Entrevista Especial com NICETTE BRUNO

 

A “Entrevista mais que Especial” de hoje, já em comemoração ao Natal é com uma tremenda atriz, dona de um talento imensurável, uma simpatia estonteante, um carinho extremo com o público e muito amor e dedicação por tudo que faz, ela é uma das maiores responsáveis pela Arte no Brasil, ela e sua família, que é por sinal um renomado clã artístico, trouxe muito beneficio em prol da Cultura brasileira como o projeto “Teatro nas Universidades”. Na televisão ela viveu marcantes personagens que povoam nosso imaginário e habita em nosso coração. Recentemente estive na residência dessa magnânima atriz e fui recebido com tanto carinho, por ela e seu esposo, o também ator Paulo Goulart. E foi muito gratificante almoçar com esse maravilhoso casal de atores e juntos passarmos uma tarde memorável. E nada melhor de passarmos a semana do Natal aqui “No Mundo dos Famosos” com essa artista que acima de tudo é uma grande mulher, um exemplo de honestidade, um ser humano extraordinário e isso tudo é visível na atriz espetacular que ela é. Minha entrevistada é a querida NICETTE BRUNO.

“Jéfferson eu amo tudo o que faço, amo as pessoas, amo muito e exercito esse sentimento naturalmente, nada na minha vida eu faço forçada, eu vivo e convivo com a verdade.”

(Nicette Bruno)

Jéfferson Balbino: Apesar de você ter nascido numa família com uma forte ligação artística, ainda assim em algum determinado momento de sua infância ou adolescência você cogitou seguir outro tipo de carreira?

Nicette Bruno: Absolutamente nada (risos)... Eu só pensava em ser artista mesmo, ser atriz. Certa vez achei e pensei que seguiria a carreira de concertista, mas o Teatro chegou e tomou espaço.

Jéfferson Balbino: Mas você tinha muita vontade em ser concertista?

Nicette Bruno: Olha Jéfferson, essas demonstrações artísticas sempre me entusiasmam, enquanto eu estava estudando piano, enquanto eu me preparava para as audições de piano e tudo eu achava que aquele era o meu maior momento, mas depois quando eu comecei com o Teatro a coisa foi tomando um peso tão grande na minha vontade, na minha dinâmica de vida que eu já não pensei mais e tudo passou a ser um complemento de uma coisa pra outra, porque a música, mesmo você sendo ator ou atriz, como no meu caso, faz parte do estudo, do exercício profissional, então as coisas estão interligadas.

Jéfferson Balbino: Na sua biografia você fala que aprendeu desde cedo “que nenhum papel se constrói sem pesquisas exaustivas e concentração absoluta”. Como é, e quanto tempo dura o processo de composição de suas personagens?

Nicette Bruno: É relativo porque cada personagem é uma individualidade diferente, então ás vezes, normalmente os personagens nas historias aparecem a partir de um determinado ponto de vida, às vezes, as características são muito evidentes do que foi o começo de vida desses personagens, as suas raízes, a sua formação... De qualquer maneira é importante que a gente pesquise isso pra começar a conhecer um pouco aquela pessoa que vai conviver com a gente durante um tempo.

Jéfferson Balbino: Quando você termina um trabalho você se sente um pouco órfã por ter que deixar aquele ser com quem você conviveu durante um determinado período de tempo?

Nicette Bruno: Não Jéfferson, porque a gente não deixa nunca, os personagens ficam armazenados em nossa memória, na nossa existência mesmo, porque é uma troca, nós emprestamos todo o nosso instrumento, como corpo, voz, imaginário, pensamento... E recebemos dele tudo novo que ele nos revela, então é uma troca.

Jéfferson Balbino: Sua estreia na teledramaturgia aconteceu na novela “Os Fantoches” (TV Excelsior/1967). Porém, antes de começar atuar em novelas você já tinha uma sólida e consagrada carreira no Teatro. Ao começar atuar na televisão, mais especificamente em novelas, gerou certa estranheza pra você já que vinha do Teatro onde a dimensão é diferenciada?

Nicette Bruno: Isso foi no meu retorno Jéfferson, porque eu já havia participado de uma das primeiras novelas da TV Tupi chamada: “A Corda” que foi baseada num filme do Ritchkov...

Jéfferson Balbino: Infelizmente não encontrei informações e/ou notícias que você fez essa novela...

 

Nicette Bruno: Não há informações porque naquela época era televisão ao vivo, as novelas eram vespertinas, eram exibidas três vezes por semana, era mais uma espécie de teleteatros subdivididos em alguns capítulos. Então eu participei de alguns da Tupi, que na época era a emissora que existia nesse sentido, onde fiquei muito tempo antes de ir viajar pro Sul fiz muito teleteatro na Tupi do Rio e na de São Paulo, porque nossa vida sempre foi divida entre essas duas cidades, enfim fiz muito teleteatro. 



Escrito por jéfferson às 23h41
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Entrevista Especial com NICETTE BRUNO

 

Jéfferson Balbino: E quando você começou a fazer televisão você sentiu alguma estranheza já que no Teatro, diferente da TV, tem toda àquela enorme dimensão?

Nicette Bruno: Não conscientemente. Porque inicialmente fazíamos teleteatros. A televisão era um ‘bico’ para o artista. Nós tínhamos as companhias de teatro, tínhamos a nossa vida voltada pra realização teatral e normalmente depois que voltávamos é que íamos ensaiar porque geralmente era uma vez por semana que ocorria o teleteatro. Eu tinha na TV Paulista, que depois viria a ser a TV Globo, o programa “Teleteatro Nicette Bruno” onde fiz durante 1 ano e a cada semana era realizada uma peça diferente com vários autores, de vários estilos, peças dramáticas, peças contemporâneas... Então quando me casei, nós casamos numa sexta-feira que antecedia o Carnaval porque era o único momento que teríamos livres era no Carnaval, mas nas sextas-feiras que era exibido o “Teleteatro Nicette Bruno” então combinamos com o patrocinador pra nessa sexta-feira eles exibirem o nosso casamento e por isso durante os dias de lua de mel que foram passados em Mairiporã nós ficamos ensaiando uma peça chamada “Ciúme” que era duas personagens e dirigidas pelo Ruggiero Jacobi que era diretor da televisão e que foi nosso padrinho de casamento. E nós retornamos da lua de mel na quarta-feira de cinzas e na sexta encenamos essa peça. Ficamos um tempo fazendo esse trabalho na televisão, mas depois a telenovela com o vídeo tape só aconteceu em nossa vida no nosso retorno de Curitiba porque ficamos um período morando em Curitiba, onde passamos 4 anos e meio lá, nós trabalhamos na TV Associada que seria a Tupi de lá, onde nós fazíamos também um programa semanal chamado “Dona Jandira em busca da Felicidade”, que nós começamos aqui no Rio na TV Continental, tudo ao vivo e era a história de um casal seria uma espécie do que é  “A Grande Família”, então era esse estilo o programa que fazíamos tanto que era o Guiaroni que escrevia e ele pegava acontecimentos da semana e ele fazia o teleteatro baseado nesses acontecimentos onde o casal da historia vivenciavam aquilo que tinha ocorrido na realidade. E quando eu engravidei da Beth o Paulo falou com o Guiaroni que fez com que a Dona Jandira também engravidasse e 20 dias antes da Bethinha nascer que foi quando o médico disse que eu teria que parar aí avisamos o Guiaroni e o último programa dessa série foi quando o marido ia levando a Jandira pra maternidade.

Jéfferson Balbino: Nessa época alguns atores de teatro tinham um certo preconceito de irem pra televisão não é?

