Entrevista Especial com PAULO GOULART

 

É sempre um deleite entrevistar e, consequentemente, aprender com esses atores veteranos que temos. E não podia ser diferente com esse meu entrevistado mais que especial de hoje, ele é o patriarca de um clã artístico que sempre contribuiu em prol da cultura brasileira. Ele é um ator mais que talentoso, é especial. E isso é notável em todos os personagens que faz desde o vilão ao mocinho, desde o coadjuvante ao protagonista, seja no Cinema, no Teatro ou na TV, ele consegue cativar o telespectador e isso é possível não apenas por seu inigualável talento, mas também pelo estrondoso carisma que esse querido e maravilhoso ator possui. Um dos melhores acontecimentos da minha vida foi no dia que eu almocei com ele e sua esposa, a também maravilhosa atriz Nicette Bruno e juntos passamos uma tarde memorável e extremamente agradável. Um fato interessante que ocorreu ao longo dessa entrevista foi quando ele pra elucidar com exatidão uma resposta me propôs a contracenar com ele uma curta cena, onde ele também dirigiu isso tudo na sala de jantar de sua residência. Mas isso tudo, além de me honrar, não serviu apenas pra uma explicação melhor sobre o determinado assunto que estava em pauta naquele momento, mas também pra compreendermos com exatidão a generosidade e o conhecimento que esse mestre de nossa teledramaturgia tem sobre seu oficio. O entrevistado de hoje do “No Mundo dos Famosos” é o brilhante e magistral ator PAULO GOULART.

“Eu ainda estou numa fase de recuperação, melhorando... Mas quero voltar a atuar logo!”

(Paulo Goulart)

Jéfferson Balbino: Quando e como foi aquele momento que você decidiu que queria ser ator profissional?

 

Paulo Goulart: (risos) Ah Jéfferson é tão engraçado isso... Meu pai foi rádio-amador que nessa época era uma coisa muito forte, as pessoas se contatavam dentro de uma frequência de rádio e se falavam com o mundo. E era um hábito muito curioso, depois trocavam cards que são justamente a referência de cada um dentro desse processo amadorístico. E papai com essa história toda então foi uma pessoa com uma ligação forte com o rádio, a tal ponto que nós morávamos numa cidade do interior de São Paulo, chamada Olímpia e ele resolveu então a fundar a Rádio Difusora Olímpia porque já tinha essa relação com o Rádio e essa coisa toda é evidente que dentro disso eu passei a trabalhar com o papai. Meu primeiro trabalho eu fui operador de som e discotecário eram coisas extremamente simples, a programação era também bastante limitada, se tinha o programa de músicas clássicas, tinha o “Programa de Músicas para Você”, que era alguém oferecendo [uma música] a alguém (risos)... Enfim, dentro dessa coisa toda de uma determinada época, então eu tenho o rádio na minha cabeça como uma vivencia que vai me acompanhar sempre.



Escrito por jéfferson às 21h06
- Comente aqui


Deixe o seu comentário.





Entrevista Especial com PAULO GOULART

 

Jéfferson Balbino: Paulo, nós até comentamos na hora do nosso almoço sobre a sua estreia na teledramaturgia brasileira que ocorreu na novela “Helena” (TV Paulista/1952) que era realizada ao vivo, em preto-e-branco e com uma curtíssima duração. Era muito difícil atuar na TV nessa época, já que não havia tantos recursos tecnológicos que facilitam e colaboram na interpretação do ator?

Paulo Goulart: Olha meu caro é difícil à gente conseguir fazer um paralelo porque esse desenvolvimento acabou acontecendo com uma série de sequencias, primeiro: as emissoras de rádio foram em realidade e deram um primeiro segmento as coisas nossas, as novelas radiofônicas existiam então de modo geral, uma coisa bem engraçada porque aquela que era a mocinha fazia um sucesso enorme, como a Nicette quando fez uma gordona (risos), então fazia parte de uma outra época...

Jéfferson Balbino: Seus primeiros trabalhos na televisão foram nas novelas: “As Minas de Prata” (TV Excelsior/1966), “A Muralha” (TV Excelsior/1968) e “O Terceiro Pecado/1968), todas de autoria da grande novelista Ivani Ribeiro. Como foi esse período da sua carreira?

Paulo Goulart: Foi um período muito bom. Tanto que existiram as novelas que tinham patrocínios dos horários, então eu fazia o horário Kolynos que eram as novelas da Ivani Ribeiro então é curioso né? E tinha outro, o das 19 horas que era pra “Redenção” que era a novela do [Francisco] Cuôco, então foi um período muito farto, eu fiz lá na Excelsior umas cinco ou seis novelas.

Jéfferson Balbino: E, em relação à Ivani Ribeiro o que você poderia nos contar sobre ela?

