Entrevista Especial com ARY FONTOURA

Hoje estreia a nova novela das nove da Globo: “Amor à Vida” e pra entrar no clima da novela do Walcyr Carrasco trago a vocês uma entrevista especial com um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira e que fará parte do elenco da trama. Dando continuidade a série “Entrevistas mais que Especiais: Essenciais” em comemoração aos 6 anos do site “No Mundo dos Famosos” eu convidei um querido amigo que é o maior especialista em novelas do mundo, e falo isso sem demagogia e sem medo de errar, afinal ele é Doutor em Teledramaturgia Brasileira e Latino-Americana pela USP e Consultor e Pesquisador de Teledramaturgia da TV Globo, ou seja, mais que apto pra apresentar com exatidão e com muita propriedade no assunto o nosso ilustríssimo entrevistado. Mauro Alencar é com você...

“Ao comemorar seis anos de existência e brindar-nos com uma série de históricas entrevistas no site “No Mundo dos Famosos”, sou convidado por seu criador, Jéfferson Balbino, a transmitir um pouco de minha longeva admiração por ARY FONTOURA, ator fundamental para a construção e modernização da telenovela brasileira. Certamente, se temos uma relação tão íntima com  as personagens que povoam diariamente o nosso inconsciente, muito disso devemos ao talento criativo de Ary Fontoura. Do costureiro Rodolfo Augusto, de “Assim na Terra como no Céu”, pouca lembrança tenho. Mas a partir do Profeta, guru das praias cariocas, em “O Cafona”, de Bráulio Pedroso, em 1971, passei a acompanhar a maneira meticulosa com a qual o ator constrói suas criaturas que, normalmente, primam pelo diferencial. Fogem, dessa maneira, da média encontrada no cotidiano e é exatamente aí que reside a empatia e necessária presença do ator que há mais de cinco décadas povoa e abrilhanta as novelas as quais integra. Em seu livro O Ator (Nova Fronteira, 1984), o mestre Artur da Távola comenta que Ary Fontoura pertence a uma categoria de atores que "carregam o peso da comédia ou da tragédia que circundam a vida. Representam tipos bizarros e solitários, patéticos, cômicos ou dolorosos, expressões de enfermidades psicológicas, temperamentais ou morais, pequenas ou grandes anormalidades... os diferentes". Desvelando fundamental aspecto  do universo da comunicação, o ator fez sua fama exatamente ao erigir com perfeição tipos de complexa construção. Como esquecer do autoritário síndico Apolinário, o navegante aposentado e suas fantasias sexuais com a esposa Zulmira (Eloísa Mafalda) de “Bandeira 2”, em pleno início da década de 1970?  Algum tempo depois, apresentou-nos, com forte carga dramática, as taras sexuais do professor Baltazar, de “O Espigão”. Sua presença também sedimentou o realismo fantástico no Brasil, por meio de  “Saramandaia”, ao viver outro professor (mas também um lobisomem!), o  Aristóbulo, em mais uma excepcional novela de Dias Gomes. Até mesmo em tipos menos encobertos por aspectos patológicos da condição humana, o ator deixa-nos entrever a fagulha de enfermidade escondida em todos nós, caso do prefeito Florindo Abelha (“Roque Santeiro”), do general Perácio (“Araponga”) - em primorosas parcerias com Eloísa Mafalda -, do coronel Artur da Tapitanga (“Tieta”), do político  Pitágoras Mackenzie de “A Indomada”, todos revelando o lado patético do poder, e do ardiloso Silveirinha (“A Favorita”).     Aos diferentes, juntaram-se criaturas mais suaves, mas nem por isso como menos amargor: caso de Afrânio (“Uma Rosa com Amor”) e Ubirajara (“Dancin'Days”), apaixonados pelas protagonistas interpretadas, respectivamente,  por Marília Pêra e Sônia Braga. O primeiro, Afrânio, sempre comicamente às turras com a fofoqueira Dona Pepa (Henriqueta Brieba). É provável que o auge, o arquétipo maior desses escaninhos humanos esteja concentrado em “O Avarento”,  criado por Molière e recriado por Ivani Ribeiro na telenovela “Amor com Amor Se  Paga”. Somente a empregada Frosina (Berta Loran), um tanto quanto distante do centro social, para dobrar, com afeto, as mesquinharias de Nonô Correia. Entretanto, em toda a sua galeria de tipos da escala (sombria) humana por ora comentada, há um espaço para a crítica (ácida, diga-se de passagem) e o humor. E também para certa ternura, caso de Romeu, um dos protagonistas de “Hipertensão”. Seu estilo interpretativo também marcou presença nas duas versões de “Gabriela”. Na primeira, em 1975, na oposição ao poder, como o intelectual Doutor Pelópidas; na segunda, em 2012, na pele do coronel Coriolano Ribeiro. Ao iluminar com seu talento essa rica e nebulosa camada  da existência humana, as personagens do ator Ary Fontoura contribuem de maneira decisiva para compreendermos um pouco melhor a nossa complexa  existência. Não por um acaso, sintetizadas no riso dolorido de sua inesquecível atuação como o palhaço Estopim de “À Sombra dos Laranjais”, poética novela inspirada em texto teatral de Viriato Corrêa.”

 

(Mauro Alencar) 

 

 



Escrito por jéfferson às 17h39
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Entrevista Especial com ARY FONTOURA

 

 

“O texto sabido na ponta da língua nem sempre é o resultado principal de uma boa cena, é bom ter o texto na ponta da língua, mas nem sempre da resultado, até porque depende também da forma que você faz, da forma que você olha, da forma que você assimila seu personagem...”

(Ary Fontoura)


Jéfferson Balbino: Ary, você resolveu se enveredar pela carreira artística numa época que a profissão de ator era discriminada, ainda mais para moradores do interior, como era o seu caso. Que dificuldades você encontrou pra seguir a carreira de ator? Seus pais apoiaram lhe apoiaram?

Ary Fontoura: Jéfferson, como você mesmo disse na pergunta naquela época a profissão de ator era discriminada, não era vista com bons olhos, e a família ficava receosa...