Nicette Bruno: Sabe Jéfferson, não chegava a ser preconceito não, todos se entusiasmaram com a chegada da televisão, foram poucos os que achavam que era uma arte menor, e depois a televisão não interferia no teatro, só depois que ela adquiriu um outro lugar na vida do ator que elas foram se complicando na vida do ator e o teatro foi perdendo espaço. Mas no começo não, eu sempre achei a televisão um veiculo fantástico, eu só questionava apenas a programação que eu achava que era de uma força enorme a interferência na vida das pessoas, então existe uma possibilidade de respeito realizada, mas acho que a televisão brasileira passa por vários momentos, a tecnologia hoje em dia nos leva a um patamar de realizações que nos orgulha, é importante que a gente critique, analise e trabalha pra melhorar o conteúdo das realizações de novelas mesmo, nós tivemos novelas literárias da maior importância e temos granes autores que se dedicaram a teledramaturgia, as vezes, a coisa esbarrava, mas isso é normal no cotidiano da gente e da vida.

Jéfferson Balbino: O seu primeiro sucesso televisivo ocorreu quando você protagonizou a novela “A Gordinha” (TV Tupi/1970)... A que você atribui o imenso sucesso desse trabalho?

Nicette Bruno: Eu não diria que tenha sido o primeiro não... Porque antes eu havia feito “A Muralha” que foi um sucesso enorme, lá em São Paulo a Excelsior era mais voltada pra telenovela e a Excelsior do Rio era mais voltada para os musicais então nos fizemos obras como “A Muralha”, “Minas de Prata”, que o Paulo fez e foi um trabalho belíssimo, “Sangue do meu Sangue”, que foi uma novela impecável, então todos esses trabalhos que fiz foram da maior importância inclusive “Sangue do meu Sangue” que eu protagonizei com o [Francisco] Cuôco. Então foram trabalhos importantes e daí quando terminou a Excelsior que eu fui em 1970 pra Tupi onde eu fiz “A Gordinha” que foi uma novela de comedia feita por um bom autor, o Jockman é um gaúcho de um lado de humor interessante, com direção do Antônio Abujamra que sempre dá um toque de modernidade em tudo que ele realiza, então talvez essa maneira, quase seria uma anti-heroína e que caiu no gosto do público.

Jéfferson Balbino: Você acredita que comédia é mais fácil pra cair no gosto do público?

Nicette Bruno: Não Jéfferson, no nosso oficio não tem nada fácil. Mas eu acho que a realização da comedia tem uma dificuldade muito grande porque a comedia deve ser realizada pra quem faz com seriedade e no drama as emoções são a flor da pele, então você tem que ter uma dosagem, não pode aprofundar no drama porque se não deixa de ter graça, ou seja você tem que ter todo esse jogo, e é essa a nossa profissão. É um grande jogo, às vezes, é um pouco mais complicado você puxar através do humor o riso do expectador. É a coisa do que é a emoção, tudo é difícil na nossa profissão.

Jéfferson Balbino: Que lembranças você tem da professora Cecília que você interpretou na versão original da novela “Meu Pé de Laranja Lima” (TV Tupi/1970)?

 

Nicette Bruno: É uma graça, era uma personagem deliciosa, foi uma direção primorosa do Carlos Zara, tive uma parceria extraordinária com o [Gianfrancesco] Guarnieri, com a Vivinha [Eva Wilma], com o próprio menino que fazia o Zezé, foi uma novela muito agradável de fazer, foi uma produção muito gostosa e a professoriha é aquela personalidade que cativa, e como todo personagem fica armazenado em mim, eu costumo dizer que tenho todos os personagens que fiz departamentalizado na minha cabeça (risos).



Escrito por jéfferson às 23h39
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Entrevista Especial com NICETTE BRUNO

 

Jéfferson Balbino: E já ocorreu algum fato inusitado de você dormir e chegar a sonhar com alguma personagem que você tenha feito?

Nicette Bruno: Isso ocorre, às vezes, quando estou criando uma personagem, eu não me lembro exatamente quais sonhos, mas sonhei, porque aquilo fica de madrugada e penetra no imaginário e você exercita até encontrar e achar. Através do comportamento da personagem nos diálogos existentes das cenas você encontra o começo do fio da meada desse personagem que vai te acompanhar durante algum período...

Jéfferson Balbino: E como foi dar vida a Dona Lola na versão original da novela “Éramos Seis” (TV Tupi/1977)?

Nicette Bruno: Foi maravilhoso Jéfferson... Foi um trabalho que exigiu muito de mim porque eu tinha que buscar uma emoção conhecida porque e também já era mãe e sempre tive um sentido de família muito forte e vivenciar aquela mulher na sua forma humanitária e embora ela não alongasse a sua emoção e o seu sentimento de amor para outras pessoas, ela formou tudo dentro daquele seu universo, daquela sua família... E ela foi sofrendo todos os embates da vida e a cada capítulo que eu lia, é claro que primeiro eu li a obra [o livro de Maria José Dupré], e depois eu ia lendo os capítulos da adaptação do Silvio de Abreu e do Rubens Edwald Filho, que juntos fizeram um trabalho primoroso, onde foram fieis a obra, mas eles tinham todo o dado dramatúrgico necessário para a criação de um trabalho e isso exigiu de mim e de todos nós que trabalhávamos que exercitassem todo o nosso lado de emoção que, às vezes, era misturado com o nosso próprio sentimento.

Jéfferson Balbino: Foi uma espécie de exercício a flor da pele então...

Nicette Bruno: Ah foi... Esse trabalho foi, mesmo porque na trajetória da Dona Lola foi muito tocante e chegou naquele final naquela solidão onde ela ficou completamente só após viver uma vida de amor e compreensão, de ternura, de entendimento e de união terminar sozinha e do jeito que ela terminou foi uma coisa muito doida, até pra mim.

Jéfferson Balbino: E como foi pra você ver essa sua marcante personagem sendo defendida pela atriz Irene Ravache no remake de “Éramos Seis” (SBT/1994)?

Nicette Bruno: Foi interessante porque você entra uma analise daquilo que você realizou e das coisas diferenciadas e boas que a outra esta realizado e você vai vendo a mudança do tempo, das coisas como foram feitas no passado e como estão sendo feitas a atualidade. É claro que ambas foram de bom nível então é interessante você assistir os remakes...

Jéfferson Balbino: Mas nesse e/ou em outros remakes não causa em você certo ciúme de ver aquela personagem que era sua sendo vivenciada por outra atriz?

Nicette Bruno: Isso vai de muita individualidade e eu sou uma pessoa que não tenho esse sentindo de egocentrismo, então quando eu vejo um trabalho de um colega eu procuro analisar com a maior abertura pra ver mesmo o que a pessoa está fazendo. E aí eu autoanaliso também o meu trabalho, mas num sentido profissional e não no sentido de ciúme e de sentimento menor, porque isso graças a Deus eu não tenho (risos).

Jéfferson Balbino: Você também fez parte do elenco da novela “Como Salvar Meu Casamento” (TV Tupi/1979) que não foi concluída devido à falência da emissora. Foi traumatizante pra você não ter finalizado esse trabalho sendo obrigada a ‘abandonar’ a personagem?

Nicette Bruno: Esse foi outro momento que ficou frustrado... Porque justamente no momento em que a personagem ia dar a volta por cima, porque ela sempre havia sido subjugada, e quando ela ia tomar o direito de ser mulher e dar a volta a novela acabou (risos).

Jéfferson Balbino: E foi traumatizante pra você não saber o final da sua personagem, não vivencia-la completamente?