Paulo Goulart: Ah Jéfferson... A Ivani foi uma precursora porque ela sempre trabalhou em rádio e o rádio sempre teve uma técnica muito próxima da Literatura, ou seja, você leitor ou você expectador conhece toda a trama, os personagens não! Então dentro disso fica aquela coisa de você saber quem é o bandido, mas o mocinho lá não sabe. E aí acaba criando aquela coisa de que a novela tem um lado meio confidente, você público sabe quem é quem, os personagens não... Essa é a técnica das telenovelas e em rádio era muito mais amplo isso né? Porque você usava o imaginário então era uma coisa imensa. E a televisão depois conseguiu dar um jeitinho nosso de fazer novela.

Jéfferson Balbino: Naquela época as novelas eram produzidas por agencias de publicidades, não eram feitas com tanto requinte de produção que há hoje em dia... Nesse período vocês já imaginavam que estavam produzindo uma de arte que mudaria o hábito de vida dos brasileiros?

Paulo Goulart: Não Jéfferson até porque a gente sempre acompanha o processo do desenvolvimento do próprio país então eu estou te falando de uma época em que a população [brasileira] era em torno de 50 milhões [cantarola: “50 milhões em ação tarã tarã tarã...], é curioso né? (risos), então a gente tem que acompanhar as coisas como elas acontecem...

Jéfferson Balbino: Então vocês não imaginavam que a novela fosse chegar nessa patamar que se encontra nos dias de hoje?

Paulo Goulart: Não porque no rádio já existia isso. As novelas radiofônicas eram de uma audiência muito grande, então já exista um filão que foi criado pelas emissoras de rádio e que competiam entre si, como a Rádio Tupi, a Rádio Tamoio, Rádio Nacional... Eram emissoras poderosas (risos).

Jéfferson Balbino: Você também fez parte do elenco da novela “A Cabana do Pai Tomás” (TV Globo/1969) que gerou toda aquela polêmica pelo fato do ator branco Sérgio Cardoso dar vida ao negro protagonista. Como vocês do elenco reagiram com todo esse estardalhaço na época?

Paulo Goulart: Olha meu caro a nossa relação nesse sentido era relativamente pequena, o Sérgio Cardoso era um nome forte, foi um dos primeiros atores que tinham realmente um prestigio pessoal muito grande então escolhiam novelas pra ele fazer, teve uma novela que fez muito sucesso e que o Sergio não quis fazer porque seria um bicheiro e esse papel foi parar na mão do Paulo Gracindo e que fez um sucesso enorme...

Jéfferson Balbino: Acho que foi “Bandeira 2”, do Dias Gomes né?

Paulo Goulart: Isso... (risos)

Jéfferson Balbino: Se não me falha a memória “A Cabana do Pai Tomás” marcou sua estreia na Globo né?

 

Paulo Goulart: Exatamente... Porque eu era da Excelsior, onde eu fiz outras cinco ou seis novelas que eram justamente ligadas a Ivani Ribeiro que eram as chamadas ‘novelas Kolynos’.



Escrito por jéfferson às 21h04
- Comente aqui


Deixe o seu comentário.





Entrevista Especial com PAULO GOULART

 

Jéfferson Balbino: Então nessa época as novelas não eram produzidas pelas emissoras, mas sim pelas agências de publicidades não é?

Paulo Goulart: No começo, no começo não! Era produção da agencia...

Jéfferson Balbino: Eram como se fossem os comercias de televisão de hoje em dia então?

Paulo Goulart: Era... Tinham um preço, mas depois como começaram a distribuir a novela pelo país, essa distribuição já passou a ser feita pela emissora pra evitar problemas de direitos autorais, essa coisa toda, e foi essa transformação que a TV Excelsior fez e que acabou sendo a grande responsável não só pela qualidade do produto, mas também da feitura desse estilo e ali houve uma mistura de autores e de atores. Ali eu me lembro do Carlos Zara, que dirigia muito bem também... Sérgio Britto que fazia o “Grande Teatro Tupi” que acabou depois indo pra São Paulo para dirigir novela, então Jéfferson são fases, são períodos bonitos.

Jéfferson Balbino: Que lembranças você tem do seu trabalho nas novelas: “Verão Vermelho” (TV Globo/1970) e “Uma Rosa com Amor” (TV Globo/1972)?

Paulo Goulart: Duas novelas que foram muito bonitas... “Verão Vermelho” abriu o horário das dez da noite, uma novela do Dias Gomes, e o Dias Gomes sempre foi um autor másculo (risos), então dentro disso nos tivemos uma relação muito bonita porque era a Dina Sfat com quem eu já havia trabalhado na TV Excelsior, eu quando vim pra Globo aqui no Rio eu vim justamente fazer o casal com ela, e que a nossa rivalidade, a minha no caso especifico, era com o Jardel Filho. Nós dois disputávamos a mesma mulher (risos). Já “Uma Rosa com Amor” tem uma coisa muito bonita que é do Vicente Sesso, o Vicente Sesso é um autor paulista, que sempre acompanhou toda a feitura das novelas, trabalhou muito tempo numa agencia de publicidade, fazendo justamente a avaliação da programação da semana, é muito curioso porque a agencia patrocinava e havia uma reunião semanal, no nosso caso era mensal, que era discutido se a novela estava indo bem, se não estava o porque, quais seriam os caminhos, quais seriam os segmentos, era muito curioso isso porque as agencias de publicidade participavam muito de perto.

