo/1982). Como foi retornar a emissora com esse trabalho?

Benedito Ruy Barbosa: Eu não passei pela Band, a Band me pagou o que devia pela novela “Os Imigrantes”, e depois eu retornei pra Globo onde escrevi “Paraíso”, que posteriormente deu um belo remake. Pra você ter ideia hoje uma novela das seis, a novela das sete e raramente a novela das nove, tem o índice que “Paraíso” deu, “Paraíso” fechou o horário com 37 pontos de ibope, e eu te pergunto Jéfferson: Qual novela que dá isso hoje?!

Jéfferson Balbino: É verdade...

Benedito Ruy Barbosa: Agora é preciso a gente observar que hoje o telespectador que vê novela não é imbecil não, ele esta vendo o que esta acontecendo, ele faz criticas, e existe qualidade e isso nós temos a obrigação de dar, qualidade. Então é isso o que eu penso!

 



Escrito por jéfferson às 17h08
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 

Jéfferson Balbino: Como surgiu a ideia de escrever a novela “Voltei pra Você” (TV Globo/1983)?

Benedito Ruy Barbosa: “Voltei pra Você” foi um achado né? Foi à continuação da novela “Meu Pedacinho de Chão”, então 20 anos depois eu escrevi a continuação dessa novela né? (risos)

Jéfferson Balbino: Você foi supervisor de texto da novela “De Quina Pra Lua” (TV Globo/1985) que marcou a estréia do nosso querido Tide [Alcides Nogueira] como autor titular. Em sua opinião o que faltou na novela pra conseguir o almejado sucesso, visto que a trama tinha um ótimo enredo?

Benedito Ruy Barbosa: Essa novela eu nem falo, nem consta no meu currículo porque eu só fiz uma sinopse e quem escreveu essa novela foi ele e não eu. Mas eu não tenho mérito nenhum.

Jéfferson Balbino: E porque o senhor acha que ela não obteve sucesso? Acha que ele não soube conduzir a história que o senhor criou?

Benedito Ruy Barbosa: Escrever a sinopse é uma coisa, escrever a novela inteira em cima de uma sinopse é outra, a maneira como você enxerga o personagem, a maneira como o personagem fala, o que ele faz na vida é diferente, essa novela eu não vi.

Jéfferson Balbino: Uma das cenas mais marcantes da teledramaturgia brasileira ocorreu na novela “Vida Nova” (TV Globo/1988) que foi a cena de despedida de Manoel Victor (Lauro Corona) que deixava a cidade ao som de um poema de Fernando Pessoa declamado pelo próprio Lauro Corona, que teve que se afastar da trama por problemas de saúde. Como foi escrever essa emblemática cena que foi também a despedida desse saudoso ator, que veio morrer dois meses após o fim dessa sua novela?

Benedito Ruy Barbosa: Eu até chorei. Eu gostava muito do Laurinho e estava preocupado, enfim, eu era muito amigo do Laurinho e sabia da situação dele e como ele queria voltar pra novela de todo jeito eu escrevi uma cena toda ela num jardim e com pouca fala pra ele porque eu queria ver como ele estava, mas infelizmente ele fez mal essa cena por falta de condição, ele não tinha condição física pra fazer, aí o diretor me ligou e falou: “Ruy, essa cena ele não tem condição de fazer.”, aí eu falei que iria escrever essa cena da qual você esta falando, sendo pra ele fazer bem e graças a Deus essa cena ele fez bem, e foi a última cena da vida dele que se acabou ali, eu acho até... Foi uma tristeza!

Jéfferson Balbino: Como você lida com o isolacionismo que sua profissão lhe propicia?

Benedito Ruy Barbosa: Olha Jéfferson, eu sou um homem casado há 54 anos, eu tenho 4 filhos maravilhosos, dois meninos e duas meninas, eu tenho 10 netos, graças a Deus todos normais e bonitos e tenho uma bisneta também que já está pintando no pedaço, então a minha alegria é a minha casa, é a minha gente, é meus amigos, eu sou São Paulino roxo, sou até hoje Conselheiro Vitalício do São Paulo, há 50 anos eu estou no Conselho do São Paulo, recebi essa semana que passou uma comenda lá, já virei sócio remido do São Paulo, não preciso pagar mais, então a minha alegria de vida são meus amigos, é a minha gente, porque não existe mais nada além disso, eu não acredito em mais nada, agora se cada um tem o seu gosto e tudo bem, nem quero discutir né? Mas o meu gosto é esse que eu estou te falando: a minha gente, meus amigos e a minha própria vida, e os livros que eu leio na hora que eu quiser, os filmes que eu vejo o que eu quiser... Eu não tenho dono, a melhor coisa do mundo é não ter dono.