Nicette Bruno: Foi mais traumatizante o termino de uma emissora, isso foi terrível, foi uma pena. Aliás, eu vivenciei esse sentido de perda várias vezes, pois eu estava fazendo trabalho na TV Rio quando ela acabou, na TV Excelsior quando acabou, na TV Continental quando terminou devido ao fogo que pegou e nunca mais fez outra... Então em todos esses momentos eu sempre tive frustração também de faturamento, pois eles ficavam devendo pra todo mundo, e a gente acabava trabalhando sem receber (risos), então foi um exercício de tolerância, paciência e determinação. E, sobretudo, de consciência que a nossa profissão é um ato de resistência.

Jéfferson Balbino: Recentemente o [Carlos] Lombardi declarou ter vontade de reescrever essa novela...

Nicette Bruno: Seria muito bom mesmo. A autora titular era a Edy Lima, ele era o colaborador, então seria interessante ele assumir a autoria agora...

Jéfferson Balbino: Você já declarou que ‘o verdadeiro ator está sempre recomeçando’... O que seria esse ato de recomeçar?

Nicette Bruno: É porque a vida é um grande aprendizado, estamos a cada momento tendo surpresas e novos conceitos, novas formas, novas maneiras então é isso que acontece... Eu sempre procuro ter contato com essa nova geração, com esses novos atores que contracenam comigo, nós fazemos uma troca onde eu procuro transmitir conhecimentos e receber deles conhecimento novo, uma nova postura de encarar qualquer situação e na maioria das vezes eu me surpreendo. Então esse recomeço serve pra sabermos que ninguém é dono da verdade e que ninguém sabe, ninguém sabe muito, sempre tem o que se aprender então um conhecimento de um personagem, por exemplo, é um recomeço, porque eu não sei o que irá viver comigo durante muito tempo e aí a importância da pesquisa e da busca.

Jéfferson Balbino: Então mesmo você sendo uma das maiores e melhores atrizes de todos os tempos do nosso país ainda assim se vê na necessidade de recomeçar?

Nicette Bruno: Claro querido...

Jéfferson Balbino: Mesmo tendo construindo ao longo de todos esses anos uma belíssima carreira, uma admirável trajetória profissional?

Nicette Bruno: Jéfferson, o dia que eu achar que não preciso aprender mais nada, que já sei tudo é melhor eu ficar na minha casa do que ir trabalhar.

Jéfferson Balbino: Sem modéstia (risos)?

Nicette Bruno: Sem modéstia, ao contrário! Recentemente eu estava na maior ansiedade pra saber como seria a minha personagem em “Joia Rara”, então eu estudei, busquei informações, às vezes estou indo pra algum lugar e vem a dona Santinha na minha cabeça e eu já penso como ela reagiria num momento como aquele... Então eu estou sempre buscando, sempre analisando, sempre observando, então esse é um recomeço de emoções de coisas novas.

Jéfferson Balbino: Então o ator nunca estará 100% pronto?

 

Nicette Bruno: Nunca! Não está mesmo porque cada personagem de cada obra é diferenciado. Não adianta eu ter feito um grande sucesso numa obra passada se eu não acerta o personagem que realizo no momento, e isso pode acontecer você pode se equivocar, pode tentar e não conseguir, você pode buscar uma maneira de atuar e não chegar ao entendimento do público e ás vezes é mais fácil alguém se lembrar de um deslize do que de um acerto seu (risos).



Escrito por jéfferson às 23h37
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Entrevista Especial com NICETTE BRUNO

 

Jéfferson Balbino: Sua estreia nas novelas da Globo ocorreu em “Sétimo Sentido”. Como foi estrear na teledramaturgia da emissora numa trama da magistral novelista Janete Clair?

Nicette Bruno: Nessa novela eu fui a mãe da Regina [Duarte], eu já conhecia de antes a Janete [Clair] embora nunca houvesse trabalhado numa novela dela. O meu retorno de Curitiba foi na novela “Os Fantoches” da Ivani Ribeiro na Excelsior, fiz as novelas na Tupi e depois vim pra Globo pra fazer o seriado “Obrigado Doutor”, éramos o [Francisco] Cuôco e eu e depois que fiz o “Sétimo Sentido” que foi muito bom porque a Janete tinha um jeito de escrever muito parecido com a Ivani, elas fizeram muitas novelas radiofônicas e tinha muita experiência em escrever.

Jéfferson Balbino: E como era seu contato com essas inesquecíveis novelistas: Janete Clair e Ivani Ribeiro?

Nicette Bruno: A Ivani sempre fazia reuniões na casa dela, festas mesmo onde ela nos convidava e ela era muito agradável e nessas reuniões nós conversávamos e ela falava sobre os personagens, o rumo que eles teriam de acordo com o pensamento dela, o que tinha desviado, então era muito interessante esse convívio porque elucidava algumas duvidas. A Ivani ficava muito em São Paulo e ate pouco tempo atrás as coisas que aconteciam em São Paulo ficavam só regional. Já a Imprensa do Rio, talvez pela cidade ter sido capital do Brasil, sempre dominou todo o país.

Jéfferson Balbino: A Laura Cardoso me disse quando eu a entrevistei que a Ivani Ribeiro era muito reservada e que ela não gostava de aparecer na mídia...

Nicette Bruno: Sim por conta de morar em São Paulo também, já a Janete aparecia um pouco mais em função do próprio Dias [Gomes] então eles tinham uma vida social mais aberta, já a Ivani era mais de fazer reuniões na casa dela, jantares... Era essa a forma dela ter mais convívio com as pessoas.

Jéfferson Balbino: Que lembranças você tem do seu trabalho na novela “Louco Amor” (TV Globo/1983), onde você interpretou a Isolda?

Nicette Bruno: Foi ótimo fazer a Isolda nessa novela do Gilberto Braga e foi uma delicia porque foi uma personagem que vim devagarzinho e era ela que guardava o grande segredo da história que só viria à tona no final da novela.

Jéfferson Balbino: Ao longo de sua carreira você atuou em diversas minisséries como: “Tenda dos Milagres” (TV Globo/1985), “Incidente em Antares” (TV Globo/1994), “Engraçadinha” (TV Globo/1995), “Labirinto” (TV Globo/1998) e “Aquarela do Brasil” (TV Globo/2000). Quais são os benefícios e também as dificuldades em se criar uma personagem de minissérie?

Nicette Bruno: A minissérie ajuda mais a compor as personagens por ser uma obra fechada a gente pode ter uma visão mais ampla do trabalho que vamos realizar e já a novela por ser obra aberta você fica na expectativa de como a coisa vai caminhar não sabendo ao certo como vai ser a caminhada do seu personagem que poderá ser maior ou menor da que você espera. As surpresas que ocorre numa novela que por ser obra aberta você não tem o domínio total de como será a trajetória do seu personagem, embora você objetive um caminho pra ele que as vezes pode agradar o autor e ele desenvolver, mas as vezes não agrada também e ele deixar sua personagem de escanteio né?!

Jéfferson Balbino: É mais do que nítido que o brasileiro não tem como hábito ir ao teatro, e a telenovela é preterida por boa parte das pessoas em detrimento do teatro que infelizmente ainda é visto por muitos como um programa supérfluo e elitista. Você que é uma das maiores atrizes desses dois veículos o que acredita ser necessário pra atrair esse imensurável público das novelas para o teatro?