Jéfferson Balbino: Como surgiu o convite pra você e sua família protagonizar a novela “Papai Coração” (TV Tupi/1977)?

Paulo Goulart: Foi à emissora que quis fazer essa novela familiar e nos contratou. “Papai Coração” foi uma novela muito curiosa porque a gente reunia a família toda a noite para uma ideia de lançamento de um horário jovem, e foi o lançamento da Narjara Turetta, que na época tinha 10 anos, então foi muito curioso porque nossa família toda atuou também, tinha a Nicette, tinha a Nonoca [Leonor Bruno] todos eles ligados na família, mas na novela os personagens não tinham relação familiar. Então eu nunca tive nem nessa novela aquela coisa de falar: “Eu entro na novela se a Nicette fizer a minha mulher...”, (risos). Na novela ela não viveu a minha mulher!

Jéfferson Balbino: Você também atuou em “A Próxima Atração” (TV Globo/1970)...

Paulo Goulart: É verdade... Era uma novela em que eu e o [Armando] Bógus fazíamos uma dupla numa agencia de publicidade. Depois desse período eu fui pra TV Record também... Trabalhei um bom período na Record, depois voltei...

Jéfferson Balbino: Na Record, você atuou na novela “Quarenta Anos Depois”, do nosso querido Lauro não é?

Paulo Goulart: Isso! Atuei sim em “Quarenta Anos Depois”, e sabe o que depois me trouxe de volta pra Globo? A Guta, porque eu sou nascido em Ribeirão Preto, numa cidade do interior de São Paulo, e a Guta também é de lá, e quando ela soube que a TV Excelsior não queria renovar meu contrato ela avisou o Boni e foi assim que eu vim pra Globo.

Jéfferson Balbino: Até que ponto vai seu envolvimento com seus personagens?

 

Paulo Goulart: Na primeira leitura, no próprio processo, quando me perguntam como que eu faço pra decorar os textos eu sempre digo que primeiro eu estudo, não é uma coisa só de você ficar decorando igual um maluco, quando você estuda uma novela, você passa a ter o olhar do autor e a questionar porque ele escreveu aquela cena, porque tem uma informação mais importante, qual a fala mais importante, se eu estou recebendo uma informação ou se eu estou transmitindo uma informação, e quando você estuda dessa forma você acaba colaborando muito com quem está dirigindo, não que você venha a dar palpite, não! Mas o diretor que está dirigindo perceber que você estudou que você sabe o texto, que sabe a intenção, mas isso não quer dizer que o diretor não possa vir depois dizendo que não quer daquele jeito, que quer que você diminua um pouco, é um conluio porque o nosso trabalho é antes de qualquer coisa autoral.  E como o tempo é muito curto pra você estudar, você tem que ter esse olhar direcional, mas quem dirige é aquele determina o que ele quer, mas ele adora saber que você estudou. 



Escrito por jéfferson às 21h02
- Comente aqui


Deixe o seu comentário.





Entrevista Especial com PAULO GOULART

 

Jéfferson Balbino: Mas eu digo em relação à afetividade... Até que ponto vai seu sentimento de afeto com os personagens que você interpreta?

Paulo Goulart: Varia muito, a afetividade no caso é tão rápida que eu quando leio os capítulos de novela eu procuro dar uma forma autoral, mesmo nós sendo os intermediários disso, como é o diretor também e cada um na sua função específica, mas quando você estuda uma novela ou um capítulo você tem que saber porque ira fazer aquilo...

Jéfferson Balbino: Mas quando termina uma novela você sente uma dorzinha no coração por deixar para traz aquele personagem que o acompanhou por tanto tempo?

Paulo Goulart: Não... Não chega não! Alguns amigos continuam sendo seus amigos depois que termina a novela. É curioso porque novela é uma obra coletiva e uma obra aberta, ou seja, ela é passível de modificações então a gente tem que fazer aquilo com o maior prazer e não inverter.

Jéfferson Balbino: O que você destacaria da sua atuação nas novelas: “Éramos Seis” (TV Tupi/1977) e “Jogo da Vida” (TV Globo/1981)?

Paulo Goulart: Nossa senhora, aonde você foi rapaz... (risos)

Jéfferson Balbino: Lá no final da década de 1970 e inicio da de 1980 (risos)...