Jéfferson Balbino: As primeiras novelas que você atuou na televisão foram: “Passo dos Ventos” (TV Globo/1968) e “Rosa Rebelde” (TV Globo/1969) que embora fosse tramas escritas pela magistral novelista Janete Clair, os enredos ainda eram no estilo da novelista cubana Glória Magadan. Como foi atuar nessas tramas de estilo dramalhão que era fora da realidade do brasileiro?

Ary Fontoura: Eu me referia mais a forma, a forma era diferente, hoje em dia procura-se atuar menos e viver mais o personagem, antigamente era diferente, antigamente a gente atuava mais do que vivia, dá pra entender? Era menos ou mais, hoje em dia faz menos. A tecnologia aprimorada que tomou conta do mundo e especificamente da televisão, como: fotografia, som, luz, etc e tal, todas essas coisas contribuíram para que o trabalho do ator passasse a ser diferente, antigamente você ajudava com a sua voz, porque os microfones não tinham uma perfeição, as câmeras mudavam a lente dentro do próprio estúdio, da própria cena que era encenada, você tinha que falar mais alto, porque as vezes os microfones não atingiam a proporção do som que era necessária, essas coisas todas em função dessa parte técnica que não era tão aprimorada como é hoje, hoje é a mesma coisa só que com essa tecnologia melhor.

Jéfferson Balbino: Mas em relação ao texto, por ter um enredo mais fantasioso chegava a influenciar na maneira de atuar?

 

Ary Fontoura: Mas hoje em dia também tem muito texto fantasioso, muita coisa igual, não mudou muito não. 



Escrito por jéfferson às 17h37
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Entrevista Especial com ARY FONTOURA

 

Jéfferson Balbino: Você também integrou o elenco da novela “A Ponte dos Suspiros” (TV Globo/1969) que foi escrita pelo inesquecível Dias Gomes sob o pseudônimo de Stela Calderón. Sacia uma curiosidade, vocês do elenco sabiam que era o Dias o autor dessa novela?

Ary Fontoura: “A Ponte dos Suspiros” era adaptação de um livro... E, é claro que sabíamos que era o Dias que escrevia a novela sob o pseudônimo de Stela Calderón.

Jéfferson Balbino: Mas a Imprensa naquela época não sabia? Somente vocês do elenco da novela?

Ary Fontoura: Isso eu não sei lhe informar. Talvez soubessem ou não por causa da Censura, enfim, isso me foge, não mesmo lhe informar.

Jéfferson Balbino: Por falar no Dias Gomes, você foi um dos atores que mais trabalhou com esse grande novelista e dramaturgo. Além de “A Ponte dos Suspiros”, você fez as novelas: “Verão Vermelho” (TV Globo/1970), “Assim na Terra como no Céu” (TV Globo/1970), “Bandeira 2” (TV Globo/1972), “O Espigão” (TV Globo/1974), “Saramandaia” (TV Globo/1976), “Roque Santeiro” (TV Globo/1985) e “Araponga” (TV Globo/1990). Que importância o Dias Gomes teve na sua carreira através desses trabalhos?

Ary Fontoura: A maior importância. Eu devo ao Dias Gomes todas às oportunidades que eu tive na televisão. Eu era um ator que ele gostava, houve uma coincidência nesse encontro nosso, eu entendia perfeitamente o que ele queria dizer, o que ele procurava com seus personagens que eles escrevia, enfim, desse entendimento nasceu uma luz muito grande, e eu fiz várias novelas dele. Além de me transformar num grande amigo dele. Jéfferson, você não sabe a falta que o Dias Gomes faz! Como pessoa e, sobretudo como escritor. Eu fico pensando sobre o que ele estaria produzindo hoje em dia com aquela capacidade de se renovar que ele tinha, o quão grande ele seria agora. Que pena ele ter morrido!

Jéfferson Balbino: Ele era um novelista a frente do seu tempo né?

Ary Fontoura: Extraordinário! E não só novelista, mas também como teatrólogo, enfim, um homem de letras.

Jéfferson Balbino: Como foi o processo de composição do seu personagem Profeta na novela “O Cafona”, que era uma espécie de guru das praias cariocas?

Ary Fontoura: Foi deixar a barba maior, usava o figurino característico que me deram, e falar numa certa gíria que na época se aplicava, esse foi o tipo de laboratório que eu fiz pra entrar nesse personagem, não foi difícil não! Até porque na verdade era um tema que a gente convivia constantemente, como aquilo era um retrato da realidade então ficou muito mais simples fazer.

Jéfferson Balbino: Então você não se inspirou em determinada figura pra compor esse personagem?

Ary Fontoura: Não!

Jéfferson Balbino: Como foi contracenar com a nossa querida Rosamaria Murtinho na novela “Nina” (TV Globo/1977)?

Ary Fontoura: Sempre foi boa... A Rosinha é uma das minhas grandes amigas feitas no decorrer de todos esses anos todos dentro da Rede Globo de Televisão, desde que ela lá chegou, eu tenho impressão que eu já estava na Rede Globo quando ela chegou. Rosamaria Murtinho e Suzana Vieira são duas pessoas que a nossa amizade cresceu a partir de trabalhos que fizemos juntos, a partir do momento da chegada delas na Rede Globo nos tornamos grandes amigos.

Jéfferson Balbino: E vocês estarão juntos em “Amor à Vida”, a próxima novela das nove né?

Ary Fontoura: Sim, estaremos juntos...

Jéfferson Balbino: Outro personagem marcante de sua carreira foi o Ubirajara na novela “Dancin’ Days” (TV Globo/1978). Você lembra como foi na época a repercussão desse trabalho?

Ary Fontoura: Não era muito grande não! Porque o esse meu personagem só se desenvolveu verdadeiramente na novela do capítulo 140 até o 145. E depois ele praticamente sumiu. Anteriormente meu personagem fazia apenas pequenas aparições, o personagem não tinha história e era como muitos personagens que surgem e depois de muito tempo vão tendo uma aplicação dentro da novela. Então a história desse personagem começou no capítulo 140 quando meu personagem, que era apaixonado pela Júlia, que quem fazia era a Sônia Braga, a leva pra casa, dá um apartamento pra ela, dá um dinheiro pra ela poder sobreviver na esperança de que ela o aceitasse. E a desilusão acontece já no capítulo 145, ou seja, só tive 5 capítulos pra desenvolver aquela história, mas fiquei até o final da novela e meu personagem acabou com outra pessoa e tal... Verdadeiramente a história do meu personagem aconteceu em 5 capítulos. E nos capítulos restantes eu estava sempre participando numa cena e outra, servindo como base pra outras cenas... Enfim, não foi um grande personagem!

