Entrevista Especial com CARLOS GREGÓRIO

 

Hoje eu entrevisto aqui “No Mundo dos Famosos” um dos autores de novelas dessa nova geração que está surgindo, porém, diferente dos demais, esse já vem de uma bem sucedida carreira televisiva e cinematográfica. E atualmente vem mostrando seu talento como novelista na atual novela das sete: “Além do Horizonte”, mas antes já havia colaborado no sucesso “A Vida da Gente”... Minha “Entrevista Especial” é com o querido e talentoso CARLOS GREGÓRIO.

“A televisão tem um grande espectro de formatos a explorar e, hoje em dia, a pulverização da audiência por outros veículos está dando oportunidade a novas tentativas, tanto artísticas, quanto de modelos de negócio.”

(Carlos Gregório)

Jéfferson Balbino: Carlos, como surgiu seu interesse pela carreira artística?

Carlos Gregório: Isso é uma coisa difícil de determinar. A gente vai sendo atraído pelas obras, livros, filmes, peças, músicas. E então, fica tão envolvido por isso tudo, que acaba fazendo uma série de escolhas que vão te aproximando, cada vez mais, de uma carreira.

Jéfferson Balbino: Sua estreia na teledramaturgia brasileira como ator ocorreu na versão original da novela “Saramandaia” (TV Globo/1976). Como surgiu a oportunidade pra você estrear na televisão com esse trabalho?

Carlos Gregório: Eu havia trabalhado em dois filmes que atraíram a atenção sobre meu trabalho, e quando percebi que estar na TV era uma coisa importante, profissionalmente, manifestei meu desejo para pessoas de TV que conheciam o meu trabalho. Logo consegui uma entrevista com o diretor Walter Avancini, que decidiu me contratar para a novela.

Jéfferson Balbino: Como foi trabalhar com a nossa querida Rosinha [Rosamaria Murtinho] na novela “Nina” (TV Globo/1977)?

Carlos Gregório: “Nina” foi uma novela escrita por Walter George Durst, para substituir outra dele, “Despedida de Casado”, que foi censurada, depois de vários capítulos gravados. A novela, também dirigida por Avancini, tinha um elenco sensacional, com nomes como José Lewgoy, Brandão Filho, Elza Gomes e, é claro, a querida Rosa Maria.

Jéfferson Balbino: Que lembranças você tem do Taio seu personagem na novela “Pecado Rasgado” (TV Globo/1978)?

Carlos Gregório: Foi à primeira novela escrita pelo Sílvio de Abreu, para a Globo, e a segunda em que eu fiz um tipo que repeti outras vezes: o do tímido atrapalhado. A primeira, é claro, foi “Saramandaia”, em que interpretei o Delegado Petronilho.

Jéfferson Balbino: Em 1979, você deu vida ao padre Justino na novela “Os Gigantes” (TV Globo). Há algum tipo especifico de cuidado que o ator deve ter ao interpretar um religioso?

Carlos Gregório: Acho que se deve ter cuidado ao interpretar qualquer tipo de profissional, porque há uma tendência a se interpretar, e mesmo escrever, os profissionais de uma maneira um tanto genérica, que acaba não dando uma visão muito precisa sobre a realidade das profissões.

Jéfferson Balbino: Você atuou em duas novelas do inesquecível Cassiano Gabus Mendes que foram: “Elas por Elas” (TV Globo/1982) e “Champagne” (TV Globo/1983). O que você ressaltaria do texto desse grande mestre de nossa teledramaturgia?

Carlos Gregório: Cassiano era, definitivamente, genial. O seu talento para a comédia jamais foi igualado. Nessas novelas, fiz apenas participações, mas as considero fundamentais no meu currículo, devido a grande admiração que tenho pelo autor. Ele e Dias Gomes são, definitivamente, meus heróis da dramaturgia televisiva.

Jéfferson Balbino: Em 1988, você fez uma participação na novela “Vale Tudo” (TV Globo). Como foi atuar nessa novela ícone da nossa teledramaturgia?

Carlos Gregório: “Vale Tudo” é uma das novelas mais emblemáticas que já foi feita. Não apenas pela qualidade do texto, mas pelo retrato que fez da nossa sociedade, na época. Um retrato preciso, nada romântico, demonstrando uma perícia e um senso de oportunidade do autor, raramente encontrado em qualquer obra, seja da TV ou não. Cito com orgulho o fato de ter sido o analista de Heleninha Roitman, um personagem que se fixou na imaginação do público.

Jéfferson Balbino: Qual foi sua fonte de inspiração pra interpretar o maquiavélico Ubiratan na novela “A História de Ana Raio e Zé Trovão” (Rede Manchete/1990)? E o que você achou da novela ser reprisada pelo SBT em 2011?

Carlos Gregório: Foi uma grande oportunidade, fazer um vilão do tope do Ubiratan, um vilão manhoso, inteligente, covarde e maquiavélico. E a experiência de passar todo um ano viajando, com uma equipe sensacional, conhecendo lugares incríveis e interpretando um personagem riquíssimo, foi inesquecível. Seguramente, um dos melhores momentos de minha vida. A reprise foi um sucesso e as pessoas me paravam na rua, novamente, para comentar. Infelizmente, não consegui gravar os capítulos. Gostaria muito de ter uma lembrança desse meu trabalho, um dos melhores que fiz na TV.

Jéfferson Balbino: Em 1986, você ganhou o “Troféu Candango” de Melhor Ator por seu trabalho no filme “Baixo Gávea”. Você considera esse seu melhor trabalho como ator no Cinema Brasileiro?