Paulo Goulart: Olha meu caro as novelas nessa época eram bem radiofônicas, ou seja, ou autores já tinham uma bagagem que se serviam para adaptações ou outras coisas assim, dentro disso meu caro o campo estava aberto e agente embarcava da mesma maneira...

Jéfferson Balbino: Qual é o verdadeiro papel do ator?

Paulo Goulart: Olha meu caro depende do veiculo, se você esta fazendo televisão é um determinado processo, se você esta fazendo cinema é outro, aliás eu estou no filme “O Tempo e o Vento”, com direção do Jayme Monjardim e que foi lançado agora.

Jéfferson Balbino: E agora em Janeiro, do ano que vem será transformado em microssérie na Globo...

Paulo Goulart: Fiquei sabendo mesmo (risos). Está vendo já mudei de assunto (risos)...

Jéfferson Balbino: Você falava que em cada veiculo o ator tem uma determinada função...

Paulo Goulart: Tem, por exemplo, em cinema que é uma linguagem muito ampla onde você depende muito de condições financeiras, um filme tem até cinco tratamentos até você começar a rodar o filme.

Jéfferson Balbino: Por falar nisso, qual foi seu trabalho no Cinema que você mais gostou de participar?

Paulo Goulart: Olha meu caro vou dizer uma cosia a você, sempre será o próximo... Porque a gente esta sempre querendo fazer melhor, depende da parceria de quem nos dirige também.

Jéfferson Balbino: Ao longo de sua carreira você deu vida a alguns personagens com sotaques italianos como o Gino na novela “Plumas e Paetês” (TV Globo/1980), o Farina de “Esperança” (TV Globo/2002) e o português Avelino na minissérie “Um Só Coração” (TV Globo/2004). Que cuidados você tem na hora de compor personagens com sotaques?                   

Paulo Goulart: Português, por exemplo, eu já havia feito antes no Teatro, então quando você faz um português no Teatro você tem uma raiz forte, e dentro disso você tem que assumir, fazer forte, não adianta querer fazer devarzinho não. Então quando você entra forte, quando tem sotaques eu mergulho fundo.

Jéfferson Balbino: E você se inspira em alguém?

Paulo Goulart: Às vezes sim, às vezes não! Depende do grau de envolvimento da novela em relação a publico, se é novela das seis é uma coisa, se é das sete é uma coisa e se é das oito é outra coisa, e diante disso a gente tem que ir se adequando.

Jéfferson Balbino: Então dependendo o horário que a novela é exibida a interpretação do ator varia?

Paulo Goulart: Tem variações, tem! Pra simplificar uma coisa complicada e você Jéfferson entender melhor o que quero dizer a gente não pode querer fazer novela recuando, dizendo ‘vou me poupar, não vou me atirar’... As coisas que me deram certo foram sempre através de mergulhos, de se entregar totalmente ao personagem, de abastecer o diretor...

Jéfferson Balbino: como foi atuar nas novelas: “Transas e Caretas” (TV Globo/1984) e “Roda de Fogo” (TV Globo/1986), ambas escritas pelo nosso querido Lauro César Muniz. Como foi trabalhar com ele nessas novelas?

 

Paulo Goulart: Foi ótimo, eu nunca iria imaginar que um dia ele iria casar com a minha filha Bárbara (risos).



Escrito por jéfferson às 21h00
- Comente aqui


Deixe o seu comentário.





Entrevista Especial com PAULO GOULART

 

 

Jéfferson Balbino: Na hora do nosso almoço a Nicette [Bruno] estava comentando comigo o seu talento na culinária e tem um personagem seu que era chef de cozinha que era o Altair na novela “O Dono do Mundo” (TV Globo/1991), onde você contracenava com os atores Antônio Fagundes e Nathália Timberg... Como era contracenar com essas feras de nossa dramaturgia nessa novela inesquecível?

Paulo Goulart: Olha Jéfferson, o [Antônio] Fagundes é um exemplo claro de o que é ser um maior ator, ele atua muito bem onde quer que ele esteja: Cinema, TV e Teatro, por isso tem que saber em qual veículo está atuando, Cinema é uma arte complicada, cara..., a novela é uma obra aberta, que não esta concluída e dentro disso tem vários acontecimentos. Você tem que amarrar o burro de acordo com a corda, então é você não complicar as coisas. A nossa possibilidade de quando está fazendo novela, televisão, é a de sempre ter uma leitura autoral.

Jéfferson Balbino: Ou seja, o ator tem que imaginar como o autor da novela imaginou a história?

Paulo Goulart: Claro, é lógico! A gente é intermediário deles.

Jéfferson Balbino: Mas não corre risco do ator, ao dar uma visão autoral, acabar pecado pelo excesso e dar uma visão distorcida e/ou incoerente com a que o autor idealizou?