 

Nicette Bruno: É por isso que se dedicamos ao Teatro nas Universidades e já vamos para o décimo ano, é justamente por isso... Porque há 12 anos numa pesquisa feita 72% de jovens, incluindo universitários, nunca tinham ido ao Teatro. E foi uma coisa que não me chocou tanto, mas na nossa empresa sempre tínhamos uma ligação com estudantes, como alguns espetáculos em horários alternativos para estudantes, mas quando vimos isso nós que estávamos envolvidos no Centro Comercial de São Paulo abrimos esse projeto de partir para a realização dessa natureza de fazermos espetáculos para levarmos nas escolas, nas universidades... E tivemos como parceiro o diretor o Afif Domingos ele também se preocupou, fomos uma vez em uma faculdade que ele trabalhava e ele viu nosso trabalho e nosso interesse e através do trabalho dele nos abriu portas para que pudéssemos contar com a ajuda de grandes empresários como: Antônio Hermírio de Moraes, o Gerdau e uma série de empresas que facilitaram isso e não tinha nenhum custo nem para a Universidade e nem para os alunos, tanto que no começo foi difícil até porque as universidades estranhavam e ficavam com um pé atrás, depois eles começaram a ver o nível dos espetáculos oferecidos eles foi gostando e hoje em dia, por exemplo, não tem como atender a demanda. Já em relação ao fato da novela ser preterida em detrimento do teatro e do fato de várias pessoas encararem o teatro como algo supérfluo ou um programa elitista é devido a educação e, é justamente por isso a nossa preocupação em levar o teatro as universidades que é um trabalho para a formação de público porque nós levamos o Teatro e após o espetáculo temos debates, nós temos debatedores importantes, nós temos elementos dos próprios espetáculos e com isso os alunos vão começando a se interessar por esse veiculo de cultura, de abertura de mente, de pensamento, então costumamos a dizer que nosso trabalho não é de ensinar o que devem pensar, mas de estimular a pensar e isso é a formação do ser, da criatura, a obrigação dos fundamentos básicos do teatro, é uma função do teatro e como a novela atinge a pessoa em casa, não é que o público não goste de assistir um teatro, uma representação, tanto que o público na época dos teleteatros gostavam de ver, ele não tem é o hábito de ir ao teatro. Então isso é questão de educação que começa em casa e depois de obrigação do Estado de fornecer isso que é feito particularmente por um grupo é obrigação de ser feito pelo Estado. Na minha época de estudante na escola que eu frequentei que era o Instituto Lafayette tinha curricular a Expansão Cultural onde nós estudávamos o Teatro Universal, História Universal, além da História do Brasil, nós tínhamos exercícios com os alunos e de 6 em 6 meses tínhamos um espetáculo montado ou de música ou de texto. Havia uma estimulação por gosto de poesia e isso tudo no Colégio que teria que ser conjuntamente trabalhado com as famílias mais isso não aconteceu então não podemos hoje em dia cruzar os braços e temos que ajudar nisso, mesmo embora não vendo os resultados, mas os nossos descendentes com certeza verão. Existe já um interesse por uma parcela de alunos em São Paulo de procurarem por espetáculos para oferecer a Universidades que não tinham condição de se montar um espetáculo e que agora á reformaram seus teatros, já tem espaços... Algumas faculdades já criaram seus grupos de jovens que estão estudando teatro e fazendo teatro na própria Universidade, então é assim a coisa do comecinho, da base...

Jéfferson Balbino: E o que você acredita ser necessário fazer para atrair esse público das novelas para o Teatro?

 

Nicette Bruno: Em primeiro lugar precisa existir toda uma mudança politica de auxilio mesmo ao Teatro. É importante que haja uma conscientização da importância disso, é importante que peça, não basta criar a Lei Rouanet pra incentivo ao Teatro, sem que exista uma consciência real de que aquilo não é um beneficio, mas que aquilo é uma obrigação. Aquilo é um dos elementos básicos de construção do próprio cidadão então considerar teatro e cinema como divertimento, como supérfluo não pode, porque isso é necessidade na formação de um cidadão e de um individuo depende dessa possibilidade cultural de conhecimento e o teatro é um dos elementos para isso.

 

                                                                               

Jéfferson Balbino: Ao longo de sua carreira você atuou em alguns remakes como ocorreram as novelas: “Selva de Pedra” (TV Globo/1986), “Mulheres de Areia” (TV Globo/1993) e em “Ti Ti Ti” (TV Globo/2010). Quando você participa de um remake você chega a assistir a versão original da novela ou até mesmo trocar informações com a atriz que defendeu sua personagem anteriormente?

 

 

Nicette Bruno: Não. É outro momento, as coisas não se repetem, por exemplo, às vezes, você faz um espetáculo e 10 anos depois nos perguntam o porquê de não remontar tal espetáculo e eu sempre digo: porque não é o momento, esse espetáculo teve sua importância naquela época e hoje e dia já é outro, cada dia é diferente, nós somos diferentes a cada dia e a cada momento. Então o remake é feito não para copiar o que já foi feito, mas é uma nova visão do autor que faz a adaptação, então eu procuro não ver nada pra não ter uma influencia porque se você assistiu ficou no seu inconsciente e a sua lembrança e a medida que vai chegando as coisas vão sendo diferentes também.



Escrito por jéfferson às 23h30
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Entrevista Especial com NICETTE BRUNO

 

 

Jéfferson Balbino: Como foi contracenar com a Fernanda Montenegro e o Lima Duarte na novela “Rainha da Sucata” (TV Globo/1990)?

 

Nicette Bruno: Com a Fernanda nós contracenamos desde a estreia dela (risos) e, é sempre agradável contracenar com uma atriz do porte da Fernanda, quando nos encontramos é sempre uma alegria tanto pessoalmente como profissionalmente. Então foi ótimo e nós participamos de momentos ótimos da novela. E com o Lima também fizemos muitas coisas ele é também um ator ótimo. É muito gostoso quando você contracena com alguém que te ilumina pra você também realizar o melhor de você mesma, nem sempre o correto, mas pelo menos o que você espera de melhor de você mesma. E com colegas como a Fernanda e o Lima é uma maravilha.                                                                                                       

Jéfferson Balbino: Ao longo desse ano a novela “Rainha da Sucata” foi reprisada pelo Canal Viva. Você chegou a assistir alguma coisa? Como reagiu ao se rever após tantos anos?

 

Nicette Bruno: Ai meu amor sabe o que acontece nós trabalhamos demais e quando estava passando eu já estava gravando “Joia Rara” e nós estávamos gravando muito cedo, eles me pegavam aqui em casa as 6:45 da manhã pra ir pra lá pra fazer uma externa, mas não é todo dia graças a Deus, mas a gente fica meio zonza né? Pois dia as sete, outro as dez, outro às oito horas... Então depois que você chega do trabalho às dez e meia da noite, depois que você toma seu banho e sua sopinha, você quer dormir (risos). Então não pude ver, vi algumas vezes, mas quando eu vi umas duas vezes só que eu estava na cena, nas outras vezes que vi eu não estava. Mas é sempre muito agradável nos rever principalmente um trabalho que teve muito sucesso e que foi tão bom de fazer...

 

 

Jéfferson Balbino: Mas você não se revê com um intuito de autocritica?

 

Nicette Bruno: Quando a gente assiste, a gente gosta de assistir. Gosta de ver aquele momento como algo curioso de como eu fazia, de como eu faria hoje, então é claro que a gente revê com o intuito de autocritica, a gente nunca fica satisfeito com o que você esta fazendo ou já fez.

 

Jéfferson Balbino: Mesmo depois de tantos anos de carreira?

 

Nicette Bruno: Mesmo depois de tanto tempo...