Jéfferson Balbino: Ele só serviu pra apoiar a protagonista né?

 

Ary Fontoura: É, foi um personagem que nunca teve uma grande história, a história dele era essa: ele era apaixonado por ela, procurou fazer todos os meios pra que ela correspondesse, mas como ela não gostava dele, não ficou com ele e ficou, é claro, com o galã, que era o [Antônio] Fagundes que desde o inicio todos já sabiam que era com ele que ela terminaria a novela. 



Escrito por jéfferson às 17h32
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Entrevista Especial com ARY FONTOURA

 

Jéfferson Balbino:O que você destacaria do seu trabalho nas novelas: “Marron Glace” (TV Globo/1979) e “Plumas e Paetês” (TV Globo/1980), ambas escritas por Cassiano Gabus Mendes?

Ary Fontoura: O Cassiano era um ótimo autor também, completamente diferente do Dias, o entendedor profundo de televisão, mas era uma pessoa que eu nunca tive uma aproximação maior, não tive uma aproximação como eu tive com o Dias, até porque o Cassiano morava em São Paulo, mandava os trabalhos prontos pra televisão, já o Dias morava no Rio, era diferente, mas mesmo assim eu fiz duas novelas do Cassiano que foram “Marron Glace” e “Plumas e Paetês” e gostei muito, achei os personagens muito prontos, ele tinha uma capacidade muito grande de escrever pra TV, ele sabia fazer um roteiro.

Jéfferson Balbino: Além do avanço da tecnologia, qual foi a maior evolução na produção de novelas no Brasil?

Ary Fontoura: A Rede Globo de Televisão é na atualidade uma das primeiríssimas produtoras de teledramaturgia no mundo, ultrapassou a BBC, ultrapassou todas as emissoras... Nós fazemos novelas melhor que todos, pode analisar. Jéfferson, se você tiver tempo liga no SBT e veja aquelas novelas mexicanas que são feitas lá agora e veja a diferença, nós nunca chegamos lá, nós já começamos de uma forma melhor, a gente criticava muito o trabalho que os outros faziam e consequentemente tinha uma capacidade diferente de dar uma volta por cima, e fizemos um trabalho sempre diferenciado para melhor.

Jéfferson Balbino: O estranho de tudo isso é que embora a qualidade foi sendo cada vez mais elaborada, em contrapartida a audiência foi caindo. O senhor mesmo atuou em “Roque Santeiro” que dava uma audiência estrondosamente alta e hoje uma novela das 9 mal consegue superar a metade dessa audiência...

Ary Fontoura: Mas isso é uma coisa natural né?! Quantos canais temos em casa? Há pouco mesmo eu estava dizendo pra minha empregada, porque ontem foi quarta-feira, dia de futebol que ela detesta, daí terminou a novela e ela me disse que não tinha mais nada pra fazer, daí eu disse a ela: Como assim você não tem mais nada? Você tem ai uma televisão com assinatura com 180 canais pra você ver...”,  a gente pode ver em qualquer língua, em alemão, japonês, espanhol, enfim, e ela vai ficar só ligada na Rede Globo de Televisão vendo um jogo que não gosta? Ou indo lá pro Ratinho que é um programa que não agrada? Ou vendo alguma coisa que não interessa na televisão comum? Sendo que tem uma televisão por assinatura, diferenciada dos canais abertos, então tem que ir pra eles e não ficar nos canais convencionais. Jéfferson, aí está a resposta para o que você me perguntou.

Jéfferson Balbino: Você também atuou nas versões originais das novelas: “Paraíso” (TV Globo/1982) e “Guerra dos Sexos” (TV Globo/1983). Como é depois ver nos remakes dessas novelas seus personagens sendo defendidos por outros atores?

Ary Fontoura: Ah não tem comparação, eu não tenho esse tipo de coisa, porque cada pessoa tem a sua capacidade criativa, a sua forma de ver os personagens e realizar, ninguém é igual a ninguém...

Jéfferson Balbino: Então o senhor nem assiste os remakes pra dar uma olhadinha nos colegas que fazem os personagens que o senhor já fez no passado?

Ary Fontoura: Jéfferson, eu trabalho muito, e às seis horas, sete horas da noite eu geralmente estou no estúdio e essas novelas são tremendamente prejudicadas, até as minhas quando são nesses horários eu não vejo porque quando eu chego em casa ao invés de ir assistir eu vou decorar os textos do dia seguinte, porque novela é uma escravidão durante o período todo que você faz, os 10 meses que você fica lá são decorando, decorando, indo embora, fica naquele vai e volta, ou seja, não tem tempo pra nada, se submete aquilo somente, então eu não fico vendo, e também eu não sou um grande fã de novela não! Eu não gosto muito de ver novela. Novela pra despertar em mim uma atenção maior tem que ter algo diferente, por exemplo, eu vi uma novela inglesa agora que passou, uma série, aliás, que se chama Downton Nybe, e isso me agrada porque eu achei diferente, achei bem feito e tudo mais, não que as novelas da Globo ou do Brasil são mal feitas, eu não acho isso não... “Avenida Brasil”, por exemplo, eu assisti inteira e não gostei da ideia de ficar preso a uma novela, e não ir a lugar nenhum, porque eu ficava ligado naquilo, e achei fantástico, sempre fui fã do João Emmanuel Carneiro, fiz novela dele, fiz “A Favorita”, então eu ficava em casa, como a maioria das pessoas ficaram presas naquela trama e naquela forma de realização, enfim, ver outras novelas pra ver se alguém fez melhor ou pior que eu ou coisa parecida seria uma perca de tempo, primeiro porque cada um faz diferente, ninguém é igual a ninguém na forma de fazer, eu não tenho essas vaidades não. Sou bem generoso e gosto de dividir com as pessoas os bons personagens também...

Jéfferson Balbino: A que você atribui o imenso sucesso do seu personagem Nonô Correia que você magistralmente interpretou na novela “Amor com Amor Se Paga” (TV Globo/1984)?