Jéfferson Balbino: Na onde você buscou tanta criatividade pra escrever a novela “Renascer” (TV Globo/1993) que retratava lendas, mitologias e regionalismos de uma maneira admirável e que você com grande maestria soube dosar tornando uma das melhores novelas da TV brasileira?

Benedito Ruy Barbosa: Nas viagens que eu fiz pela Bahia, onde eu percorri mais de 3 mil quilômetros e conheci cada uma daquelas inúmeras roças de cacau.

 



Escrito por jéfferson às 17h03
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 

Jéfferson Balbino: Uma das coisas que eu admiro em sua teledramaturgia é a coragem que você tem por abordar delicados temas sociais, como por exemplo, na novela “O Rei do Gado” (TV Globo/1996) onde você retratou sobre a reforma agrária. Inclusive essa sua novela foi alvo de críticas do senador Ney Suassuna que a classificou como “distorção da realidade”. Qual foi o posicionamento da Globo diante desses fatos? A emissora chegou a adverti-lo em algum aspecto? Houve algum tipo de censura interna?

Benedito Ruy Barbosa: Primeiro: Esse Ney Suassuna eu não conheço, não quero conhecer e ele é um dos piores exemplos que a gente tem nessa bodega de Congresso Nacional, que é uma vergonha nacional. A Globo jamais, em tempo algum, fez qualquer tipo de censura, nunca! Tudo que eu falei sobre politica até hoje, se a Globo não aplaudiu pelo menos não me censurou. Quando eu escrevi sobre os sem-terra o Boni só me falou uma coisa: “Eu confio no seu bom senso.”, e acabou, nunca mais ele me perturbou, então eu não tive problema nenhum em desenvolver essa novela, só que aquilo é uma coisa que me preocupa até hoje, pois quando eu falo assim: “Deus fez o mundo, não distribuiu terras pra ninguém.”, é uma verdade! Quando a própria novela diz: “Só merece a terra aquele que a faz produzir para si e para os seus semelhantes...”, é outra verdade! E isso engloba tudo o que acontece de errado nesse país e que até hoje não se dão um jeito, então quem pensa em Reforma Agrária vai pensar em sem terra, e o que é o sem terra? Hoje é massa de manobra, eu lutei muito contra isso a favor dos sem terra quando eu fiz a novela, eu lutei muito contra o fato desses pobres diabos virarem massa de manobra e, é o que eles fazem na vida.

Jéfferson Balbino: A novela “Terra Nostra” (TV Globo/1999) chegou ao fim prometendo uma continuação que nunca aconteceu. Porque essa ideia foi abortada?

Benedito Ruy Barbosa: Ah isso já aconteceu em função de que eu não queria fazer, mas havia uma procura muito grande do exterior, eu sou o autor mais vendido lá fora, e ninguém fala isso. Mas ninguém vendeu mais novela lá fora do que eu entende? A novela campeã de vendas se chama “Sinhá Moça” (TV Globo/1986). Agora eu não queria fazer “Terra Nostra 2” de jeito nenhum, sofri uma pressão muito grande pra fazer e acabei entrando nessa de fazer “Esperança” que eu também não queria. “Esperança” eu levei até onde eu pude, mas durante “Esperança” eu perdi dois irmãos e minha mãe, e assim mesmo eu continuei escrevendo a novela e depois tive que parar de escrever porque eu não tinha mais condição porque eu estava fumando muito, cerca de 4 maços de cigarro por dia, e depois de fumas 60 anos – o que foi uma imbecilidade minha – eu parei. Então, o que aconteceu, de repente eu fiquei com 7 capítulos só na frente e a Globo, em nome de Mario Lúcio Vaz, Marluce e outros companheiros, achou por bem eu parar de escrever, porque senão eu ia me matar se eu continuasse escrevendo essa novela, então eu parei de escrever a novela e fui cuidar da minha saúde que estava piriricando eu estava quase morrendo e aí deram a novela pro Walcyr Carrasco escrever, e ele acabou com a novela, ele arrebentou a novela, ele não entendia a novela, ele escreveu muita bobagem que eu nem quero falar sobre isso.