 

Jéfferson Balbino: O que você destacaria do seu trabalho nas novelas: “Perigosas Peruas” (TV Globo/1992) e “A Próxima Vítima” (TV Globo/1995)?

 

Nicette Bruno: Eu fiz uma personagem deliciosa, uma italiana em “A Próxima Vítima”, era uma tia italiana. Foi um trabalho bonito do Silvio de Abreu, ótimo. Já “Perigosas Peruas” foi do [Carlos] Lombardi e foi uma delicia, fiz uma personagem mais fútil o que é delicioso eu adoro fazer esse tipo de personagem que também fiz em “Mulheres de Areia” que eu era a Juju que era uma personagem deliciosa, eu adoro fazer comédia. E, é difícil fazer comedia em televisão porque é muito comedida, eu acho que a nossa profissão o importante é você ter essa noção. Porque muitas vezes acontece de você fazer um personagem que agrade o público, que agrade o diretor e o autor. E o ator se ilude um pouco quando começa a forçar quando começa a exagerar e esse é o grande perigo, tem que ter um equilíbrio grande para independência do agrado ou não do caminho do personagem, você manter aquele critério de medida. Isso é muito importante e um cuidado que o ator deve ter e eu procuro ter, mas não sei se sempre eu consigo, mas eu procuro ter.

Jéfferson Balbino: Nicette, eu até fiz essa pergunta para o Paulo: Que cuidados você tem ao fazer uma personagem com sotaque?

 

Nicette Bruno: O cuidado de não caricaturar, o cuidado de não exceder, de não faltar, de começar a ver características e de lembrar-se de coisas e de pessoas que você conheceu ou conhece. Às vezes, você vê determinadas imagens e você fica atento né?! Agora mesmo eu faço em “Joia Rara” uma portuguesa completamente diferente daquela que eu fiz em “Rainha da Sucata” que era uma portuguesa comedida, ela era dócil, era fina uma mulher de educação, já essa é mais casca grossa, é mais diferente, então é uma portuguesa diferente, porque é uma pessoa diferente. Então eu tenho que estudar isso pra que fique crível que você olhe e não veja simplesmente um esquete de um português.

 

Jéfferson Balbino: Uma das coisas mais fascinantes da carreira do ator é vivenciar várias vidas numa só... Como você consegue lidar e administrar essas violentas cargas de emoção, drama e comédia dessas vidas que você vivencia?

 

Nicette Bruno: Enquanto você esta no processo de criação é muito difícil essa separação, as coisas se misturam mesmo, os personagens te acompanham a todo o momento da sua vida quando você está criando e, é desgastante. Quando eu fiz a peça “Os efeitos dos raios gama as margaridas do campo” em que a minha personagem tinha características de personalidades que eram opostas a minha e ela era uma mulher altamente negativa, então eu tinha que criar coisas que eram de maneira negativa, de pensar e de falar e de ser negativa, daí eu dizia em casa pra terem paciência comigo porque eu estava procurando criar essa criatura, procurando sentir. E eu demorei muito pra superar isso porque nessa peça a Beth [Goulart] minha filha estava estreando com 13 anos e ela fazia a minha filha, mas essa mulher que era altamente negativa e que era muito frustrada e angustiada via na filha um sol, por exemplo, tinha um talento raro, extraordinário e estava sendo reconhecida pelo trabalho dela e ela ficou muito amarga com aquilo e tinha uma revolta muito grande com aquela filha e eu não conseguia fazer. E o [Antônio] Abujamra falava que tinha muito doçura no meu olhar e eu teria que tirar, e eu olhava pra Beth não percebia aquela preocupação de mãe que eu tinha acima de qualquer coisa e eu ficava, às vezes, vendo se ela estava agindo e fazendo bem. Um dia a Bethinha em cena, no ensaio me disse assim: “Mamãe, para com isso, pensa em você e me deixa, deixa que eu me defenda”, aquilo me despertou porque ela estava tendo uma consciência e uma postura muito mais adulta do que eu e foi aí que eu comecei a encontrar o personagem, aí eu comecei a desvencilhar e a tirar os laços de ligação consanguínea (risos) pra podermos ser pessoas diferentes de nós mesmas e eu consegui tanto que ganhei vários prêmios por esse personagem. Mas foi muito curioso porque me balançou muito porque ate eu encontrar essa mulher me balançou bastante.

Jéfferson Balbino: Qual foi sua fonte de inspiração pra interpretar a megera Úrsula na novela “O Amor Está No Ar” (TV Globo/1997)?

 

Nicette Bruno: Essa novela era do Alcides [Nogueira], e era uma personagem muito interessante. Essa, por exemplo, não interferia na tinha sensibilidade porque era uma coisa tão diferente esmo e eu fui fazendo a Úrsula de acordo com o que ia chegando pra mim e eu tive um parceiro de cena muito bom que era o Luís Mello e batíamos muito o texto e naqueles momentos muita coisa vinha. Eu fiz ela muito mais no exterior. O texto é a nossa base, não tinha uma inspiração a alguém.

Jéfferson Balbino: Ao contrário da Úrsula, você vivenciou duas maravilhosas avós na ficção, uma na célebre série “Sítio do Picapau Amarelo” (TV Globo/2001-2004) e a outra na novela “A Vida da Gente” (TV Globo/2011). O que você ressaltaria dessas marcantes personagens?

 

Nicette Bruno: No “Sítio” foi uma delicia, porque no “Sítio do Picapau Amarelo” é um clássico da literatura infantil então foi uma honra eu fazer um personagem que eu conhecia e amava desde sempre e foi muito gostoso porque ao lado desse entusiasmo e dessa admiração pela obra, eu tive a parceria com o diretor, o [Roberto] Talma que quis modernizar um pouco sem perder a essência e o que muita gente não entendeu, por exemplo, com certeza se o Monteiro Lobato tivesse vivo ele teria mexido com aquela avó, porque a gente ia fazer um remake daquela obra na época desejada e era importante justamente você buscar a analise da criança, o convívio da criança com aquele período então a Dona Benta que era em realidade a voz do autor e que estava ali sempre mostrando o saber ela tinha que se ir modernizando também e guardando as referencias e uma das coisas que foi pensado e feito era que a Dona Benta teria que ter contato com a internet, tinha que ter o computador dela o que assustou muita gente, e quando ela se comunicava com o Pedrinho ela dizia pra ele escrever uma correspondência escrita pra estimula-lo, para ele não ficar somente a mercê do computador, e uma coisa que eu achava muito interessante é que no computador dela tinha uma capinha de crochê, e depois tiraram porque a reunião com as pessoas de analises, que não eram feitas com crianças, mas com pessoas mais velhas que acreditavam que a Dona Benta não usava um computador, só usava toquinha comprida então eu fiquei com muita pena.

Jéfferson Balbino: E aquele tricô que a Dona Benta fazia muito era você fazendo de verdade em cena? 

 

Nicette Bruno: A Dona Benta fazia muito tricô, mas eu não sei fazer nada de tricô, mas eu fingia bem (risos). Mas eu não fazia tricô não!



Escrito por jéfferson às 23h27
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Entrevista Especial com NICETTE BRUNO

 

 

Jéfferson Balbino: Mas e você acompanhou a tecnologia? Usa a internet?

 

Nicette Bruno: Olha Jéfferson, eu tenho um problema com os botões, eu tenho dificuldade (risos). Eu gosto é de pegar um livro pra ler, pra manusear. Eu tenho muita dificuldade pra mexer nisso, mas tenho a Carol, que é a minha secretária e que faz isso pra mim, eu fico do lado acompanhando tudo de perto, fico vendo ela abrir os meus e-mails e eu fico respondendo.