Ary Fontoura: A História. O personagem era interessante, tinha 70 anos, era do Molière, de “O Avarento”, até hoje ele pode ser representado que fará sucesso junto ao público de Teatro, e na novela era uma adaptação dessa peça pela Ivani Ribeiro, e o personagem era fantástico, ela aplicou e trouxe nele a qualidade, aplicou certas situações que a gente estava vivenciando aqui, o país vivia uma série de problemas financeiros, e ela usava muito mostrando que o Nonô Correia sempre economizava na vida mesmo que fosse em detrimento da própria saúde, da própria alimentação, da fome, enfim... e essas coisas todas foram pegando os brasileiros e era uma comédia, as pessoas adoravam, riam muito, e deu certo. Uma coisa engraçada que eu fico pensando às vezes é porque as comédias são malditas né?! (risos) sempre dão muito resultado...

Jéfferson Balbino: Com a saudosa novelista Ivani Ribeiro, você ainda trabalhou nas novelas: “Hipertensão” (TV Globo/1985) e “A Viagem” (TV Globo/1994). O que você nos ressaltaria sobre o texto dessa consagrada autora?

Ary Fontoura: O meu personagem em “A Viagem”, que era o Tibério poderia ter agradado mais, assim como o Nonô, se não tivesse ocorrido modificação no personagem, eu criei uma situação que ele falava com outra “pessoa”, ou seja, ele estava sempre incorporado a alguém, e isso não refletiu bem junto as pessoas que eram espiritas, os Centros Espíritas começaram a reclamar, dizendo que aquilo era um deboche ou coisa parecida, ou alguém botou na cabeça de alguém lá na Globo que aquilo não valia e aí tiraram aquele detalhe que era o mais interessante nesse personagem, e daí então o personagem brochou literalmente...

Jéfferson Balbino: E com a Ivani Ribeiro o senhor também tinha uma cumplicidade, eram amigos...?

 

Ary Fontoura: Não! Eu não conhecia a Ivani. Lamentavelmente eu nunca a vi pessoalmente. Eu só tive um telefonema com ela que até é pra você Jéfferson uma certa curiosidade pois eu pedi a ela pra diminuir meu papel, eu não estava aguentando mais de tanto decorar, isso com o Nonô Correia na novela “Amor com Amor se Paga”, quando eu fiz o Tibério em “A Viagem” eu nem cheguei a falar com ela. E quando eu fiz essa ligação ela me disse que era a primeira vez que alguém pedia a ela pra diminuir o papel (risos). E de fato, ela tirou das coisas que eu mais gostava que era gravar as externas em Teresópolis, que eram cenas fáceis de fazer e tudo mais, e me deixou dentro do estúdio, falando, falando, falando... ao longo de 169 capítulos sem parar. Foi uma loucura, e eu estava estressado no quarto mês da novela, pois eu já não aguentava mais, a carga era muito grande e tudo em cima de mim, então eu pedi uma certa pausa, mas não dava muito até porque a novela toda foi calcada no meu personagem, era através dele que acontecia tudo, e aí ele não pode me atender, a não ser me tirar de pequenas coisas, e eu continuei até o final.



Escrito por jéfferson às 17h17
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Entrevista Especial com ARY FONTOURA

 

 

Jéfferson Balbino: Qual é o seu segredo pra se renovar a cada personagem?

Ary Fontoura: Agora mesmo eu ando muito ocupado, ocupadíssimo, com a novela nova que estou fazendo que se chama “Amor à Vida”, e eu estava agora a pouco vendo uma cena de “Malhação” e analisei a interpretação e depois vi uma cena de um capítulo da novela “Flor do Caribe”, daí eu comparando com “Malhação” eu fiquei pensando será que não tem ninguém que ensina melhor pra essas pessoas? Porque a garotada está lá, louca pra fazer e acontecer, mas é tudo tão da ‘boca pra fora’... O texto sabido na ponta da língua nem sempre é o resultado principal de uma boa cena, é bom ter o texto na ponta da língua, mas nem sempre da resultado, até porque depende também da forma que você faz, da forma que você olha, da forma que você assimila seu personagem, e te um detalhe que eu observei Jéfferson: ninguém olha mais em ninguém, não há mais esse detalhe de interpretar olhando no outro, nos olhos do outro, as pessoas trabalham pra câmera, na expectativa de um big close, de uma bela aparição, e isso é horrível porque não cria nos interpretes uma empatia e a cena não acontece e aí fica falso, tudo mecaniza demais...Mas voltando a sua pergunta Jéfferson, o segredo é um trabalho árduo, a gente tem um tempo pra criar e aprimorar, e tudo isso depende um pouco da prática, a prática que muitas pessoas desprezam, então eu vejo assim: um ator de “Malhação” tem 15/16 anos, não fez escola, não fez nada, na verdade, as vezes, nem chegou a concluir os cursos essenciais da vida, que são o primeiro, segundo e terceiro grau, quanto mais fazer uma escola de teatro, então eu fico observando e através da própria televisão eu vou aprendendo, aprendo a dizer não de várias maneiras, a dizer sim de várias maneiras, dizer ‘eu te amo’ de várias maneiras. E isso também acontece devido essas linguagens modernas que são as gírias, que eu até tento evitar até porque isso faz uma palavra abolir o sentido de algumas frases, e isso acontece porque algumas pessoas leem pouco, e o resultado é péssimo.

Jéfferson Balbino: Quais foram seus trabalhos no Teatro e no Cinema que mais lhe agradou em fazer?

Ary Fontoura: Jéfferson, eu só tive uma fase boa no teatro que gostei demais foi a fase que pertencia ao Teatro dos 4, nos anos 1980, essa é a que eu considero a melhor fase que eu tive no sentido de Teatro na minha vida. Eu tive “O Rei Lear”, eu fiz “O Bobo”, eu fiz “Merciano”, eu fiz “Sábado, Domingo e Segunda”, eu fiz “Ópera do Malandro”, eu fiz grandes espetáculos... Naquela época a Schell prestigiava a gente, e o problema dinheiro nas montagens não existiam, depois a Schell parou, quem gostava de teatro foi embora que era aquele Consul, diretor da Schell, era um inglês que adorava o Brasil, daí veio outro que era um americano que detesta, então não tem nem mais premio, nem mais nada... Tudo se o menor significado, antigamente não, a Schell acreditava, botava dinheiro no Teatro dos 4, e o Teatro dos 4 reunia grandes elencos, como jamais reuniram, e aí fazíamos grandes teatros, essa foi a minha fase áurea no teatro, depois veio essa tragédia no mundo da qual eu estou inserido também que é onde temos que buscar desesperadamente por patrocínio pra poder fazer uma peça de teatro, e nem sempre se tem, e consequentemente se faz pouco, eu faz 6 anos que não faço teatro.