Carlos Gregório: Considero um dos meus melhores trabalhos, junto com Guerra Conjugal, de Joaquim Pedro de Andrade, que me deu o meu primeiro prêmio de melhor ator, em 1975, pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Mas há outros filmes, pelos quais tenho muito carinho, como o Tônica Dominante, de Lina Chamie, o Duas Vezes Com Helena, de Mauro Farias, O Poeta de Sete Faces, de Paulo Thiago, entre outros. Além de mais dois que fiz com Joaquim Pedro de Andrade, meu grande Mestre.

Jéfferson Balbino: Você também foi roteirista de um dos melhores filmes dos últimos tempos do Cinema Nacional que é “Se Eu Fosse Você” (2006). Á que você atribui o imenso sucesso dessa obra cinematográfica?

 

Carlos Gregório: História e personagens bem montados, a direção de Daniel Filho, que sabe o que é uma comédia e, principalmente, a energia, brilho e inteligência que emanava da dupla Tony Ramos e Glória Pires.

 

Jéfferson Balbino: Quais são suas perspectivas em relação ao futuro da telenovela no Brasil?

 

 

Carlos Gregório: A novela é o nosso produto principal e escrever minha primeira novela, como autor titular, está sendo uma experiência importantíssima. Mas a televisão tem um grande espectro de formatos a explorar e, hoje em dia, a pulverização da audiência por outros veículos está dando oportunidade a novas tentativas, tanto artísticas, quanto de modelos de negócio. Acho que temos um futuro promissor nas comunicações e no entretenimento.



Escrito por jéfferson às 18h23
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Entrevista Especial com CARLOS GREGÓRIO

Jéfferson Balbino: Como foi trabalhar com o grande novelista Gilberto Braga e com o nosso querido Tide [Alcides Nogueira] na novela “Força de um Desejo” (TV Globo/1999)?

Carlos Gregório: Outra grande novela: texto, direção, direção de arte... Uma novela de época, no horário das seis, com requintes de horário das nove. Inesquecível.

Jéfferson Balbino: Seu último trabalho como ator ocorreu na série “A Vida Alheia” (TV Globo/2010)... Está nos seus planos voltar atuar na TV ou pretende daqui pra frente se dedicar apenas ao oficio de novelista?

 

Carlos Gregório: Não digo que não vá mais atuar, mas não está sendo esse meu foco, que de algum tempo para cá tem sido mais o do ofício de autor, seja em TV, cinema, ou na literatura. Tenho um novo roteiro cinematográfico de comédia pronto e um romance que pretendo terminar, assim que acabar a novela. Será o meu segundo, pois já tenho um publicado.

 

Jéfferson Balbino: Quando os atores não seguem fielmente o texto, conforme você escreveu isso lhe desagrada?

 

Carlos Gregório: Não, desde que o ator seja inteligente, criativo, não contrarie o perfil do personagem e, com sua criação, ajude a explicar melhor o personagem e a trama.

 

Jéfferson Balbino: Você que já atuou em diversas minisséries, tem planos e/ou projetos de escrever uma minissérie?

Carlos Gregório: Sim. É um formato que gostaria de tentar.

Jéfferson Balbino: Como está sendo dividir a autoria da novela “Além do Horizonte” (TV Globo/2013) com o nosso querido Marcos Bernstein?

Carlos Gregório: A nossa parceria se formou quando estávamos escrevendo a novela “A Vida da Gente”, de Lícia Manzo. Se consolidou na escrita de um projeto de seriado e a novela foi um passo adiante. Temos um excelente entendimento, afinidade em nossas opções artísticas e, por sermos dois cinéfilos de carteirinha, temos referências estéticas e de conteúdo muito parecidas, o que facilita a comunicação entre a gente. 

Jéfferson Balbino: E como foi o processo de criação da sinopse da novela? E houve algum critério pra escolha dos nomes dos personagens e do título da trama?

Carlos Gregório: Havia uma ideia embrionária, do Marcos, que ele já tinha há algum tempo. Ele me expôs a ideia e eu a achei instigante. Então, fomos escavando, escavando, para encontrar a trama e os personagens. O título me veio, subitamente, num restaurante onde almoçávamos, num intervalo do trabalho.

Jéfferson Balbino: O que o público pode esperar da metade para o final da novela?

Carlos Gregório: Isso, naturalmente, é segredo.

Jéfferson Balbino: Você se considera um escritor racional ou intuitivo?

Carlos Gregório: As duas coisas, ao mesmo tempo. Não se pode escrever bem em apenas uma dessas posições.

Jéfferson Balbino: Como telespectador: Quais foram as melhores novelas que você já assistiu?

Carlos Gregório: Difícil dizer. Só posso dar um testemunho afetivo, pois foram tantos folhetins incríveis, que seria um injustiça nomear somente alguns. Vou citar três, cuja lembrança me surge muito nítida: O Espigão, de Dias Gomes, O Rebu, de Bráulio Pedroso, e Plumas e Paetês, de Cassiano Gabus Mendes. Três grandes mestres. E mais um, é claro: Vale Tudo, de Gilberto Braga.

Jéfferson Balbino: Querido, obrigado por conceder essa entrevista ao “No Mundo dos Famosos” parabéns pela brilhante carreira e muito mais sucesso, um grande abraço!

 

Carlos Gregório: Obrigado Jéfferson, abraço!



Escrito por jéfferson às 18h19
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Ainda Hoje: Entrevista com CARLOS GREGÓRIO



Escrito por jéfferson às 18h18
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Em Breve: NO MUNDO DOS FAMOSOS



Escrito por jéfferson às 18h01
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