 

Jéfferson Balbino: E o que você os fala da Iná sua personagem na novela “A Vida da Gente” que foi outra avó maravilhosa?

 

Nicette Bruno: Ah foi maravilhosa essa personagem... Você vê o como é importante você ter a consciência de como tem que lidar com as diversidades, porque é isso que é a vida. E cada avó tem uma individualidade diferente, essa era tão boa como a Dona Benta, mas era diferente, e isso é o fantástico da nossa profissão. A Iná era ótima porque apesar de ser uma pessoa praticamente do lar ela tinha uma alma maravilhosa de compreensão e entendimento e o grande elemento daquela criatura como essência era o amor e ela amava as pessoas e por isso as compreendia.

 

Jéfferson Balbino: Nicette, na minha visão a Iná é uma personagem muito parecida com você, com sua personalidade, com sua essência. Você também compartilha dessa minha visão? Seria uma espécie de alter ego seu?

 

Nicette Bruno: Muito, foi uma das personagens que mais me identifiquei. Aquele final, por exemplo, eu me entreguei muito, me senti eu dizendo toda aquelas coisas, a convivência dela com as netas tinha muito de mim, naquele personagem eu deixei mesmo correr muita identificação comigo. Eu me identifiquei muito com ela (risos).

 

 

Jéfferson Balbino: O que você acredita ser o maior desafio da sua profissão?

 

Nicette Bruno: A gente esta vivendo sempre numa corda bamba, em cada novo personagem, em cada nova peça de teatro, em cada nova novela, em cada momento há sempre um novo desafio. Não é fácil não! Pra gente que encara a profissão com “seriedade e responsabilidade” e com respeito, porque eu aprendi isso quando comecei. Eu quando subo um palco ou entro num estúdio eu reverencio o estúdio e o palco porque ali é um templo é ali que eu me realizo e através de mim muita gente se realiza e muita coisa é transmitida e receptiva desse trabalho e é assim que eu encaro esse trabalho. Nesses tempos atrás antes de começar a novela teve uma reunião e o Pedrinho [Pedro Neschling] disse que aprendia muito comigo que enquanto todos estavam cansados eu estava lá de pé, e eu sou assim, quando estou com a roupa do personagem eu não sento eu não deito, só na cena quando é pra acontecer isso, mas eu nem percebo porque é a minha referencia. Quando eu entro no camarim naquele instante eu já começo a me deixar de lado e a incorporar totalmente o personagem. E já me começo a ver como a personagem, é uma semiose. Então eu acho que todo momento é único.

Jéfferson Balbino: Nicette, você é uma atriz que desperta muita jovialidade...

 

Nicette Bruno: (risos) Obrigada, mas já cheguei nos 80 anos. E eu não percebo que passei, é uma loucura (risos), só quando chego ao espelho... Quando vejo uma foto antiga eu vejo como eu era bonitinha (risos).

 

Jéfferson Balbino: E qual o segredo pra manter essa jovialidade?

 

Nicette Bruno: Jéfferson eu amo tudo o que faço, amo as pessoas, amo muito e exercito esse sentimento naturalmente, nada na minha vida eu faço forçada, eu vivo e convivo com a verdade. Tanto que quando estou ou não estou bem todo mundo percebe, eu finjo lá no palco e na vida real eu ao consigo. Eu acho que é isso sei lá... A mamãe era muito assim, o papai era muito assim, então eu acho que é genético. O papai morreu com 94 anos, os dois eram separados e papai formou uma família linda, eu tenho outros irmãos, ainda sou muito amiga da mulher que ele teve até hoje. E mamãe era aquela amiga maravilhosa que eu tive e que nunca quis casar, dizia que não iria me dar padrasto (risos). Porque na época que comecei a fazer teatro havia muito preconceito, imagina há 66 anos atrás?! Então ela não queria não, ela sabia que eu queria seguir aquela profissão que ela adorava também, embora tenha estudado medicina, ela só clinicou por 4 anos e clinicou lá num Hospital em Niterói e depois parou mesmo porque tinha que me acompanhar porque eu comecei muito nova e de menor e tinha que ter a companhia da mãe sempre e que depois acabou atuando também.

 

Jéfferson Balbino: E qual foi o maior legado que sua mãe lhe deixou tanto pessoalmente como profissionalmente?

 

Nicette Bruno: A alegria, a honestidade, a responsabilidade, mamãe sempre dizia que nunca precisava me mandar estudar e dizia que o único que iria receber resultados positivos do meu estudo e de minha dedicação era eu mesma e ninguém mais, que o conhecimento seria meu e o mérito também. Então ela me dava consciência das coisas, ela era maravilhosa, tinha uma cabeça muito aberta, compreendia, estava sempre comigo, ela sempre fez isso e sempre me estimulou muito a respeitar e a entender as pessoas, a não dar importância no que não precisasse de importância, por exemplo, na adolescia a gente ficava com aquela angustia e eu chorava e ela me perguntava porque eu estava chorando e eu dizia o porque e ela me dizia que chorar não iria resolver e que se fosse resolver ela sentaria e choraria comigo (risos), então nós duas procurávamos uma solução. Esse foi o grande legado da mamãe.

 

Jéfferson Balbino: A sensação que me dá é que vocês eram muito mais que mãe e filha...

 

Nicette Bruno: Sim, éramos amigas.

 

 

Jéfferson Balbino: Por parte de mãe, você é filha única não é?

 

Nicette Bruno: Por parte de mãe sim! Ela separou do papai, mas sempre estimulou em mim um amor por meu pai, embora não tivessem convivência, pelo contrário tiveram até divergência no começo porque o papai era muito machista em relação o teatro. E por isso mamãe se empenhava em ficar comigo, mas ele era maravilhoso também e formou uma família linda, meus irmãos são maravilhosos, irmãos esses que alguns são mais novos que meus filhos (risos). E nós moramos juntos, eu e o Paulo e ele e a secretária dele que depois passou a ser sua esposa e casou com ele, e nós ficamos grávidas juntas eu da Bárbara e ela do primeiro filho, o João Sinésio, que foi meu primeiro irmão dessa leva de dez (risos), eu tenho uma família engraçada.

 

Jéfferson Balbino: Eu tenho a sua neta, a atriz Vanessa Goulartt como amiga no meu Facebook e nesses tempos atrás ela postou uma foto das 5 gerações das mulheres de sua família e achei aquilo algo extremamente interessante...

 

Nicette Bruno: Naquela foto estão as cinco gerações, a Vovó, a mamãe, eu, a Barbara e a Vanessa. Olha Jéfferson, eu sou muito privilegiada porque eu nasci num núcleo onde tinha a família da mamãe e a família do papai que também era maravilhosa e diferente já que a família da mamãe era toda voltada pra arte, já a do papai não, era mais tradicional. O papai era mais voltado para as Finanças, ele trabalhava no Tesouro, mas os filhos dele desse novo casamento não, eu tenho uma irmã que é perna-de-pau todo ano ela e o marido dela abrem o Carnaval, são artistas também que percorreram o mundo, fizeram faculdade de teatro, e todos os meus sobrinhos estão voltados para a arte.

 

 

Jéfferson Balbino: Você deu um show de interpretação e humor como a Ofélia na novela “Alma Gêmea” (TV Globo/2006). Seria a concentração o principal elemento cênico pra fazer comedia? 