Jéfferson Balbino: E Cinema?

Ary Fontoura: Cinema... A minha filmografia é muito pequena, e pouco significativa porque eu sempre tive durante 50 anos emprestado pra Rede Globo de Televisão, e o Cinema requer de você cuidados melhores, personagens que tem que ter uma cara diferente, e outra na época que me convidaram pra fazer “Dona Flor e Seus 2 Maridos”, eu não estava usando bigode, não podia usar e o diretor queria que usasse... Essas coisas assim teve outros filmes que me convidaram, mas eu estava de cavanhaque  e eu não podia tirar porque tinha novela pra fazer e pra eu fazer o filme tinha que tirar urgentemente o cavanhaque e por isso não dava. Foram raríssimas as ocasiões que alguém me esperou pra fazer um filme, foi o caso desse último trabalho meu que foi a Dona Dina no filme “A Guerra dos Rochas”, que coincidiu pois eu só estava fazendo teatro em Campinas e estava com a cara absolutamente limpa e estava de férias, era janeiro e eu só fazia fins de semana em Campinas, e eles acomodaram ao meu horário e a minha fisionomia e eu pude fazer aquela velha.

Jéfferson Balbino: Além das novelas do Dias Gomes, você ainda fez outras tramas que tinha certo toque de realismo fantástico, como: “Tieta” (TV Globo/1989), “A Indomada” (TV Globo/1997), “Meu Bem Querer” (TV Globo/1998) e “Porto dos Milagres” (TV Globo/2001). Você acha que a novela distancia o público da realidade?

Ary Fontoura: Com exceção das novelas do Dias, as outras eu não acredito que foram realismo fantástico, apenas tinham em seus enredos certas aparições, pelo menos não eram um realismo fantástico mais abrangente como foi “Saramandaia” que tinha a Dona Redonda que era uma mulher que explodia de tanto comer, ou o homem que botava formiga pelo nariz e o coração que saia pela boca, o outro que se transformava em lobisomem... Isso me parece que sim, mas fora daí não tinha não! Essas que você citou eram pra mim como uma mera situação como no caso do cadeirudo né?! Era uma pessoa que se fantasiava...

Jéfferson Balbino: E o senhor acha que essas novelas distanciam o público da realidade?

Ary Fontoura: Claro que sim! Pode fazer o público sonhar e transferi-lo da realidade, isso é evidente. E o sonho está em toda parte...

Jéfferson Balbino: Outro novelista que o senhor vem trabalhando bastante é com o Walcyr Carrasco, onde o senhor fez: “Chocolate com Pimenta” (TV Globo/2003), “Sete Pecados” (TV Globo/2007), “Caras & Bocas” (TV Globo/2009), “Morde & Assopra” (TV Globo/2011), “Gabriela” (TV Globo/2012) e ainda estará na próxima trama que o autor escreve para o horário das nove que estreará hoje que é “Amor à Vida” (TV Globo/2013). Como está sendo essa sua parceria com o Walcyr?

Ary Fontoura: Primeiro: eu sempre quero essa parceria, acho ótimo que um autor me conheça e que saiba pra quem que ele está escrevendo e o que eu posso render, através da minha vida toda eu senti isso com o Dias Gomes, o Dias escrevia pra mim e as coisas sempre davam certo, é preferível do que ficar caindo de mão em mão aí, de repente com quem nunca você trabalhou e que tenha certa dificuldade em entender o seu trabalho, 

Jéfferson Balbino: Inclusive o Walcyr publicou no Twitter que queria muito o senhor nessa nova novela dele...

 

Ary Fontoura: O Walcyr é um autor que eu reputo como importantíssimo dentro da teledramaturgia da Rede Globo de Televisão, ele tem uma novela, que foi a primeira novela que eu fiz dele que era pra ser uma participação e acabou sendo algo mais já que no decorrer da historia houve necessidade que foi “Chocolate com Pimenta”, e te digo Jéfferson que ninguém dentro da Rede Globo escreve dessa maneira tão fácil e convidando todo mundo a sonhar, e só o Walcyr que tem esse mérito. Ele acha o sonho possível e incita as pessoas a sonharem, eu gosto muito do que ele faz, as pessoas podem até achar que tem arrombo infantis e tudo mais, mas eu absolutamente não acho isso, acho ele um autor utilíssimo para o público e para as pessoas que acreditam que um sonho é valido. É por isso que eu estou com ele desde uma proposta que houve através do [Roberto] Talma para eu participar do “Sítio do Picapau Amarelo” que ninguém queria fazer e eu fui saber o porque, e era devido uma formação nova de plateia, mas a finalidade da serie era excelente e o Walcyr Carrasco estava lá quando eu tive a oportunidade de conhece-lo e fiquei lá no Sítio durante uns 3 anos praticamente fazendo o Coronel Teodorico, adorei fazer aquilo embora a Rede Globo de Televisão não acreditasse no que nós estávamos fazendo, não protegia de forma alguma o nosso trabalho e consequentemente nos não tínhamos sequer uma audiência necessária pra mantê-lo no ar, mas ficávamos dentro do programa da Xuxa de manhã e de tarde não tinha espaço pra gente e essa era a reinvindicação porque queríamos trabalhar para os dois turnos, pra quem tinha aula de manhã e pra quem tinha aula de tarde, pra fazer no mínimo isso pararíamos as 5 da tarde que seria o horário que sempre foi o “Sitio do Picapau Amarelo”, uma serie que ate hoje tem uma audiência excepcional no Canal Viva, alias eu acho que está sendo vingada pela audiência que não teve na Globo, apesar que como é do Viva fica tudo em casa... e aí eu conheci o Walcyr, a Duca Rachid e a Thelma Guedes, que são ótimas autoras, ótimas pessoas, e que aí estão acontecendo e fazendo um trabalho incrível nesse aspecto da grade nossa na Globo.