Jéfferson Balbino: Já entrevistei alguns atores que me confidenciaram que após a sua saída da autoria da novela “Esperança” (TV Globo/2002) eles ficaram completamente insatisfeitos com os rumos que seus personagens tiveram devido à entrada de Walcyr Carrasco que mudou a sua história. Então as mudanças que ele promoveu não estavam previstas na sua sinopse?

Benedito Ruy Barbosa: Não estavam não! Ele não acompanhou a novela. E eu dei pra ele o final da novela, mas não terminaram de fazer, ele como sempre faz botou até um porco na novela, e eu nunca na vida mexi com porco em novela, é ele que gosta de por porco e galinha em novela e eu não sei porque.

Jéfferson Balbino: Então o senhor quando saiu da autoria de “Esperança” nem acompanhou mais a novela?

Benedito Ruy Barbosa: Nunca mais. Eu comecei a assistir os primeiros capítulos depois que eu saí, mas daí eu vi que era uma loucura total e que não era mais o meu trabalho, então eu não tinha mais nada a ver com aquilo. E eu fiquei no hospital e fui cuidar da minha saúde que eu estava precisando. Essa foi à única novela em toda a minha vida que eu tive um grande desgosto foi essa, que enquanto esteve comigo estava dando uma audiência de 42,43,41,40 pontos... E hoje ninguém mais dá isso.

 



Escrito por jéfferson às 17h01
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

 


Jéfferson Balbino: Suas filhas, as autoras Edmara e Edilene Barbosa fizeram muito bem os remakes das novelas “Sinhá Moça” (TV Globo/2006) e “Paraíso” (TV Globo/2009)? Foi o senhor que as motivou a seguir a carreira de novelista?

Benedito Ruy Barbosa: Eu sou pai né bicho? (risos). Mas eu acho elas duas maravilhosa, muito boas, tanto a Edmara como a Edilene, as duas escrevem muito bem, a Edilene tem uma veia cômica ótima, que ajuda pra caramba, a Edmara já é um pouco mais dramática nas coisas. Mas eu acho que – pelo que eu estou vendo aí – as duas são grandes autoras.

Jéfferson Balbino: Mas foi o senhor que as motivou a seguir a carreira de novelista?

Benedito Ruy Barbosa: Sim é culpa do pai (risos). Elas se alfabetizaram lendo capítulos de novelas minha...

Jéfferson Balbino: Até então a única minissérie que você escreveu foi “Mad Maria” (TV Globo/2005). Tem planos de escrever outra minissérie?

Benedito Ruy Barbosa: Eu tenho já outras escritas, uma sinopse que a Globo que vai decidir. Mas “Mad Maria” eu achei fantástica devido à direção do Ricardo Waddington, e a atuação do elenco foi espetacular.

Jéfferson Balbino: Uma das coisas mais fascinantes na carreira de novelista é essa possibilidade de brincar de ser Deus... Como é a responsabilidade de definir o destino de vários personagens, embora sejam vidas ficcionais?

Benedito Ruy Barbosa: Olha eu nunca brinquei de ser Deus e nem quero ser Ele. Porque se eu fosse Deus eu não saberia o que fazer com os homens de hoje...

Jéfferson Balbino: Realmente, até mesmo porque ele é misericordioso né? Mas eu me refiro assim ‘brincar de ser Deus’ pela responsabilidade que o autor tem em decidir o destino dos personagens...

Benedito Ruy Barbosa: Não, a novela está nas mãos da gente, e a gente faz o que é necessário, agora eu sempre me gabo pelo seguinte: eu nunca mudei novela minha. Eu nunca mudei final de novela minha, todas as novelas que eu escrevi eu já contava para o elenco o último capítulo antes dela começar. Pergunta isso pro Antônio Fagundes. Quando eu escalei ele pra fazer “O Rei do Gado” eu contei pra ele o último capítulo e choramos nós dois juntos na mesa do bar, e ele me falou: “Já fiz, sou eu o Mezenga, acabou!”, e ele fez maravilhosamente e também foi assim em “Renascer”.

Jéfferson Balbino: Então a audiência e consequentemente o público não interferem na sua história?