 

Nicette Bruno: Antes de começar “Joia Rara” me perguntaram se essa sogra seria igual a que eu fiz em “Alma Gêmea” e eu disse que não... Em “Alma Gêmea” a Ofélia era implicante mesmo... A concentração sempre é preciso, mas nada de exagero também, quando você faz um protagonista, no começo você tem que ter um momento pra você interiorizar as coisas, mas a concentração seria mais no momento que você vai fazer a maquiagem, o cabelo e você já vai automaticamente entrando no personagem. Por isso que a nossa profissão é coletiva, você sai dali, vai para o camarim, põe a roupa e entra no cenário, e depois você se habitua aquilo ali e fica orgânico, mas até você se adaptar ao personagem o mais importante é mesmo o cenário pra você poder ver o clima da sua vida, da do personagem, da sua emoção em cena está tudo ali no cenário há uma ligação muito grande do cenário também, do cenógrafo, dos diretores e de todos como do cabelereiro, da maquiadora, até mesmo da camareira que te arruma porque ela tem que saber certinho o jeito que põe a sua roupa, o diretor de cena, os da produção, na nossa profissão todos os elementos tem que ter como matéria-prima a sensibilidade. 



Escrito por jéfferson às 23h24
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Entrevista Especial com NICETTE BRUNO

 

 

Jéfferson Balbino: E como foi a emoção ao homenagear a autora Ivani Ribeiro na novela “O Profeta” (TV Globo/2006)?

 

Nicette Bruno: Sempre é agradável, é emocionante porque quando recebe alguma coisa em nome de alguém você consegue visualizar e a sentir essa pessoa e ela fica mais próxima de você.

Jéfferson Balbino: Qual foi o momento mais marcante de sua carreira?

 

Nicette Bruno: É tão difícil eu responder isso pra você Jéfferson, porque é como perguntar qual seria o filho que eu mais gosto... Todos os momentos me foram importante, pois todos me ajudaram no meu desenvolvimento e no meu crescimento. Então é difícil eu dizer um, é claro que alguns respondem melhor no sentido de reconhecimento e de premiação, mas não interferem na importância dos outros e em relação a sua formação e ao seu crescimento.

Jéfferson Balbino: Quando eu entrevistei o [Antônio] Fagundes ele me disse que às vezes ele fez um personagem que não foi sucesso de público, mas que foi de grande significação na vida dele...

 

Nicette Bruno: É exatamente isso... Eu sempre costumo dizer aos jovens atores para não se iludir com o tamanho do papel, porque às vezes um pequeno papel você resolve de uma forma tão linda a sua criação que ele fica marcante, então todos os personagens somam e são importantes pra você, e aquele que não teve resposta e sucesso esperado foi pra você de grande utilidade. A Dulcina falou comigo e percebeu que eu jovem queria continuar a carreira me disse: “Minha filha, olha pra frente com objetividade pra ver aonde você quer chegar, mas saiba que dois caminhos paralelos vão te acompanhar durante a vida toda: o sucesso e o fracasso, aprenda com o fracasso pra que você tenha suporte pra quando chegar o sucesso, porque quando você não tem suporte o sucesso pode subir na sua cabeça e estragar uma trajetória e o insucesso te traz lições grandes pra você saber o que não fazer”.

 

Jéfferson Balbino: Temos uma querida amiga em comum que é a atriz Rosamaria Murtinho, inclusive vocês integraram o elenco da novela “Sete Pecados” (TV Globo/2007)... O que você pode falar da nossa querida e adorada Rosinha como pessoa e como atriz?

 

Nicette Bruno: A Rosinha é uma graça de pessoa, eu conheço a Rosinha desde que éramos jovens e eu vi a Rosinha começar o namoro com o Mauro, nós participamos de várias reuniões de artistas, de novelas, fizemos “A Muralha” também, além de outras novelas que fizemos juntas, fiz muitos trabalhos com o irmão dela, o Carlos Murtinho, que era diretor e eu fui dirigida por ele, conheci os pais da Rosinha, a mãe da Rosinha era uma senhora encantadora, então é uma amizade que vem de muito tempo, como a minha com a Fernanda [Montenegro] eu já havia começado na carreira antes da Fernanda começar, ela fazia rádio e em tudo que ela faz ela faz muito bem. Ela é inegavelmente uma figura fantástica do nosso teatro, televisão e cinema, mas nos conhecemos desde mocinha também, acompanhei o namoro dela com o Fernando, fizemos muitos trabalhos juntos eu ainda era solteira, nem conhecia o Paulo ainda nessa época (risos), então é uma geração que se iniciou juntos, o Sergio Britto, o Sergio Cardoso, a Nathália Timberg... Toda essa geração que foi formada com esse sentido de respeito profissional e de amor por aquilo que se faz.

Jéfferson Balbino: Houve alguma dificuldade em ter que contracenar com um cachorro na novela “Salve Jorge” (TV Globo/2012)? E o pouco espaço que sua personagem teve ao longo da trama da Glória Perez lhe desagradou?

 

 

Nicette Bruno: Não, eu adorei, sempre adorei cachorros, sempre tive, as minhas crianças sempre tiveram, eu acho importante esse convívio e esse contato. Os filhos foram casando e os cachorrinhos foram morrendo... Agora eu tenho o Juquinha que é o filhotinho novo, é o novo elemento da família. E chegaram a falar que eu não gostava de cachorro o que não existe, imagina! O que eu disse numa ocasião que eu tinha muito medo de cachorro que eu não conhecia, de cachorro de rua, porque uma vez eu fui mordida, como fui quando adolescente, eu fui mordida por um cachorro de rua e eu tive que tomar 21 injeções na barriga, mas eu tenho medo de cachorro de rua, como eu tenho medo de bandido, a mesma coisa (risos), mas cachorro em si eu adoro. Em relação ao pouco espaço, não me desagradou, porque tinha muita gente em “Salve Jorge” e foi difícil da autora dar expansão em todos os núcleos, é aquilo que lhe disse Jéfferson sobre as mudanças ocorridas na novela por ser uma obra aberta, e com tanta gente, vários núcleos, a autora teve que condensar todos, mas isso não diminuiu a importância da Leonor que embora ela tivesse pouca participação ela marcou muito, as pessoas me falam muito e eu fiz com muito prazer, eu a achei uma personagem agradável de conviver, porque ela era uma pessoa inteligente, esperta e era uma pessoa com uma visão que alongava seu olhar para os acontecimentos, tanto que no final ela soube a resolve todos os problemas dela em relação a herança e ficou na dela sempre porque ela era só. Ela tinha um grande amigo que era o mordomo e tinha a grande amiga que era a Emily, então foi muito linda a relação dela com aquele bichinho que era amiga porque era, sem interesse, então eu acho que embora pequena participação teve uma importância muito grande inclusive pra mostrar para algumas pessoas que o interesse não leva a nada. 



Escrito por jéfferson às 23h22
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Entrevista Especial com NICETTE BRUNO

 

 

Jéfferson Balbino: O que você pode os contar sobre seu atual trabalho na novela “Joia Rara” (TV Globo/2013)?

 

Nicette Bruno: Como diz o [Marcos] Caruso nós somos o suspiro da novela porque estamos no núcleo do Cabaré onde tem a alegria. Mas a minha personagem é muito mau humorada, mas de acordo com as minhas pesquisas em relação a ela, ela deve ter pertencido a uma das companhias de revistas lá de Portugal e o marido dela deve ter sido ou ator ou cantor ou um produtor, ela pode ter sido uma coadjuvante qualquer, pode ter sido até uma camareira, deve ter vivido no meio e ter sofrido muito com o marido que deve ter sido um garanhão daqueles porque ela não confia em nenhum homem e fala mal do genro e acha que ele não tenha competência embora seja um artista. Ela sempre acha que o homem engana a mulher, ela é sempre aquela pessoa que tem uma palavra que não agrada a quem esta no alvo dela.