Escrito por jéfferson às 17h10
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Entrevista Especial com ARY FONTOURA

 

Jéfferson Balbino: Você é um dos principais protagonistas da história da nossa adorada teledramaturgia brasileira, com uma consagrada carreira, sendo 60 anos de sua vida dedicados à arte. O que você acredita ser sua maior contribuição para o gênero?

Ary Fontoura: Você sabe que eu fiz 80 anos agora né Jéfferson?

Jéfferson Balbino: Sei sim. Mas não parece!

Ary Fontoura: Não? Muito obrigado, mas parece sim! Daí eu estava pensando o que era 80 anos pra quem me perguntou e eu não soube responder. Hoje eu sei, eu acho que sei o que eu deveria ter respondido. Você tem vários fatores que atrapalham que você tome consciência do que esta acontecendo a sua volta e que você vive num país dificílimo pra você se manter numa determinada posição, que atingir um objetivo não é o principal, mas sim permanecer nele então eu conclui que a vida começa a cada hora e a cada momento, então fazendo uma analise crua eu fiz sim, tanto que vou fazer agora a minha 50ª novela, mas nem todas foram sucesso, ao contrário, pouquíssimas delas foram sucesso, as restantes foram pra cumprir trabalhos, trabalhar pra exercer essa profissão que eu escolhi. Então eu acho que eu estou começando agora e a qualquer momento – sem demagogia – a minha carreira de novo, estou sempre aprendendo, com os jovens, porque tem muitos jovens talentosos surgindo, felizmente (acho eu) porque acho que o mundo é dos jovens, o futuro ai está, e sem sentir a menor dificuldade porque estou muito confortável dentro do meu trabalho, da minha idade que eu tenho e na expectativa de fazer melhor e de repente de errar menos, talvez. Se depender de mim, porque meus erros não dependeram só de mim, a gente quando trabalha pra uma organização tem grande culpa nas coisas que você não faz adequadamente porque você só faz um tipo de personagem diferente quando tem possibilidade porque as vezes as coisas vem todas calcadas no que você é, e daí fica fácil você fazer um personagem diferente e, é quando você tem possibilidade, porque muitas vezes as coisas vem calcadas no que você é, estandatiza o ator de uma forma tal que não tem como você sair, e chega uma hora também que sua capacidade criativa já não é tão vasta quanto antes porque você já fez tanta coisa e os personagens estão ai cada vez mais difíceis, eles surgem e quando você tem um bom personagem na mão você solta foguete até porque hoje em dia você trabalha muito mais em função do ibope, da aceitação junto ao público do que propriamente a aceitação do seu trabalho, embora a aceitação do público nem sempre seja o seu trabalho, a pessoas que fazem trabalhos maravilhosos em novelas e que são expurgados num segundo plano e porque? Porque o público não gostou do cabelo, não gostou disso e daquilo, a televisão é uma coisa estritamente comercial, eles tem que vender, é muito caro fazer televisão, é muito caro ter um elenco como tem a Rede Globo de Televisão, então tudo tem que dar certo, e não deu certo corta mesmo, não tem apelação, não tem período experimental pra permanecer, pra ver se concerta ou não, enfim é muito difícil, esse é um processo que não cabe em uma só entrevista, essa leitura, essa analise é muita extensa, ela esta intrinsicamente ligada a muitas outras coisas, a muitos outros interesses.

Jéfferson Balbino: Como você trabalhou o perfil psicológico do mau-caráter Silveirinha, seu personagem na novela “A Favorita” (TV Globo/2008)?

Ary Fontoura: Jéfferson, essa é uma história longa, foi assim eu tive um problema repentinamente num exame que eu fiz, eu tive um problema numa das carótidas, num exame comum apareceu que uma delas estava entupindo, daí de um dia pro outro eu me vi dentro do Hospital fazendo um stand pra evitar males maiores, saí de lá e tive uma recomendação do médico pra ficar, pelo menos, uns 20/30 dias inativos e nesse intervalo me ligaram da Rede Globo de Televisão, era o Ricardo Waddington: “Oi Ary, tudo bem? Estamos precisando de você aqui na novela ‘A Favorita’...”, daí eu expliquei a ele o caso, e ele me disse que precisava com urgência porque eles iriam gravar na Argentina, daí quando ele me falou em Argentina já me deu vontade viajar, eu que tinha ficado em Hospital sabe como é, Jéfferson, você já ficou em Hospital?

Jéfferson Balbino: Não, graças a Deus não! (risos)

 