Paulo Goulart: Não. Quando você pega um texto e quer dar uma visão autoral você sempre estará ajudando. Sempre estará abastecendo e o autor ou diretor acaba chegando e dizendo o que você fez de bom em tal capítulo e onde você deve maneirar. Por isso tem que ter cuidado também até pra não bater de frente com quem dirige. Então tudo é um pouco simulado, é um processo coletivo.

Jéfferson Balbino: No remake da novela “Mulheres de Areia” (TV Globo/1993) você deu um show de interpretação vivendo o vilão Seu Donato que numa cena antológica da trama tenta estuprar a própria enteada... Como você trabalhou o perfil psicológico desse personagem?

Paulo Goulart: Foi tão simples... Quando você tem uma pessoa já de uma determinada faixa etária e que se interessa por uma menina jovem entra o lado passional então entrou no passional vale tudo, ai não adianta querer ficar mocinho ou não, em nome do amor arrebenta o que precisar e eu utilizei isso em “Mulheres de Areia”.

Jéfferson Balbino: Então não é tão difícil para o ator dar vida a um vilão?

Paulo Goulart: Não, ao contrário, pois você tem o protagonista e o antagonista, se você é antagonista não pode ter receio tem que ir fundo, porque é o que dá o equilíbrio.

Jéfferson Balbino: Você também atuou em diversas minisséries como: “Chapadão do Bugre” (Band/1988), “Incidentes em Antares” (TV Globo/1994), “O Auto da Compadecida” (TV Globo/1999), “Aquarela do Brasil” (TV Globo/2000), “O Quinto dos Infernos” (TV Globo/2002), “JK” (TV Globo/2006), “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes” (TV Globo/2007) e “Som & Fúria” (TV Globo/2009). O processo de composição de um personagem de minissérie é diferente do personagem de novela?

Paulo Goulart: Na essência não, mas na forma talvez um pouco. Na novela você ganha tempo por ser uma obra aberta e dá tempo de você se enquadrar. A novela te permite fazer experiências, mudar coisas, e a minissérie não dá pra mexer, é como Cinema.

Jéfferson Balbino: Pra elucidar melhor sua explanação então podemos tomar como exemplo seu personagem na novela “Esperança” (TV Globo/2002) que quando estava sendo escrito pelo autor Benedito Ruy Barbosa era um personagem bom e quando o autor Walcyr Carrasco assumiu a autoria da novela ele passou a ser um personagem mal, portanto por ser uma novela houve tempo de você encontrar esse outro lado do personagem... E se fosse minissérie não seria possível já que é uma obra fechada...

Paulo Goulart: Exato! Perfeito Jéfferson você colocou direitinho (risos).

Jéfferson Balbino: Na Bandeirantes você também atuou nas novelas: “A Idade da Loba” (TV Globo/1995) e “O Campeão” (TV Globo/1996). Como foi trabalhar na teledramaturgia da emissora?

Paulo Goulart: Na realidade foi o [Walter] Avancini que foi pra Bandeirantes e ele levou as pessoas que estavam ainda em negociações na reforma de contrato na Globo, nos fomos levados todos pelo Avancini que foi quem dirigiu essas novelas.

Jéfferson Balbino: Quais são os ingredientes que você usa pra criar um bom personagem? Como, por exemplo, não abrir mão de algum elemento cênico durante o processo de composição de um personagem?

Paulo Goulart: Não! Eu tenho sempre uma curiosidade para encontrar novos caminhos. Então eu, por exemplo, faz tempo que estou aguardando que venha algum personagem que não mostre muito o rosto, o que não é normal. E aí você entra no ‘polianesco’, entra na coisa misteriosa então dentro disso quanto mais você tiver participando de tudo e não dizendo nada ou fazendo nada você é um dos suspeitos.

Jéfferson Balbino: Você fez um primoroso trabalho na novela “A Padroeira” (TV Globo/2001) onde você interpretou o Dom Lourenço que é uma trama que é uma trama que não é muito lembrada pelo público. Como você se sente quando atua numa novela como essa que não faz tanto sucesso com os telespectadores? Se sente culpado? Tenha encontrar o fator responsável?

 

Paulo Goulart: Não, não... A novela é uma obra coletiva, não tem essa coisa de falar que aquele é um bom autor ou não... E se pensar essas coisas você vai criando processos de vaidades, começa a criar determinados conceitos que não vale a pena.



Escrito por jéfferson às 20h58
- Comente aqui


Deixe o seu comentário.





Entrevista Especial com PAULO GOULART

 

Jéfferson Balbino: Qual foi o trabalho mais marcante que você fez no Teatro?

Paulo Goulart: O teatro já é outra linguagem, outra coisa, o teatro é uma arte viva, já que tem a presença das pessoas, então existem técnicas e processos que são em realidade bem rudimentares. Pra você chegar à obra de Shakespeare, por exemplo, como se realiza, já é outra história então a arte de representar dentro de uma forma bem primaria, é a arte de saber ouvir. Quer ver Jéfferson como é fácil? A plateia está lá e eu aqui contracenando com você, agora diz pra mim a frase: “Seu pai morreu”...