Jéfferson Balbino: Eu já entrevistei a Barbara, a Beth e a Vanessa e todas me disseram se sentir muito honradas de fazer parte desse clã artístico que é a família de vocês... Como é pra você, a matriarca, pertencer a esse clã que não apenas orgulha vocês que pertencem a ele, mas a todos nós amantes da dramaturgia brasileira?

 

Nicette Bruno: Fico feliz de você pensar assim Jéfferson, mas não somos os únicos que temos grupos familiares não, tem a própria Dulcina que tinha a mãe, o pai, a irmã eram todos atores, a Bibi com o Procópio que tinha a mãe que pertenceu ao circo também, tem a própria Rosinha, a Fernanda, com o Fernando e a Fernandinha, tem muita gente, muitas famílias. O Mateus Solano com a mulher que é atriz. É que a minha família tem essa coisa que foi passando de geração pra geração e eu no começo tinha receio que isso fosse pelo ambiente, a sorte que eles estudavam no Colégio Vocacional e todos fizeram testes vocacionais e não deu outra coisa, o bom é que eles acompanharam toda a dificuldade da nossa vida e consequentemente da profissão eles não foram iludidos e sabiam que teria que batalhar e batalham até hoje, que não era por serem nossos filhos que seriam fácil, pelo contrário, por serem nossos filhos a cobrança é maior.

Jéfferson Balbino: E o que você pode nos dizer dessa parceria de vida e arte ao lado do nosso querido Paulo Goulart?

 

Nicette Bruno: É uma coisa que é uma benção de Deus, eu acho que Paulo e eu tivemos um reencontro porque somos pessoas diferentes que temos uma grande sintonia e que temos valores em comum de vida e temos um respeito muito grande um pela individualidade do outro, nunca competimos, sempre torcemos um pelo sucesso do outro, e o tempo passou e nós não percebemos o que quer dizer que está bom, porque quando não percebemos que o tempo passa é porque esta bom, esta agradável, batalhamos muito porque nada aconteceu fácil pra nós (risos).

Jéfferson Balbino: E qual foi o trabalho que ele fez que você mais gostou?

 

Nicette Bruno: Ele fez muitos bons trabalhos, o “Lar” que ele fez, que era um espetáculo que ele fazia sozinho escrito pelo Sérgio Jockmann e dirigido pelo Abujamra foi um sucesso e ele fez lindamente, “A Orquestra...” foi uma coisa inusitada porque foi o primeiro espetáculo onde eram atores fazendo personagens femininos e não eram travestis não, eram mulheres. Ele fez muito bem tanto que ganhou todos os prêmios também e foi lindo momento. Já na televisão ele fez “Minas de Prata” que foi deslumbrante, ele fez coisas muito boas, ele fez o Donato aquele homem asqueroso de “Mulheres de Areia” e que fez muito sucesso. Ele fez “O Dono do Mundo” que era um personagem que era difícil, acho que ele fazia o pai do [Antônio] Fagundes e o marido da Nathália Timberg...

 

Jéfferson Balbino: Será que foi de lá que ele herdou esse talento culinário que ele tem na vida real? Porque o personagem dele era chef de cozinha...

 

Nicette Bruno: Não foi não, até ele já havia feito antes um personagem que ele utilizou esses dotes culinários dele que foi com a Vivinha [Eva Wilma] onde ele fazia um italiano, era numa novela do Silvio de Abreu não lembro certo, acho que foi em “Plumas e Paetês” ou era com a Vivinha ou com a Glória [Menezes], é tanta novela que a gente faz que até esquece. Ele fez um personagem muito bom que foi em “Esperança” onde ele fazia um italiano, o Farina, tem momentos muito bons do Paulo como em “A Muralha” que ele fez o Bento Coutinho.

 


Jéfferson Balbino: Quais são suas perspectivas em relação ao futuro da telenovela no Brasil e também da sua carreira?

 

Nicette Bruno: Olha Jéfferson eu acho que atualmente esta surgindo momentos muito bons com a chegada desses novos autores, essa leva de autores jovens é fundamental para o teatro para a dramaturgia do país, porque os mais antigos durante tanto tempo ficaram fechados sem poderem exercer o seu talento no momento de repressão então agora esses novos estão aparecendo e surgindo por aí. O futuro é em relação a essa nova leva de autores e a possibilidade dos grandes autores existentes poderem realizar seus espetáculos havendo uma abertura maior pra realizar tanto no teatro como a televisão. E em relação a minha carreira sempre uma busca pelo melhor, do aprendizado maior trabalhar sempre é minha maior expectativa ter sempre onde realizar minha função de atriz.

 

Jéfferson Balbino: E quais são seus maiores ídolos na dramaturgia?

 

Nicette Bruno: Olha Jéffeson eu tenho várias admirações, mas o Antônio Abujamra é uma figura fundamental na minha carreira e na minha vida. Por tê-lo como amigo, autores cito o Lauro César Muniz que é um excelente autor teatral, o Paulo fez muitas novelas dele também, o Dias Gomes foi um excelente dramaturgo. Eu trabalhei com o Manoel Carlos o Teatro de Alumínio ele como ator, na TV eu nunca tive a oportunidade de fazer um trabalho com ele embora eu admire tanto o trabalho dele nunca surgiu essa oportunidade pra mim. Eu acho o Silvio de Abreu um autor interessante que se joga sem escrúpulos ele tem uma coragem que eu gosto. Tem outros que eu não lembro agora...

 

Jéfferson Balbino: O que você considera ser a sua maior contribuição nessa história de sucesso da teledramaturgia brasileira?

 

Nicette Bruno: Eu acho que a minha dedicação profissional. E eu desejo muito que o Teatro nas Universidades seja de maior importância para a formação do público brasileiro, esse é meu sonho, a menina dos meus olhos.

Jéfferson Balbino: Antes de finalizarmos: Quais foram as melhores novelas que você já assistiu?

 

Nicette Bruno: Eu não posso dizer que sou noveleira, gosto de assistir algumas ovelhas, como gosto de assistir teatro e cinema, mas nem sempre posso, porque eu sempre – graças a Deus, estou trabalhando nos horários, nem sempre dá pra assistir, mas quando eu estou livre eu assisto novela com o maior prazer. Olha Jéfferson teve uma novela do Lauro César com o Paulo Gracindo e a Yara Côrtez que pra mim é inesquecível que é “O Casarão”.

Jéfferson Balbino: Querida, foi uma grande honra ter tido essa entrevista com você aqui “No Mundo dos Famosos”. Obrigado pelo delicioso almoço e por sua carinhosa acolhida aqui na sua casa, adorei muito e esse foi sem dúvida um dos melhores momentos de minha vida. Parabéns pela brilhante trajetória profissional e por ser esse exemplo de força e talento. Um grande beijo!

 

 

Nicette Bruno: Eu espero ter contribuído de alguma forma, nem sempre a gente fala tudo que deseja e ocorre tudo que deseja, depois que passa a entrevista que a gente se lembra de algumas coisas que esqueceu e que deveria ser falada (risos). Obrigada você por almoçar conosco e fazer essa entrevista maravilhosa aqui em casa, muito obrigada. Sucesso pra você também e um beijo!



Escrito por jéfferson às 23h19
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Semana que Vem: Entrevista com GLÓRIA PIRES



Escrito por jéfferson às 23h17
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Ainda Hoje: Entrevista com a atriz NICETTE BRUNO



Escrito por jéfferson às 23h16
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