Ary Fontoura: Deus o ajude então... Porque é a coisa mais solitária que possa haver, é um confronto com a morte direto... Aí eu perguntei pra ele que papel era, e ele me explicou, disse que foi escrito pra mim, daí eu pedi a sinopse pra olhar e na sinopse estava lá: “Silveirinha: Mordomo” (risos), não tinha mais nada, peguei os 15 primeiros capítulos que iam ser feitos na Argentina e estavam escritos assim: “Sim. Não. Sim, sim, sim...”, não tinha nada, a roupa ele me botou lá na hora quando eu fui, e resolvi ir, o médico me disse que era uma loucura, e eu acabei indo assim mesmo porque eu pensei que iria ficar na Argentina, em Buenos Aires, e de noite eu ia poder sair, ir pra restaurante, tomar vinho, mentira! Nós fomos 120 km, além de Buenos Aires e depois 16 km, do aeroporto, era uma distância do Rio à Cabo Frio, aí ficamos fazendo lá numa casa esse negocio todo e eu me divertindo com o ‘Sim’, ‘Não’, ‘Sim’, ‘Não’... Também não ia encher o saco do diretor perguntando sobre meu personagem porque isso também ninguém saberia responder, o diretor não ia saber responder, e eu também não, porque não tinha nada escrito, e se eu perguntasse ele poderia me falar: “Faz e não pergunta”, então tá bom fiquei lá no ‘sim’ e ‘não’, mas quando eu voltei pro Rio eu recebi uma cena com a Claudia Raia, que era uma cena onde eu trazia uma bacia cheia de gelo, que ela botava a cara no gelo pra parecer que tinha dormido bem a noite, e ela falando comigo ela tocou um pouco no passado da gente, quando ela tocou um pouco no passado da gente eu digo: Opa da pra gente criar uma situação aí, como eu não participei do workshop, reunião de elenco, até porque era outra pessoa que ia fazer meu personagem, que quando viu ‘sim’, ‘não’, dançou não quis fazer, eu acho até que era o [Carlos] Vereza que ia fazer, não sei, só sei que não quis fazer, aí eu peguei e liguei pro autor, o João Emanuel Carneiro e falei com ele, disse: “João, eu não tive o prazer de conhece-lo pessoalmente, mas eu estou na sua novela, fazendo um mordomo, não tive a oportunidade de participar da reunião de elenco, não tive a oportunidade de conversar com você sobre como seria desenvolvida essa história, e por isso eu estou completamente no ar, sem saber, mas agora eu li aqui uma cena com a Claudia Raia que eu preciso realizar e eu pensei em realizar de uma maneira assim, assim, assim... e queria saber o que você acha?!”, aí ele me disse: “Olha Ary, francamente novela tem 180 capítulos, e eu não posso estar envolvido com todos personagens definitivamente e eu sempre tenho que deixar alguns...”, daí eu disse: “Sei, eu já fiz várias novelas, sei que é assim, sei que tem alguns personagens que não acontecem de momento e que são guardados pelo autor pra surgirem depois, e eu não me importo com isso não, está tudo certo, só quero saber o seguinte: Se eu posso fazer de uma maneira que você preste atenção no personagem e sigamos por uma linha?”, aí ele me disse como seria essa linha e eu pedi pro diretor cuidar de mim também nessa coisa, e comecei a criar que eu era o mordomo daquela casa, trazia uma bandeja de chá com todo mundo falando, deixava a bandeja e saia por uma outra porta e daqui a pouco voltava botava a cara e ia embora, isso não estava no script, não estava apontado, nem nada e comecei a criar um mistério em torno do personagem, perfeitamente plausível se ele quisesse escrever posteriormente e fui dando essas dicas pra ele, fiz uma cena com a Claudia colocando assim uma sexualidade forte e fora do comum, como se ele tivesse por aquelas duas meninas que cantavam alguma coisa além do que ser um simples empresário, talvez uma certa tara por criança ou sei lá o que... Talvez ele fosse meio pedófilo, tudo talvez, para que o autor tivesse a oportunidade de preencher como ele bem quisesse visto que a novela era dele, e eu não era pago pra escrever a novela, era pago pra representar, e daí aconteceu o Silverinha, o autor começou a ver, começou a gostar da situação, da história, e o personagem surgiu.



Escrito por jéfferson às 17h09
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Entrevista Especial com ARY FONTOURA

 

Jéfferson Balbino: Quais são suas perspectivas em relação ao futuro da teledramaturgia brasileira? E da sua carreira?

Ary Fontoura: Meu Deus eu tenho que pensar só em relação ao meu futuro (risos), quando a gente é jovem, a gente gasta o que tem, quando a gente é mais velho a gente economiza pra cacete, então o negocio meu é o seguinte: é pensar no dia de hoje em cada minuto, em cada segundo e não planificar nada pra amanhã pra não me decepcionar não, alias em modo geral as pessoas deveriam agir assim né? Todo mundo sabe do principio, mas não sabe do fim, e não é porque você tem idade que vai morrer antes do que uma pessoa que é mais jovem, não tem nada haver, mas por uma questão cronológica, quem tem 80 está mais próximo de 100 do que quem tem 20 anos, então meu querido eu estou pensando em mim, a planificação toda em função de mim, o que eu devo fazer pra melhorar, o que eu devo fazer pra acabar com a porra de uma dor no pé que eu tenho aqui e que ninguém sabe o que é, então é isso...

Jéfferson Balbino: Saiu na Imprensa que você fará um médico na próxima novela das nove que tem o título provisório de “Amor a Vida” (TV Globo/2013). O que você pode nos adiantar desse seu novo personagem?

Ary Fontoura: Sim Jéfferson farei um médico, mas meu médico não é um comediante não, ele não tem características de comédia não, é um médico sério, realmente é um personagem bem sério, diferente de tudo que eu fiz, gosto dessa ideia. Ele se chama Lutero, é o diretor do corpo clinico do Hospital, é um senhor já, um médico do modo antigo, e estou aqui batalhando pro personagem, vendo o que a gente pode fazer no intuito de agradar mais as pessoas e o pessoal gostar mais.

Jéfferson Balbino: Gostaria que o senhor falasse um pouco de sua amizade com a grande atriz Eloíza Mafalda...

Ary Fontoura: Eloíza Mafalda nos abandonou no auge da vida dela, e ela esta certa, achou que deveria pendurar as chuteiras naquele momento da vida dela e pendurou, mas ela é uma comediante maravilhosa que faz uma falta tremenda no nosso casting, e como pessoa também é incrível, eu adoro a Eloíza, só trabalhamos em duas novelas, mas parece que fizemos 20.

Jéfferson Balbino: Eu até comentei isso com o senhor quando nos conhecemos pessoalmente na cidade cenográfica da novela “Gabriela” lá no Projac que não tem como falar dela ou do senhor sem se referenciar um ao outro né?

Ary Fontoura: Pois é, mas é porque a simplicidade dela é uma característica minha também, os princípios da vida dela se aproximavam dos meus, e a gente se dava magnificamente bem, nós temos um humor e uma forma de debochar da vida que é algo muito interessante quando aplicada na comédia, e isso tudo a gente fazia, fizemos um trabalho memorável na televisão na novela chamada “Bandeira 2”, que é uma novela que eu gostaria muito de refazer com ela.

Jéfferson Balbino: Essa parceria de vocês infelizmente não cheguei assistir, mas a Dona Pombinha com o Seu Flô da novela “Roque Santeiro” marcou meu imaginário...

Ary Fontoura: A Dona Pombinha com o Seu Flô já era assim um trabalho muito mais aprimorado, já nos conhecíamos e tudo. Mas o primeiro trabalho que fizemos foi sensacional, como toda primeira coisa que a gente faz na vida a gente nunca esquece, e “Bandeira 2” eu sempre estou lembrando...