Jéfferson Balbino: [interpretando] Seu pai morreu...

Paulo Goulart: [interpretando] Graças a Deus... (risos)...

Jéfferson Balbino: Entendi (risos)...

Paulo Goulart: Isso que significa a pausa, quando eu viro pra cá, estou olhando para a plateia, e olhar para a plateia é um close. Seu pai morreu, dá um close, daí fala mais alguma outra coisa, é outro close, você não reage, aí quando você levanta a cabeça o tempo é seu.

Jéfferson Balbino: Mas se você pudesse escolher uma peça, que mais te marcou ao longo de sua brilhante carreira qual seria?

Paulo Goulart: Olha meu caro Jéfferson, eu sou um ator que fez muita peça shakespeariana, por incrível que pareça, eu fiz “A Megera Domada”, uma com o Fagundes, onde ele fazia um rei e eu outro rei... Mas na realidade não deixa de ser a próxima... Um espetáculo teatral é uma arte viva que tem um processo extremamente primaria na comunicação e na forma de interpretação no veiculo.

Jéfferson Balbino: Você também fez parte do elenco da novela “América” (TV Globo/2005) e nos bastidores dessa trama ocorreu um desentendimento do diretor Jayme Monjardim com a autora Glória Perez o que resultou numa troca de direção. Um fato como esse chega a atrapalhar o elenco?

Paulo Goulart: Chega, nesse caso especifico já que você colocou os dois, o [Marcos] Schetmann trabalhou em outras novelas juntos com o Jayme [Monjardim]. Então existe uma sintonia, uma similaridade, não era uma coisa estranha, mas sempre quando tem desentendimentos surge problemas, mas temos que encontrar a forma pra superar.

Jéfferson Balbino: Dentro da nossa rica teledramaturgia brasileira, há algum personagem que foi interpretado por outro ator que você gostaria de ter feito se tivesse oportunidade?

Paulo Goulart: Não, não tem nenhuma coisa assim tão especifica não. A televisão é passível de novas formas. Eu quero fazer uma novela, como te disse agora a pouco, onde o personagem não precisa mostrar tanto o rosto, quando eu conseguir fazer daí você vê e diz: “O Paulo conseguiu...” (risos).

Jéfferson Balbino: Atualmente houve toda uma polêmica em torno da atriz Marina Ruy Barbosa que parece que não quis raspar o cabelo por conta da doença de sua personagem na novela “Amor à Vida” (TV Globo/2013). Você como ator se recusaria a fazer alguma coisa como, por exemplo, um beijo gay?

Paulo Goulart: Não me recusaria não, desde que você tenha isso bem posicionado não precisa recusar. Eu já fiz mulher em teatro, então é uma coisa que é sua profissão e que deixa muito em aberto, é você que tem que conduzir e não o publico te conduzir.

Jéfferson Balbino: Então você nunca colocaria a vaidade em detrimento de um personagem?

Paulo Goulart: Não, isso é bobagem. Chega a ser um atraso para o ator, mas cada um é cada um, cada um tem uma maneira de encarar as coisas, se você já fez teatro grego, se você já fez Shakespeare tudo isso vai te alicerçando.

Jéfferson Balbino: Você também atuou na novela “Pé na Jaca” (TV Globo/2006), o que você ressaltaria do texto do nosso querido Carlos Lombardi?

Paulo Goulart: É o mesmo [Carlos] Lombardi que foi pra Record?

Jéfferson Balbino: Sim, é o mesmo Lombardi...

Paulo Goulart: Que engraçado rapaz...

Jéfferson Balbino: Por quê? (risos)

Paulo Goulart: É que tem autores que não, as vezes, não faz nenhum contato com você.

Jéfferson Balbino: Ele não faz contatos com os atores das novelas dele?

 

Paulo Goulart: Comigo nunca fez! Então [quando isso acontece] eu sempre fico pensando: ‘Será que o sujeito não gosta muito de mim?’, mas é claro que a gente tem que ser muito profissional.



Escrito por jéfferson às 20h56
- Comente aqui


Deixe o seu comentário.





Entrevista Especial com PAULO GOULART

 

Jéfferson Balbino: O Paulo, mas é interessante você tocar nesse assunto porque já entrevistei dezenas de atores que me disseram que a Ivani Ribeiro também não tinha contato com eles, alguns ainda disseram que sequer conhecia pessoalmente ela...

Paulo Goulart: Não, não! Naquela época os autores não tinham mesmo muito contato como agora, mas ela de vez em quando ela nos chamava para tomar um chazinho com ela à tarde, ela tinha suas preferencias, mas era muito discreta pra não criar nenhum tipo de proteção porque aí desanda tudo (risos).