Benedito Ruy Barbosa: Minha não sabe porque? Quando a gente escreve uma boa história, a audiência é consequência. E quando você escreve uma má história atrás do que os amiguinhos acham você corre o risco de acontecer o que está acontecendo hoje em dia nas novelas aí, hoje a TV aberta está cada vez pior, não sei se é por culpa da própria TV aberta ou dos canais pagos, mas também acho que é muito por culpa de quem escreve pra televisão e quem escreve novelas.

Jéfferson Balbino: O que o senhor acredita ser sua maior contribuição ao longo desses 60 anos de teledramaturgia brasileira?

Benedito Ruy Barbosa: Eu estar vivo é a minha maior contribuição na história da teledramaturgia brasileira (risos).

Jéfferson Balbino: Vivo e povoando nosso imaginário né?

Benedito Ruy Barbosa: (risos) Pelo menos pra você... (risos)

Jéfferson Balbino: Quando teremos o privilégio de assistir outra novela sua? Já foi aprovado pela Globo o remake de “Meu Pedacinho de Chão” né?

Benedito Ruy Barbosa: Já tenho novela pronta, já escrevi 70 capítulos...

Jéfferson Balbino: E já tem previsão de quando irá estrear?

Benedito Ruy Barbosa: Isso a Globo que vai decidir.

 



Escrito por jéfferson às 16h59
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Entrevista Especial com BENEDITO RUY BARBOSA

 

Jéfferson Balbino: E o que o senhor nos pode adiantar?

Benedito Ruy Barbosa: É um remake da novela “Meu Pedacinho de Chão” que eu estou fazendo totalmente ao contrário do que fiz porque dessa vez eu não tenho a maldita Censura Federal nas minhas costas. Vai ser uma outra história...

Jéfferson Balbino: Sempre encerro minhas entrevistas perguntando aos meus entrevistados, quais foram às melhores novelas que eles assistiram, e “Pantanal” é uma das mais citadas. Por isso gostaria de saber de você, quais foram as melhores novelas que assistiu?

Benedito Ruy Barbosa: Olha eu vou te falar que antigamente eu assistia sempre quase todas as novelas, quando eu tinha grandes amigos que estavam escrevendo eu via até porque eu me importava com as novelas que eles estavam fazendo, hoje em dia eu já mudei e não consigo mais assistir, é até chato falar isso, mas não assisto, deve ser porque eu já estou meio cansado de novela, já me cansei!

Jéfferson Balbino: Mas entre as que o senhor assistiu quais foram as melhores que o senhor pode citar pra gente?

Benedito Ruy Barbosa: Ah pra mim não tem a melhor novela. Cada uma teve as suas virtudes, todos autores tem... Mas eu acho que hoje temos que voltar a escrever grandes novelas como antigamente porque senão o público está perdido.

Jéffeson Balbino: E entre as que o senhor escreveu qual foi à novela que mais lhe agradou? Qual foi a sua novela que mais lhe satisfez como autor?

Benedito Ruy Barbosa: Olha Jéfferson, segundo o que a própria critica tem falado eu sou um autor de muitas obras-primas, mas o que eu chamo de obra-prima são: “Pantanal”, “Renascer”, “O Rei do Gado”e “Terra Nostra”... Mas não dá pra mim te falar só uma porque são todas minhas filhas, eu amo todas que escrevi.

Jéfferson Balbino: Benedito, nem tenho palavras suficientes pra agradecê-lo por nos conceder essa entrevista. Se a Teledramaturgia Brasileira chegou aos 60 anos de muito sucesso, levando o Brasil para o mundo, é graças ao talento de vocês novelistas, que não apenas povoam nosso imaginário, mas também nos ensina lições substancias pra nós evoluirmos como cidadãos e como seres humanos. Por isso agradeço a você por tudo que tem feito em prol da nossa teledramaturgia. Muito Obrigado! Parabéns pela brilhante carreira e muito mais sucesso. Um grande abraço!

Benedito Ruy Barbosa: Obrigado Jéfferson. E espero que você tenha gostado! Um abraço!

 



Escrito por jéfferson às 16h57
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Semana que Vem... Meu entrevistado é o BONI



Escrito por jéfferson às 16h55
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SANGUE BOM: Confira as fotos da Festa de Lançamento da nova novela das sete

 



Escrito por jéfferson às 16h32
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