Jéfferson Balbino: E agora que ela está um pouco doente, vocês ainda mantém esse vínculo de amizade? Mantém contato frequente?

Ary Fontoura: Claro! Sempre que posso telefono toda hora, nos conversamos a beça, ela mora longe, ela mora lá na subida de Petrópolis, em Guapirimim ali, já fui lá na casa dela no aniversário dela, vivo ligando pra ela, mas ela também não para em casa, ela viaja muito com a filha, vai pra um lugar, vai pra outro, ela se diverte a beça. E faz ela muito bem...

Jéfferson Balbino: Certa vez foi noticiado na Imprensa que ela sofreria de Alzheimer, é verdade mesmo?

Ary Fontoura: Não sei disso. Qualquer pessoa que treme já falam que é isso. As vezes já tremem de emoção e inventam que é Alzheimer.

Jéfferson Balbino: E ator é uma profissão que previne o Mal de Alzheirmer né? Porque sempre trabalha o cérebro pra decorar os textos...

Ary Fontoura: Então seria bom se todo mundo fosse ator (risos)...

Jéfferson Balbino: Aí os neurologistas iam mandar todos doentes pro Teatro (risos)...

Ary Fontoura: Mas acho que não tem nada haver esse componente não! Embora eu nunca me aprofundei nessa doença não! Mas é triste, tem colegas nossos que tem esse problema, manifestado por eles próprios, como é o caso do Paulo José né? E o Paulo José é um lutador, é uma espécie de criatura fantástica, ele está dando um duro na doença, porque a doença não sabe pra onde vai e ele está enfrentando magistralmente, formidável. Jéfferson, você já fez uma entrevista com ele?

Jéfferson Balbino: Ainda não Seu Ary! Mas pretendo fazer sim, admiro muito o trabalho dele...

 

Ary Fontoura: Você está perdendo uma oportunidade, porque ele é um homem culto e vai fazer uma entrevista com você extraordinária, com certeza ele vai lhe dizer coisas, é muito simpático, é um doce de pessoa. Ele vai te tratar magnificamente bem, e com certeza terá um tempo pra você! Vai querer fazer até pessoalmente isso tudo!



Escrito por jéfferson às 17h05
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Entrevista Especial com ARY FONTOURA

 

Jéfferson Balbino: Quais foram as melhores novelas que você já assistiu?

Ary Fontoura: Vamos fazer assim de trás pra adiante que fica mais fácil... Gostei muito de “Avenida Brasil” foi a melhor novela, e a série inglesa “Downton Baby”, eu vi as duas temporadas e achei maravilhosa, um exemplo de uma belíssima novela com mais capítulos, gostei muito de “Bandeira 2” também, mas “Avenida Brasil” eu acho que superou e vai superar por muito tempo, muitas novelas que foram feitas.

Jéfferson Balbino: O senhor acha que a novela “Avenida Brasil” supera muitas novelas da teledramaturgia brasileira por ter apresentado aquele caráter ambíguo da protagonista?

Ary Fontoura: Não! Mas como um todo, pela realização, pela interpretação, pela autoria, pela direção, por tudo... Foi uma novela maravilhosa, completíssima e que pode ser comparada com “Vale Tudo”, “Roque Santeiro” e com todas essas novelas épicas, e que venham outras iguais. Das novelas mais antigas acho interessante “Chocolate com Pimenta” em que guardo uma lembrança boa, também “A Indomada”, do meu amigo Aguinaldo Silva, foi uma ótima novela... “Roque Santeiro” também foi incrível, “Saramandaia”. Tem também uma novela do Dias, que acho que você não viu porque não era nem nascido “Assim na Terra Como no Céu”, enfim todas as novelas do Dias...

Jéfferson Balbino: Quando o senhor fazia a novela “Roque Santeiro” (TV Globo/1985) houve aquela polêmica desavença entre os autores Dias Gomes e Aguinaldo Silva. Essa ‘rivalidade’ entre eles chegou abalar o senhor que era amigo dos dois?

Ary Fontoura: Jéfferson eles foram tão discretos que quando ocorreu isso ninguém sabia nada, só depois que saiu na Imprensa que viemos a saber. Mas não acredito que seja propriamente uma briga, mas sim questão de pontos de vista ao contrário, enfim não sei o que houve lá, se o Dias esqueceu ou omitiu o Aguinaldo, porque quem escreveu no máximo a novela foi o Aguinaldo. O Dias escreveu o principio e o Aguinaldo depois pegou o barco todo e fez a novela. E a briga surgiu porque o Dias queria escrever o fim da novela e o Aguinaldo não queria e eu achava até justo porque o Aguinaldo não estava escrevendo pra ele, ele estava escrevendo para o próprio Dias.

Jéfferson Balbino: Eu até entrevistei a atriz Lucinha Lins, que por sinal interpretou a sua filha em “Roque Santeiro” e ela me disse que era tanto trabalho de vocês do elenco que não tinha nem tempo pra acompanhar pela Imprensa essa desavença dos autores...

Ary Fontoura: Realmente, não tinha tempo e a gente também não sabia isso direito, essas coisas não corriam, nessa época havia menos Imprensa, menos gente interessada em ter noticias de bastidores, e não havia internet, os noticiários eram menores, reservados, não havia assim essa ‘violentação’ de informação como hoje há, onde se sabe tudo, se houve tudo, onde se amplia pra no dia seguinte ter a mesma noticia.

Jéfferson Balbino: Querido, foi uma honra entrevistar um grande ator como você. Parabéns pela brilhante carreira e obrigado por tudo que você fez e ainda faz em prol da teledramaturgia brasileira. Um grande abraço!

 

Ary Fontoura: Obrigado Jéfferson (risos), e convido todos vocês pra conferir mais coisas sobre minha carreira no meu site: www.aryfontoura.com.br, e saiba Jéfferson que eu já li outras entrevistas “No Mundo dos Famosos” e gostei muito e foi um prazer ter sido entrevistado por você também. Um abraço!



Escrito por jéfferson às 17h02
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Próximo Entrevistado: ARY FONTOURA



Escrito por jéfferson às 14h41
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