Jéfferson Balbino: Qual foi sua fonte de inspiração pra interpretar o mau caráter Severo Tardivo na novela “Cama de Gato’ (TV Globo/2009)?

Paulo Goulart: Você sabe que eu não me lembro mais rapaz? Eu de modo geral não pego nenhum coisa especifica de filme ou de coisa que eu tenha visto, eu procuro no próprio texto. Num texto, sempre tem uma fala que você usando bem pode dar um recadinho bem interessante. Porque no ensaio tem um monte de gente, arrumando luz, fazendo não sei mais lá o que, é uma zorra terrível.

Jéfferson Balbino: Até então seu último trabalho na TV foi na série “Louco por Elas” (TV Globo/2012) e em novelas foi em “Morde e Assopra” (TV Globo/2011). Já tem planos e/ou projetos de retornar a televisão?

Paulo Goulart: Não meu caro, ainda não tenho nenhuma coisa estabelecida não!

Jéfferson Balbino: Mas pretende retornar logo para as novelas né?

Paulo Goulart: Eu ainda estou numa fase de recuperação, melhorando... Mas quero voltar a atuar logo!

Jéfferson Balbino: Você é o patriarca desse belíssimo clã artístico, um dos principais protagonistas dessa história de sucesso da teledramaturgia brasileira, sempre povoou nosso imaginário com marcantes personagens e com suas inesquecíveis interpretações. Você acredita ter chegado ao apogeu de sua carreira?

Paulo Goulart: Ah não, essa coisa de apogeu não faz parte do meu universo não!

Jéfferson Balbino: E o que você considera ter sido sua maior contribuição na história da teledramaturgia brasileira?

Paulo Goulart: Eu saber distinguir bem cada veículo que eu participo, porque cada um tem a sua linguagem própria. Porque teatro é uma coisa, televisão é uma coisa e cinema é outra coisa. Tem linguagens próprias, parcerias próprias então dentro disso tudo você tem que saber que peça você é dentro desse coletivo... O mais importante disso tudo é você ter prazer de estar atuando dentro de alguma coisa.

Jéfferson Balbino: Antes de finalizarmos: Quais foram as melhores novelas que você já assistiu?

Paulo Goulart: Eu assisto novelas sim, e de modo geral eu não gosto das coisas que eu faço (risos). Mas não tem como citar!

Jéfferson Balbino: E, entre os trabalhos que a Nicette fez qual você considera o melhor?

Paulo Goulart: Ah a Nicette tem um trabalho magnifico da época da TV Tupi...

[Nicette Bruno atenta à entrevista e com os olhos repletos de admiração pelo marido fala junto com ele o nome da novela...]

Paulo Goulart e Nicette Bruno: “Éramos Seis” (risos).

Jéfferson Balbino: Querido, obrigado por me honrar concedendo essa entrevista ao “No Mundo dos Famosos”. Parabéns e muito obrigado por tudo que você e sua magnifica família fez em prol da nossa adorada teledramaturgia. Muita saúde e sucesso a você e aos seus, um grande abraço!

 

Paulo Goulart: Muito obrigado Jéfferson e agora quero ver a entrevista com a minha outra metade (risos).



Escrito por jéfferson às 20h55
- Comente aqui


Deixe o seu comentário.





FIM DE ANO



Escrito por jéfferson às 20h54
- Comente aqui


Deixe o seu comentário.





Ainda Hoje: PAULO GOULART



Escrito por jéfferson às 20h52
- Comente aqui


Deixe o seu comentário.



Histórico:

- 26/01/2014 a 01/02/2014
- 19/01/2014 a 25/01/2014
- 12/01/2014 a 18/01/2014
- 05/01/2014 a 11/01/2014
- 29/12/2013 a 04/01/2014
- 22/12/2013 a 28/12/2013
- 08/12/2013 a 14/12/2013
- 01/12/2013 a 07/12/2013
- 24/11/2013 a 30/11/2013
- 17/11/2013 a 23/11/2013
- 10/11/2013 a 16/11/2013
- 03/11/2013 a 09/11/2013
- 27/10/2013 a 02/11/2013
- 20/10/2013 a 26/10/2013
- 13/10/2013 a 19/10/2013
- 06/10/2013 a 12/10/2013
- 29/09/2013 a 05/10/2013
- 22/09/2013 a 28/09/2013
- 15/09/2013 a 21/09/2013
- 08/09/2013 a 14/09/2013
- 01/09/2013 a 07/09/2013
- 25/08/2013 a 31/08/2013
- 18/08/2013 a 24/08/2013
- 11/08/2013 a 17/08/2013
- 04/08/2013 a 10/08/2013
- 28/07/2013 a 03/08/2013
- 21/07/2013 a 27/07/2013
- 14/07/2013 a 20/07/2013
- 07/07/2013 a 13/07/2013
- 23/06/2013 a 29/06/2013
- 16/06/2013 a 22/06/2013
- 09/06/2013 a 15/06/2013
- 02/06/2013 a 08/06/2013
- 19/05/2013 a 25/05/2013
- 12/05/2013 a 18/05/2013
- 05/05/2013 a 11/05/2013
- 28/04/2013 a 04/05/2013
- 21/04/2013 a 27/04/2013
- 14/04/2013 a 20/04/2013
- 07/04/2013 a 13/04/2013
- 31/03/2013 a 06/04/2013
- 24/03/2013 a 30/03/2013
- 17/03/2013 a 23/03/2013
- 10/03/2013 a 16/03/2013
- 24/02/2013 a 02/03/2013
- 17/02/2013 a 23/02/2013
- 10/02/2013 a 16/02/2013
- 27/01/2013 a 02/02/2013
- 20/01/2013 a 26/01/2013
- 06/01/2013 a 12/01/2013
- 23/12/2012 a 29/12/2012
- 09/12/2012 a 15/12/2012
- 02/12/2012 a 08/12/2012
- 11/11/2012 a 17/11/2012
- 04/11/2012 a 10/11/2012
- 28/10/2012 a 03/11/2012
- 21/10/2012 a 27/10/2012
- 14/10/2012 a 20/10/2012
- 07/10/2012 a 13/10/2012
- 23/09/2012 a 29/09/2012
- 26/08/2012 a 01/09/2012
- 19/08/2012 a 25/08/2012
- 22/07/2012 a 28/07/2012
- 15/07/2012 a 21/07/2012
- 01/07/2012 a 07/07/2012
- 24/06/2012 a 30/06/2012
- 17/06/2012 a 23/06/2012
- 10/06/2012 a 16/06/2012
- 03/06/2012 a 09/06/2012
- 27/05/2012 a 02/06/2012
- 20/05/2012 a 26/05/2012
- 13/05/2012 a 19/05/2012
- 06/05/2012 a 12/05/2012
- 29/04/2012 a 05/05/2012
- 22/04/2012 a 28/04/2012
- 08/04/2012 a 14/04/2012
- 01/04/2012 a 07/04/2012
- 25/03/2012 a 31/03/2012
- 18/03/2012 a 24/03/2012
- 11/03/2012 a 17/03/2012
- 04/03/2012 a 10/03/2012
- 26/02/2012 a 03/03/2012
- 19/02/2012 a 25/02/2012
- 12/02/2012 a 18/02/2012
- 05/02/2012 a 11/02/2012
- 29/01/2012 a 04/02/2012
- 22/01/2012 a 28/01/2012
- 15/01/2012 a 21/01/2012
- 08/01/2012 a 14/01/2012
- 25/12/2011 a 31/12/2011
- 18/12/2011 a 24/12/2011
- 11/12/2011 a 17/12/2011
- 04/12/2011 a 10/12/2011
- 27/11/2011 a 03/12/2011
- 20/11/2011 a 26/11/2011
- 13/11/2011 a 19/11/2011
- 06/11/2011 a 12/11/2011
- 30/10/2011 a 05/11/2011
- 23/10/2011 a 29/10/2011
- 16/10/2011 a 22/10/2011
- 02/10/2011 a 08/10/2011
- 25/09/2011 a 01/10/2011
- 18/09/2011 a 24/09/2011
- 11/09/2011 a 17/09/2011
- 04/09/2011 a 10/09/2011
- 28/08/2011 a 03/09/2011
- 21/08/2011 a 27/08/2011
- 14/08/2011 a 20/08/2011
- 07/08/2011 a 13/08/2011
- 26/06/2011 a 02/07/2011
- 12/06/2011 a 18/06/2011
- 05/06/2011 a 11/06/2011
- 22/05/2011 a 28/05/2011
- 08/05/2011 a 14/05/2011
- 24/04/2011 a 30/04/2011
- 17/04/2011 a 23/04/2011
- 10/04/2011 a 16/04/2011
- 03/04/2011 a 09/04/2011
- 27/03/2011 a 02/04/2011
- 20/03/2011 a 26/03/2011
- 13/03/2011 a 19/03/2011
- 06/03/2011 a 12/03/2011
- 27/02/2011 a 05/03/2011
- 13/02/2011 a 19/02/2011
- 06/02/2011 a 12/02/2011
- 30/01/2011 a 05/02/2011
- 23/01/2011 a 29/01/2011
- 16/01/2011 a 22/01/2011
- 09/01/2011 a 15/01/2011
- 02/01/2011 a 08/01/2011
- 26/12/2010 a 01/01/2011
- 19/12/2010 a 25/12/2010
- 12/12/2010 a 18/12/2010
- 05/12/2010 a 11/12/2010
- 28/11/2010 a 04/12/2010